Ação da Substância - Citarabina Mylan

Bula Citarabina Mylan

Princípio ativo: Citarabina

Classe Terapêutica: Agentes Antineoplásicos Antimetabólitos

Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)

Como o Citarabina Mylan funciona?

Resultados de Eficácia


Leucemia Mieloide Aguda

Citarabina é um dos agentes mais eficazes para leucemia mieloide aguda (LMA). Faz parte da maioria dos esquemas iniciais em LMA, com doses usuais de 100-200 mg/m2, podendo ser combinado. Até 80% de remissão completa (RC) foi alcançada em pacientes abaixo de 40 anos. Apesar da manutenção, muitos tiveram recaída e apenas 20-30% sobreviveram 5 anos sem doença.

Doses acima de 100-200 mg/m2 podem melhorar resultados, especialmente em pacientes não respondedores ou com recaída. Doses altas (1-3 g/m2) foram usadas para superar resistência e penetrar no sistema nervoso central. Taxas de RC de 25-84% foram observadas.

Doses altas combinadas com etoposídeo e daunorrubicina são eficazes em LMA. Taxas de RC de 82,4% e 74,8% foram observadas em pacientes abaixo e acima de 46 anos, respectivamente. Doses altas em consolidação tiveram resultados superiores em LMA acima de 60 anos com risco intermediário.

Citarabina combinado com análogos de purina e antraciclinas foi eficaz em LMA recidivante ou não tratada. Doses altas também foram usadas após remissão, melhorando tempo sem doença.

Combinações com fludarabina, ansacrina, inibidores da topoisomerase, gentuzumabe ozogamicina, homoharringtonina, bortezomibe e vorinostate mostraram resultados promissores.

Doses baixas de Citarabina são consideradas padrão em idosos com LMA que não suportam quimioterapia intensiva. Sobrevida global mediana foi de 9,6 meses, melhor que cuidados paliativos.

Múltiplos ciclos de doses altas associaram-se a maior sobrevida livre de doença que um único ciclo em pacientes com alteração cromossômica específica.

Doses altas foram eficazes com transplante autólogo de medula óssea em LMA. Probabilidade de sobrevida livre de doença em 2 anos foi de 49% para todos os pacientes e 61% para transplante.

Em adolescentes e adultos não tratados, não houve diferença significativa na sobrevida livre de doença entre doses altas de Citarabina, transplante autólogo ou alogênico.

Esquema FLAG (fludarabina, Citarabina e fator de crescimento) alcançou RC em 56% de pacientes com LMA de alto risco. Toxicidade foi tolerável.

Esquema CAT (ciclofosfamida, Citarabina, topotecana) resultou em RC em 17% de leucemias recidivantes/refratárias.

Combinação com mitoxantrona foi eficaz em LMA e síndrome mielodisplásica transformada.

Etoposídeo com altas doses de Citarabina alcançou RC em 63% de LMA recidivante/refratária sem antraciclina.

Doses intermediárias com infusão prolongada mostraram alta eficácia e baixa mortalidade em LMA, com 80% de RC após indução.

Adição de altas doses de Citarabina e mitoxantrona (HAM) a esquemas pediátricos melhorou RC e sobrevida livre de eventos em LMA de alto risco.

Esquema FLAG alcançou RC em 70% de crianças com LMA/LLA recidivante/refratária.

Quimioterapia intensiva foi similar a transplante autólogo em sobrevida livre de eventos em crianças com LMA.

Leucemia Mieloide Crônica

Doses altas foram eficazes na fase agressiva da leucemia mieloide crônica (LMC). Esquemas com vindesina-prednisolona ou combinados com citosina-arabinosídeo devem ser considerados.

Daunorrubicina com doses fixas de imatinibe e Citarabina, seguido de transplante ou manutenção, foi bem tolerado com alta taxa de resposta.

Adição de Citarabina ao imatinibe inicial associou-se a alta taxa de resposta molecular completa e sobrevida global de 96% em 5 anos.

Interferon alfa com Citarabina melhorou resposta hematológica completa, resposta citogenética e sobrevida em 3 e 5 anos versus interferon isolado.

Fludarabina com Citarabina duas vezes ao dia mostrou atividade em 26% de pacientes com LMA refratária/recidivante, síndrome mielodisplásica de alto risco e fase agressiva da LMC.

Homoharringtonina com Citarabina foi tratamento eficaz na fase agressiva da LMC.

Em estudo, interferon alfa-2a com baixa dose de Citarabina versus interferon isolado não diferiu em sobrevida em 5 anos, mas melhorou resposta citogenética.

Em crianças com LMC, combinação de interferon e Citarabina induziu resposta hematológica completa e citogenética superior, sendo bem tolerada.

Leucemia Linfoide Aguda

Esquema com etoposídeo, ansacrina, dose intermediária de Citarabina, prednisona e metotrexato na espinha, seguido de consolidação com vincristina, ansacrina, dose alta de Citarabina, alcançou sobrevida global de 35% em 5 anos. Sobrevida livre de doença foi 45% em 5 anos.

Adultos com LLA e translocação específica tiveram excelente prognóstico com ciclofosfamida, vincristina, doxorrubicina e dexametasona alternados com metotrexato e altas doses de Citarabina. Todos (n=12) alcançaram RC, sobrevida em 3 anos de 73%.

Sequência de fludarabina, Citarabina, ansacrina, globulina antitimócito e radiação corporal fracionada foi alternativa viável em LLA refratária ou de alto risco.

FLAG com doxorrubicina lipossomal alcançou remissão encorajadora em crianças com leucemia aguda recidivante/refratária.

Radiação corporal total com ciclofosfamida e altas doses de Citarabina foi viável e eficaz em adultos com LLA, com resposta completa de 63,6%.

Altas doses de Citarabina (3 g/m2 a cada 12h - 8 doses) foram eficazes em leucemia meníngea em pacientes de alto risco com LLA e linfoma. RC ocorreu em 65%.

Esquema de indução intensivo com Citarabina diário (3g/m2) por 5 dias e mitoxantrona alcançou RC em 84% (n=31), com duração mediana de remissão de 17 meses.

Esquema com vindesina, daunorrubicina, asparaginase e prednisona, seguido de Citarabina e etoposídeo, alcançou RC em 64% de adultos com primeira recidiva de LLA.

Em estudo, taxa de RC de 68% foi alcançada em LLA com quimioterapia intensiva; 79% em pacientes abaixo de 50 anos. Duração média de remissão foi 22,9 meses.

Leucemia Meníngea

Quimioterapia intensificada na espinha com metotrexato, hidrocortisona e Citarabina reduziu risco de recidiva no sistema nervoso central em crianças com LLA. Risco de recaída no SNC em 5 anos foi 1,2%.

Citarabina na espinha tem atividade terapêutica em leucemia meníngea e foi tolerada em crianças até 70 mg/m2.

Doses altas foram eficazes por via espinhal na prevenção e tratamento de leucemia/linfoma nas meninges, eliminando necessidade de radiação craniana.

Em adultos com LLA/linfoma meníngeo recidivante, dose alta de Citarabina foi útil com clareamento completo do líquido espinhal em 86%.

Metotrexato intraventricular com Citarabina alcançou RC acima de 90% em pacientes até 21 anos com leucemia/linfoma meníngeo recidivante.

Referências Bibliográficas

[Lista de referências mantida conforme original]

Características Farmacológicas


Como Age no Corpo

Citarabina, um análogo de nucleosídeo, é um remédio contra câncer que inibe a produção de DNA. Também tem propriedades antivirais e imunossupressoras. Estudos sugerem que sua ação principal é inibir a síntese de desoxicitidina, porém a inibição de enzimas e incorporação em ácidos nucleicos também contribuem para seus efeitos.

Como o Corpo Processa

Citarabina é transformada em arabinofuranosil uracila no fígado e rins. Após injeção na veia, apenas 5,8% é eliminado inalterado na urina em 12-24h; 90% é eliminado como produto transformado. É metabolizado rapidamente, principalmente no fígado. Após dose alta única, níveis sanguíneos ficam indetectáveis em 15 minutos na maioria dos pacientes.

Dados Pré-Clínicos de Segurança

A principal toxicidade em animais foi redução da medula óssea. Outros órgãos afetados foram fígado, rins e cérebro.

Citarabina causou danos cromossômicos e transformação maligna em células de roedores. É embriotóxico, teratogênico e tóxico no período peri e pós-natal em várias espécies. Causou anormalidades em espermatozoides de camundongos.

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