Interação Medicamentosa - Tacrolimo Camber

Bula Tacrolimo Camber

Princípio ativo: Tacrolimo

Classe Terapêutica: Outros Imunossupressores

Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)

Interação medicamentosa: quais os efeitos de tomar Tacrolimo Camber com outros remédios?

Cápsula/Solução injetável/Cápsula de liberação prolongada

O uso concomitante de Tacrolimo com medicamentos cujo efeito nefrotóxico ou neurotóxico é conhecido pode aumentar o nível de toxicidade.

Já que o tratamento com Tacrolimo pode ser associado com hiperpotassemia ou pode aumentar hiperpotassemia preexistente, deve-se evitar o consumo elevado de potássio ou diuréticos poupadores de potássio.

Devido ao potencial aditivo ou sinérgico para a piora da função renal, é preciso cautela ao administrar Tacrolimo (substância ativa) com medicamentos que possam estar relacionados com disfunção renal. Esses medicamentos incluem, mas não estão limitados a, aminoglicosídeos, ganciclovir, anfotericina B ou ibuprofeno, cisplatina, inibidores nucleotídeos da transcriptase reversa (por. ex.: tenofovir) e inibidores de protease (por ex.: ritonavir e indinavir).

Experimentos clínicos iniciais com a coadministração de Tacrolimo (substância ativa) e ciclosporina resultaram em nefrotoxicidade aditiva/sinérgica. Os pacientes que trocarem o tratamento com ciclosporina por Tacrolimo só devem receber a primeira dose de Tacrolimo 24 horas após a última dose de ciclosporina. A administração de Tacrolimo (substância ativa) deve ser adiada na presença de níveis elevados de ciclosporina.

Medicamentos que podem alterar as concentrações de Tacrolimo

A terapia sistêmica com Tacrolimo exige monitoramento atento quando coadministrada com medicamentos com interação potencial e, quando necessário, deve-se interromper ou ajustar a dose de Tacrolimo.

Como Tacrolimo é metabolizado principalmente pelo sistema enzimático CYP3A, substâncias que inibem estas enzimas podem reduzir o metabolismo ou aumentar a biodisponibilidade de Tacrolimo, resultando em aumento nas concentrações plasmáticas ou no sangue total. Os fármacos que induzem estes sistemas enzimáticos podem aumentar o metabolismo ou diminuir a biodisponibilidade de Tacrolimo, resultando em redução das concentrações no sangue total ou plasma.

Monitoramento das concentrações sanguíneas e ajustes de dose são essenciais quando tais drogas são usadas concomitantemente:
Fármacos que podem aumentar as concentrações de Tacrolimo no sangue

Bloqueadores de canal de cálcio

Antibióticos macrolídeosAgentes antifúngicosAgentes gastrintestinais prócinéticos

Outros fármacos

Diltiazem

ClaritromicinaClotrimazolCisaprida

Amiodarona

Nicardipina

EritromicinaFluconazolMetoclopramida

Bromocriptina

Nifedipina

TroleandomicinaItraconazol-

Cloranfenicol

Verapamil

JosamicinaCetoconazol-

Cimetidina

--Voriconazol-

Ciclosporina

--Posaconazol-

Danazol

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Etinilestradiol

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Metilprednisolona

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Lansoprazol

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Omeprazol

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Inibidores de protease do HIV (por ex. ritonavir, nelfinavir, saquinavir)

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Inibidores de protease do HCV (por ex. telaprevir, boceprevir)

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Nefazodona

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Hidróxido de magnésio e alumínio

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Extrato de Schisandra sphenanthera

Tacrolimo também demonstrou efeito inibidor amplo e forte sobre o metabolismo dependente de CYP3A4. Assim, o uso concomitante de Tacrolimo com fármacos conhecidamente metabolizados por vias dependentes de CYP3A4 pode afetar o metabolismo desses fármacos.

Tacrolimo se liga de forma extensa à proteínas plasmáticas. Possíveis interações com outros fármacos com alta afinidade conhecida para proteínas plasmáticas devem ser consideradas.

Suco de toranja (grapefruit)

O suco de toranja inibe as enzimas CYP3A, resultando no aumento dos níveis sanguíneos de Tacrolimo; portanto, os pacientes devem evitar comer toranja ou beber o suco de toranja com Tacrolimo.

Supressores/neutralizadores do suco gástrico

O lansoprazol e omeprazol (CYP2C19, substrato de CYP3A4) tem o potencial de inibir o metabolismo do Tacrolimo mediado por CYP3A4 e, portanto, aumentar consideravelmente as concentrações de Tacrolimo no sangue total, especialmente em pacientes transplantados que são metabolizadores deficientes ou intermediários de CYP2C19, em comparação aos pacientes que metabolizam CYP2C19 de forma eficiente.

A cimetidina também pode inibir o metabolismo do CYP3A4 de Tacrolimo e, assim, aumentar substancialmente as concentrações de Tacrolimo no sangue total.

A co-administração de Tacrolimo com antiácidos à base de magnésio e hidróxido de alumínio aumenta as concentrações sanguíneas de Tacrolimo. Monitoramento das concentrações sanguíneas e ajustes adequados da dose de Tacrolimo são recomendados quando estas drogas são usadas concomitantemente. Em um estudo cruzado de dose única em pacientes sadios com coadministração oral de Tacrolimo e hidróxido de alumínio e magnésio resultou em um aumento de 21% na AUC média do Tacrolimo, e em uma redução de 10% na Cmáx média de Tacrolimo com relação a sua administração oral isolada.

Inibidores de Protease

Reduções significativas da dose de Tacrolimo e o prolongamento do intervalo de administração podem ser necessários quando coadministrado com fortes inibidores de CYP3A4, especialmente telaprevir. O monitoramento atento dos níveis de Tacrolimo no sangue, além do monitoramento do prolongamento do intervalo QT com ECG, função renal e outros efeitos colaterais são fortemente recomendados.

A maioria dos inibidores de protease inibe as enzimas de CYP3A e pode aumentar as concentrações de Tacrolimo no sangue total.

Recomenda-se evitar o uso concomitante de Tacrolimo com nelfinavir, a menos que os benefícios justifiquem os riscos. As concentrações de Tacrolimo no sangue total são acentuadamente elevadas quando há coadministração de telaprevir ou boceprevir. Recomenda-se o monitoramento das concentrações de Tacrolimo no sangue total e das reações adversas associadas ao Tacrolimo, além de ajustes adequados no esquema de dose de Tacrolimo quando Tacrolimo e inibidores de protease (por exemplo, ritonavir, telaprevir, boceprevir) são usados concomitantemente.

Telaprevir

Em um estudo de dose única com 9 voluntários saudáveis, a coadministração de Tacrolimo (dose única de 0,5 mg) com telaprevir (750 mg três vezes por dia por 13 dias) elevou a Cmáx de Tacrolimo normalizado por dose em 9,3 vezes e a AUC em 70 vezes em comparação ao Tacrolimo isolado.

Boceprevir

Em um estudo de dose única com 12 sujeitos de estudo, a coadministração de Tacrolimo (dose única de 0,5 mg) com boceprevir (800 mg três vezes por dia por 11 dias) elevou a Cmáx de Tacrolimo em 9,9 vezes e a AUC em 17 vezes em comparação ao Tacrolimo em monoterapia.

Nelfinavir

Com base em um estudo clínico com 5 receptores de transplante hepático, a coadministração de Tacrolimo e nelfinavir aumentou as concentrações de Tacrolimo no sangue de forma significativa e, como resultado, uma redução de 16 vezes, em média, da dose de Tacrolimo foi necessária para manter as concentrações médias de vale de Tacrolimo de 9,7 ng/mL. Recomenda-se evitar o uso concomitante de Tacrolimo (substância ativa) com nelfinavir, a menos que os benefícios justifiquem os riscos.

Fármacos que podem diminuir a concentração do Tacrolimo no sangue

Anticonvulsivantes

AntimicrobianosFitoterápicos

Outras drogas

Carbamazepina

RifabutinaErva de São João

Sirolimo

Fenobarbital

Caspofungina-

Fenitoína

Fenitoína

Rifampicina-

Carbamazepine

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Fenobarbital

Erva de São João (Hypericum perforatum)

Preparações fitoterápicas contendo Erva de São João (Hypericum perforatum) devem ser evitadas quando administradas com Tacrolimo devido ao risco de interações que levam à diminuição das concentrações sanguíneas de Tacrolimo, reduzindo seu efeito clínico.

Antimicobacterianos
Rifampicina

Em um estudo com 6 voluntários normais observou-se uma significante redução na biodisponibilidade oral de Tacrolimo (de 14 ± 6% para 7 ± 3%) quando administrado concomitantemente com rifampicina (600 mg). Além disso, houve um aumento significante da depuração do Tacrolimo (de 0,036 ± 0,008 L/h/kg para 0,053 ± 0,010 L/h/kg) em administração concomitante com rifampicina.

Sirolimo

Após a administração concomitante de Tacrolimo e sirolimo (2 ou 5 mg/dia) em pacientes receptores de transplante renal estáveis, a AUC0-12 média e a Cmín reduziram em aproximadamente 30% com relação ao Tacrolimo administrado isoladamente. Após a administração concomitante de Tacrolimo e 1 mg/dia de sirolimo, a AUC0-12 média e a Cmín reduziram em aproximadamente 3% e 11%, respectivamente. A segurança e eficácia do uso do Tacrolimo em combinação com o sirolimo para prevenção da rejeição a enxerto não foram estabelecidas, e seu uso não é recomendado.

A segurança e eficácia de Tacrolimo com sirolimo não foi estabelecida em pacientes receptores de transplante renal. Uso de sirolimo com Tacrolimo em estudos de pacientes receptores de transplante de fígado foi associado a um aumento da mortalidade, perda de enxerto e trombose da artéria hepática (TAH), e seu uso não é recomendado.

O uso de sirolimo (2 mg por dia) com Tacrolimo em pacientes receptores de transplante cardíaco em um estudo clínico americano foi associado com o aumento do risco de danos à função renal, complicações na cicatrização de feridas e diabetes mellitus insulino-dependente pós-transplante, e seu uso não é recomendado.

Outras Interações Medicamentosas

Os imunossupressores podem afetar a vacinação. Portanto, durante o tratamento com Tacrolimo, a vacinação pode ser menos eficaz. O uso de vacinas vivas deve ser evitado; vacinas vivas incluem, mas não são limitadas a vacina intranasal contra gripe, sarampo, caxumba, rubéola, poliomielite, BCG, febre amarela, varicela e tifoide TY21a.

Informe a seu paciente que, durante tratamento, o uso de vacinas exige avaliação do profissional de saúde.

Exclusivo Cápsula de liberação prolongada

Álcool

O consumo de álcool com Tacrolimo (substância ativa) pode aumentar a taxa de liberação de Tacrolimo e/ou alterar de forma negativa as propriedades farmacocinéticas, bem como a eficácia e segurança de Tacrolimo (substância ativa). Portanto, bebidas alcoólicas não devem ser consumidas com Tacrolimo (substância ativa).

Pomada

Estudos de interações medicamentosas tópicas convencionais com Tacrolimo pomada foram conduzidos.

Tacrolimo não é metabolizado na pele humana, indicando que não há nenhum potencial para interações percutâneas que possam afetar o metabolismo de Tacrolimo.

O Tacrolimo disponível sistemicamente é metabolizado via citocromo hepático P450 3A4 (CYP3A4).

A exposição sistêmica a partir da aplicação tópica de Tacrolimo pomada é baixa (< 1,0 ng/mL) e não se espera que seja afetada pelo uso concomitante de substâncias desconhecidas que sejam inibidoras de CYP3A4.

Entretanto, a possibilidade de interações não pôde ser determinada e a administração sistêmica concomitante de inibidores da CYP3A4 conhecidos (tais como, eritromicina, itraconazol, cetoconazol e diltiazem) em pacientes com surtos e/ou doença eritrodérmica, deve ser feita com cautela.

Uma interação potencial entre vacinação e aplicação de Tacrolimo (substância ativa) pomada não foi investigada. Devido ao risco potencial de falha na vacinação, a vacina deve ser administrada antes do início do tratamento ou durante um intervalo sem tratamento, com um período de 14 dias entre a última aplicação de Tacrolimo (substância ativa) e a vacina. Em caso de vacina atenuada, este período deve ser de 28 dias, ou o uso de uma terapia alternativa deve ser considerado.

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