Como o Captopril Prati-Donaduzzi age no organismo?
Resultados de Eficácia
O tratamento com captopril melhorou a sobrevida a longo prazo e os resultados clínicos comparado ao placebo no estudo SAVE (sobrevivência e alargamento ventricular), com 2.231 pacientes com infarto do miocárdio.
O estudo multicêntrico, randomizado, duplo-cego, controlado por placebo envolveu pacientes (21-79 anos) com problemas no ventrículo esquerdo do coração (fração de ejeção ≤ 40%) sem manifestação de insuficiência cardíaca.
Especificamente, o captopril reduziu:
- Todas as causas de morte (redução do risco em 19%, p = 0,022);
- A incidência de morte cardiovascular (redução do risco em 21%, p= 0,017);
- Casos de insuficiência cardíaca, onde é preciso começar ou aumentar digitálicos e diuréticos (redução do risco em 19%, p = 0,008) ou da terapia com inibidores da ECA (redução do risco em 35%, p < 0,001);
- Casos de hospitalização por insuficiência cardíaca (redução do risco em 20%, p = 0,034);
- Casos de infarto do miocárdio recorrente (redução do risco em 25%, p = 0,011);
- A necessidade de procedimentos para desobstruir as artérias do coração (redução do risco em 24%, p = 0,014).
Os efeitos cardioprotetores de captopril observados em subgrupos foram consistentes. O captopril melhorou a sobrevida e os resultados clínicos, mesmo quando adicionado a outras terapias pós-infarto do miocárdio, como trombolíticos, beta-bloqueadores ou aspirina.
Os prováveis mecanismos incluem a atenuação do alargamento progressivo e da piora da função do ventrículo esquerdo e a inibição da ativação neuro-humoral.
Os efeitos do tratamento com captopril sobre a manutenção da função renal são adicionais a qualquer benefício alcançado a partir da redução da pressão arterial.
Em pacientes com diabetes e microalbuminúria, o captopril reduziu a taxa de excreção da albumina e atenuou o declínio da taxa de filtração gromerular durante 2 anos de tratamento.
Referências Bibliográficas
1.Pfeffer M, Braunwald E, Moye L, et al. Effect of captopril on mortality and morbidity in patients with Left ventricular dysfunction after myocardial infarction. N Engl J Med 327:669-677, 1992.
2. B-MS DATA PACKAGE: SAVE Trial (1992).
3. Lewis E, Hunsicker L, Bain R, et al. A clinical trial of an angiotensin converting enzyme inhibitor in the nephropathy of insulin-dependent diabetes mellitus. Submitted for publication. N Engl J Med 1993.
4. B-MS DATA PACKAGE: Abridge Marketing Authorization Application (MAA) - Diabetic Nephropathy.
Características Farmacológicas
Mecanismo de Ação
Os efeitos benéficos do captopril na hipertensão e na insuficiência cardíaca resultam principalmente do bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona, levando a níveis mais baixos no sangue de angiotensina II e aldosterona. A redução da angiotensina II leva a menos produção de aldosterona, podendo ocorrer pequenos aumentos de potássio no sangue junto com perda de sódio e fluidos.
A enzima conversora de angiotensina (ECA) é idêntica à bradicininase e o captopril também pode interferir na degradação da bradicinina, provocando aumentos das concentrações de bradicinina ou de prostaglandina E2.
Farmacocinética
O captopril é absorvido rápido pela boca; os níveis mais altos no sangue acontecem em cerca de 1 hora. Em média, cerca de 75% é absorvido. A presença de alimento no trato gastrintestinal reduz a absorção em 30-40%. Cerca de 25-30% do remédio circulante se liga a proteínas do plasma. A meia-vida no sangue é provavelmente menor que 3 horas.
Mais de 95% da dose absorvida é eliminada pela urina: 40-50% como remédio inalterado e o resto como metabólitos (dímero dissulfeto do captopril e dissulfeto captopril-cisteína). Problemas nos rins podem causar acúmulo do remédio.
Estudos em animais indicam que o captopril não atravessa a barreira hematoencefálica significativamente.
Farmacodinâmica
A maior queda da pressão arterial geralmente acontece 60 a 90 minutos depois de tomar uma dose de captopril. A duração do efeito depende da dose. A redução da pressão arterial pode ser gradual; por isso, para ter o efeito máximo, pode ser necessário tratamento por várias semanas. Os efeitos de baixar a pressão do captopril e dos diuréticos tiazídicos se somam.
A pressão arterial baixa igualmente quando em pé ou deitado. Queda de pressão ao levantar e coração acelerado não são comuns, mas podem acontecer em pacientes com pouco líquido no corpo. Não foi observado aumento repentino da pressão arterial depois de parar de tomar captopril de repente.
Em pacientes com insuficiência cardíaca, demonstrou-se reduções significativas da resistência vascular periférica e da pressão arterial, redução da pressão capilar pulmonar, aumento do débito cardíaco e do tempo de tolerância ao exercício. Estes efeitos ocorrem após a primeira dose e persistem durante o tratamento.
Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)