Qual a ação da substância do Feiba?
Resultados de Eficácia
O estudo FENOC (Complexo Protrombínico parcialmente ativado NovoSeven Comparison) prospectivo, randomizado, multicêntrico (N=66) comparou a eficácia hemostática de uma dose de Complexo Protrombínico parcialmente ativado à 2 doses de fator VII ativado recombinante (rFVIIa) em pacientes com hemofilia com inibidores (>5 BU).
Sangramentos pós-traumáticos ou sangramentos espontâneos principalmente no tornozelo, joelho ou cotovelo foram avaliados. O efeito hemostático foi avaliado 2, 6, 12, 24, 36 e 49 horas após o tratamento. Quarenta e oito pacientes completaram ambos os tratamentos e foram avaliados quanto a eficácia. 6 horas após o tratamento, 80,9% dos pacientes tratados com Complexo Protrombínico parcialmente ativado e 78,7% dos pacientes tratados com rFVIIa foram eficazes.
Vários estudos tem investigado a eficácia de Complexo Protrombínico parcialmente ativado em hemorragias de mucosa e na articulação. No estudo do Sjamsoedin (1981) (2) uma dose única de Complexo Protrombínico parcialmente ativado foi eficaz no estancamento de episódios de hemorragia em 64% dos casos. Dois estudos prospectivos de Hilgartner et al (1983 (3) e 1990 (4)) mostraram que Complexo Protrombínico parcialmente ativado foi altamente eficaz no controle da hemorragia em 93% e 88% dos pacientes, respectivamente. Na análise retrospectiva de dados franceses (Negrier et al, 1997) (5) em 60 pacientes Complexo Protrombínico parcialmente ativado foi considerado como excelente, em 81,3% dos casos, a eficácia nos sangramentos articulares foi de 81,9% após somente uma ou duas infusões.
A eficácia de Complexo Protrombínico parcialmente ativado foi mostrada em estudos prospectivos e retrospectivos em uma variedade de formas de tratamento. Gomperts et al (2004) (6) apresentou dados de eficácia em diferentes tratamentos – tratamento domiciliar (82%), pacientes não cirúrgicos internados (80%), profilaxia (70%) e cirurgia (90%).
Características Farmacológicas
Propriedades farmacodinâmicas
Embora o Complexo Protrombínico parcialmente ativado tenha sido desenvolvido no início da década de 70 e a sua atividade bypass de inibidores de fator VIII foi comprovada in vitro, bem como in vivo, o seu modo de ação é ainda objeto de debate científico. Complexo Protrombínico parcialmente ativado, como encontrado com os ensaios de atividade, é composto por zimogênios de complexo protrombínico, que são tanto pró-coagulante (protrombina FVII, FIX, FX) e anticoagulante (proteína C) em quantidades relativamente iguais à unidade de potência de Complexo Protrombínico parcialmente ativado arbitrária, mas o seu teor de enzima pró-coagulante é relativamente baixo.
Desta forma, Complexo Protrombínico parcialmente ativado contém as proenzimas dos fatores do complexo protrombínico, mas apenas uma quantidade pequena dos seus produtos de ativação, sendo o conteúdo de FVIIa o mais elevado.
Trabalhos científicos atuais apontam o desempenho de componentes específicos do complexo protrombínico ativado, protrombina (FII) e fator X ativado (FXa) no modo de ação do Complexo Protrombínico parcialmente ativado.
Complexo Protrombínico parcialmente ativado controla a hemorragia por indução e facilitação da geração de trombina, um processo pelo qual a formação do complexo protrombinase é crucial. Estudos bioquímicos in vitro e in vivo mostraram que o FXa e a protrombina desempenham um papel crítico na atividade de Complexo Protrombínico parcialmente ativado. O complexo de protrombinase foi caracterizado como um importante alvo para Complexo Protrombínico parcialmente ativado. Além da protrombina e do FXa, Complexo Protrombínico parcialmente ativado contém outras proteínas do complexo protombínico, o que também pode facilitar a hemostasia em pacientes hemofílicos com inibidores.
Tratamento em pacientes hemofílicos B com inibidores
A experiência em pacientes hemofílicos B com inibidores do fator IX é limitada devido à raridade da doença. Cinco pacientes hemofílicos B com inibidores foram tratados com Complexo Protrombínico parcialmente ativado durante os ensaios clínicos sob demanda, profilaticamente ou para intervenções cirúrgicas:
Em um estudo clínico prospectivo, aberto, randomizado, paralelo, em pacientes com hemofilia A ou B com inibidores de alta titulação persistentes (090701, PROOF), 36 pacientes foram randomizados para 12 meses ± 14 dias de terapia profilática ou sob demanda. Os 17 pacientes, que estavam em tratamento de profilaxia, receberam 85 ± 15 U/kg de Complexo Protrombínico parcialmente ativado administrada a cada dois dias e, os 19 pacientes, que estavam em tratamento sob demanda, foram tratados individualmente pelo médico.
Dois pacientes hemofílicos B com inibidores foram tratados sob demanda e um paciente hemofílico B foi tratado sob regime profilático.
A mediana da taxa anual de sangramentos (ABR) para todos os tipos de episódios hemorrágicos em pacientes sob regime profilático (mediana ABR = 7,9) foi menor do que a de pacientes no regime sob demanda (mediana ABR = 28,7), o que equivale a 72,5% de redução nos ABRs medianos entre os grupos de tratamento.
Em outro estudo completo de vigilância, prospectivo, não intervencional, sobre a utilização perioperatória de Complexo Protrombínico parcialmente ativado (PASS-INT-003, SURF), um total de 34 procedimentos cirúrgicos foram realizados em 23 pacientes.
A maioria dos pacientes (18) eram hemofílicos A congênitos com inibidores, dois eram pacientes com hemofilia B com inibidores e três eram pacientes com hemofilia A adquirida com inibidores. A duração da exposição a Complexo Protrombínico parcialmente ativado variou de 1 a 28 dias, com uma média de 9 dias e uma mediana de 8 dias.
A dose média acumulada foi de 88,347 U e a dose mediana foi de 59,000 U. Para os pacientes com hemofilia B com inibidores, o maior período de exposição ao Complexo Protrombínico parcialmente ativado foi de 21 dias e a dose máxima aplicada foi de 7324 U.
Além disso, estão disponíveis 36 relatos em que Complexo Protrombínico parcialmente ativado foi utilizado para o tratamento e prevenção de episódios de sangramento em pacientes com hemofilia B com inibidores ao fator IX (24 pacientes com hemofilia B com inibidores foram tratados sob demanda, 4 pacientes com hemofilia B com inibidores foram tratados profilaticamente e 8 pacientes com hemofilia B com inibidores foram tratados durante procedimentos cirúrgicos).
Há também relatos isolados sobre o uso de Complexo Protrombínico parcialmente ativado no tratamento de pacientes com inibidores adquiridos aos fatores X, XI e XIII.
Propriedades farmacocinéticas
Como o modo de ação do Complexo Protrombínico parcialmente ativado ainda está sendo discutido, não é possível fazer uma afirmação conclusiva sobre as propriedades farmacocinéticas.
Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)