Quais cuidados devo ter ao usar o Fragmin?
Anestesia raquidiana ou epidural
Antes de usar Fragmin é preciso saber que quando é realizada a anestesia neuraxial (epidural/raquidiana) ou punção espinhal, os pacientes anticoagulados (com capacidade de coagulação do sangue diminuída) ou programados para serem anticoagulados para prevenção de complicações tromboembólicas, constituem grupo de risco para desenvolvimento de hematoma epidural ou espinhal (acúmulo de sangue no espaço entre a meninge e a medula espinhal e na medula espinhal), que pode resultar em paralisia permanente ou de longo prazo. O risco destes eventos é aumentado pelo uso de cateteres localizados no espaço epidural para administração de analgésicos ou pelo uso concomitante (ao mesmo tempo) de medicamentos que afetam a hemostasia (coagulação), como os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), inibidores plaquetários ou outros anticoagulantes. Punções espinhais ou epidurais, repetidas ou traumáticas, também parecem aumentar esse risco. Os pacientes devem ser monitorados frequentemente para sinais e sintomas de dano neurológico. Em caso de comprometimento neurológico, é necessário tratamento urgente (descompressão da medula espinhal).
Risco de hemorragia
Fragmin deve ser utilizado com cautela em pacientes com potencial elevado de risco de hemorragia, como em pacientes com trombocitopenia, disfunções plaquetárias, insuficiência hepática (do fígado) ou renal (dos rins) grave, hipertensão (pressão alta) não controlada, ou retinopatia (doença do fundo do olho) hipertensiva (causada por pressão alta) ou diabética. Altas doses de Fragmin devem ser usadas com cautela em pacientes recémoperados.
Trombocitopenia
É recomendada a contagem de plaquetas antes de iniciar o tratamento com Fragmin, e que esta seja regularmente acompanhada durante o tratamento. Caso a trombocitopenia se desenvolva rapidamente ou a um grau significativo (< 100.000 plaquetas/mcL ou mm3), é recomendado teste in vitro (em laboratório) para anticorpos antiplaquetários na presença de heparinas ou heparinas de baixo peso molecular (HBPMs). Se o resultado do teste for positivo ou inconclusivo, ou se este teste não for realizado, o tratamento com Fragmin deve ser interrompido.
Níveis de monitorização de anti-Xa (substância com o efeito anticoagulante)
Geralmente, não é necessária a monitorização do efeito anticoagulante de Fragmin, mas deve ser considerada em populações específicas de pacientes, como crianças, pacientes com insuficiência renal, pacientes muito magros ou com obesidade mórbida, gestantes ou pacientes sob risco aumentado de sangramento ou recorrência de trombose.
Hipercalemia (concentração de potássio no sangue aumentada)
A heparina e a heparina de baixo peso molecular (HBPM) podem suprimir a secreção do hormônio aldosterona liberado pela glândula adrenal levando à hipercalemia (quantidade de potássio no sangue aumentada), particularmente em pacientes com diabetes mellitus, insuficiência renal (perda da função dos rins.) crônica, acidose metabólica pré-existente (distúrbio do pH do sangue), concentração de potássio no sangue aumentada ou sob tratamento com medicamentos poupadores de potássio. Deve-se medir a concentração de potássio no sangue em pacientes de risco.
Intercambialidade (troca) com outros anticoagulantes
Fragmin não pode ser substituído e nem substituir a heparina não fracionada, outras heparinas de baixo peso molecular (HBPMs), ou polissacarídeos sintéticos (tipos de anticoagulantes). Cada um desses medicamentos é único e tem suas próprias instruções de uso.
As heparinas de baixo peso molecular (HBPMs) têm características e posologias diferentes. As instruções de uso para cada produto específico devem ser seguidas rigorosamente.
Se, apesar da profilaxia (prevenção) com Fragmin, ocorrer um evento tromboembólico, deve-se descontinuar a profilaxia e instituir terapia adequada.
O médico deve considerar o benefício potencial versus o risco antes da intervenção neuraxial em pacientes anticoagulados.
Pode ocorrer trombocitopenia induzida pela heparina durante a administração de Fragmin. A trombocitopenia de qualquer grau deve ser monitorada pelo médico.
Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)