Cuidados ao usar o Camptosar
Administração
Camptosar® deve ser usado sob supervisão médica especializada em quimioterapia para câncer.
O uso de Camptosar® nas situações abaixo deve ser avaliado considerando riscos e benefícios:
- Pacientes com fatores de risco (principalmente com estado geral comprometido).
- Casos raros que exigem tratamento imediato e prolongado contra diarreia combinado com alta ingestão de líquidos. Recomenda-se supervisão hospitalar.
Sintomas colinérgicos
Podem ocorrer sintomas como coriza, salivação aumentada, pupilas pequenas, lacrimejamento, suor excessivo, vermelhidão, batimentos cardíacos lentos e cólicas com diarreia nas primeiras horas após a aplicação. Esses sintomas podem surgir durante ou logo após a infusão, principalmente com doses mais altas. Em pacientes com esses sintomas, pode-se considerar o uso de atropina.
Vazamento
Embora Camptosar® não seja irritante para as veias, deve-se evitar vazamento e observar o local da aplicação por sinais de inflamação. Se ocorrer vazamento, recomenda-se lavar o local e aplicar gelo.
Problemas no fígado
Em estudos, menos de 10% dos pacientes tiveram alterações nos testes de função hepática. Isso geralmente ocorre em pacientes com metástases no fígado.
Problemas no sangue
Camptosar® frequentemente causa redução de células de defesa e anemia. Deve ser evitado em pacientes com grave insuficiência da medula óssea. Queda grave de plaquetas é rara. A redução de neutrófilos foi maior em pacientes que fizeram radioterapia.
Febre com redução de neutrófilos ocorreu em menos de 10% dos pacientes. Mortes por infecção generalizada após redução grave de neutrófilos foram relatadas. O tratamento deve ser interrompido temporariamente se ocorrer febre com redução de neutrófilos ou se a contagem for abaixo de 1000/mm³.
Pacientes com atividade reduzida de UGT1A1
Pacientes com síndrome de Crigler-Najjar ou síndrome de Gilbert têm maior risco de toxicidade no sangue após doses moderadas/altas de Camptosar®.
Em pacientes com síndrome de Gilbert deve ser administrada a dose inicial normal. Entretanto, estes pacientes devem ser monitorados quanto a toxicidade no sangue. Dose reduzida deve ser considerada se já tiveram toxicidade no sangue anteriormente.
Reações alérgicas
Foram relatadas reações alérgicas, inclusive reações graves.
Efeitos imunossupressores/Risco de infecções
Vacinas com microrganismos vivos ou atenuados em pacientes com imunidade baixa podem causar infecções graves. Vacinas vivas devem ser evitadas durante o tratamento com Camptosar®. Vacinas inativadas podem ser aplicadas, mas a resposta pode ser menor.
Diarreia tardia
Diarreia que ocorre mais de 8 horas após a aplicação pode ser prolongada, levando a desidratação, desequilíbrio de sais minerais ou infecção generalizada, podendo ser fatal. Geralmente surge após 5-11 dias da aplicação. Feridas no intestino grosso podem ocorrer.
Se ocorrer diarreia, avise o médico. A diarreia tardia deve ser tratada com loperamida logo após as primeiras fezes amolecidas. Em caso de desidratação, repor líquidos e sais minerais. Se houver parada dos movimentos intestinais, febre ou redução grave de neutrófilos, usar antibióticos.
Hospitalização é recomendada para diarreia nos casos:
- Diarreia com febre;
- Diarreia grave (precisa de soro na veia);
- Vômito com diarreia tardia;
- Diarreia persistindo após 48 horas de loperamida.
Após o primeiro ciclo, novos ciclos só devem começar quando o funcionamento intestinal voltar ao normal por pelo menos 24 horas sem remédio para diarreia. Se ocorrer diarreia grave, interrompa Camptosar® e retome com dose reduzida após recuperação.
Doença inflamatória crônica e/ou obstrução intestinal
Pacientes com obstrução intestinal não devem usar Camptosar®.
Náuseas e vômitos
Camptosar® pode causar náuseas e vômitos intensos, geralmente durante ou logo após a aplicação. Recomenda-se usar remédios contra náuseas pelo menos 30 minutos antes da infusão. Pacientes com vômito e diarreia tardia devem ser hospitalizados.
Problemas neurológicos
Tontura pode ocorrer e pode ser sinal de queda de pressão em pacientes desidratados.
Problemas nos rins
Aumento de creatinina ou ureia pode ocorrer. Houve casos de insuficiência renal aguda, geralmente por complicações infecciosas ou desidratação por náuseas, vômitos ou diarreia. Raros casos de problemas renais por destruição de células tumorais.
Problemas respiratórios
Falta de ar pode ocorrer. Em estudos iniciais, poucos pacientes tiveram problemas pulmonares graves. Doença pulmonar intersticial é rara durante o tratamento.
Fatores de risco para problemas pulmonares:
Doenças pulmonares anteriores, uso de remédios tóxicos para pulmões, radioterapia e uso de fatores de crescimento. Pacientes com esses fatores devem ser monitorados.
Outros cuidados
Como contém sorbitol, não é recomendado para pacientes com intolerância hereditária à frutose.
Uso na gravidez
Não existem estudos adequados em grávidas. Camptosar® causa malformações em animais. Pode causar danos ao feto.
Mulheres em idade fértil devem fazer teste de gravidez antes de usar. Evite gravidez durante o tratamento.
Mulheres devem usar métodos contraceptivos eficazes durante e por 6 meses após o tratamento. Homens devem usar métodos contraceptivos durante e por 3 meses após o tratamento.
Não use este remédio na gravidez sem orientação médica.
Informe imediatamente seu médico em caso de suspeita de gravidez.
Uso na amamentação
O efeito em bebês é desconhecido. Devido ao risco de reações adversas graves, não amamente durante o tratamento. Em animais, o remédio passa para o leite.
Dirigir e operar máquinas
Camptosar® pode causar tontura ou problemas de visão nas primeiras 24 horas. Não dirija ou opere máquinas se tiver esses sintomas.
Atenção: Este remédio contém Açúcar, portanto, deve ser usado com cuidado em diabéticos.
Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)