Ação da Substância - Bilargos

Bula Bilargos

Princípio ativo: Bilastina

Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)

Como Bilargos funciona?

Resultados de eficácia


Em estudos realizados em adultos e adolescentes com rinite alérgica (sazonal e perene), Bilastina 20 mg administrada uma vez ao dia por 14-28 dias foi eficaz no alívio de sintomas como espirros, coriza, coceira nasal, nariz entupido, coceira nos olhos, lacrimejamento e vermelhidão ocular 1,2,3. Bilastina controlou eficazmente os sintomas por 24 horas 4. Em um estudo em pacientes adultos (12-70 anos) com rinite alérgica intermitente, o tratamento de duas semanas com Bilastina 20 mg reduziu significativamente o escore total de sintomas em relação a placebo (98,4 com Bilastina vs 118,4 com placebo; P<0,001). Foi ainda mais eficaz que placebo na melhora dos escores de sintomas nasais, sintomas não-nasais e desconforto associado à rinite (P<0,05), bem como na qualidade de vida relacionada à rinoconjuntivite (P<0,005)1. Em outro estudo, a média do escore total de sintomas foi reduzida de forma significativa nos pacientes tratados com Bilastina em comparação com placebo (76,5, 100,6; P<0,001)2. O potencial de melhora dos sintomas da rinite alérgica com Bilastina foi avaliado em câmara de provocação alergênica em dois dias consecutivos. Bilastina teve início de ação rápido, dentro de uma hora, com duração de pelo menos 26 horas (P<0,001 em relação a placebo).4

Em dois estudos em pacientes com urticária crônica, Bilastina 20 mg administrada uma vez ao dia por 28 dias foi eficaz no alívio da intensidade da coceira, número e tamanho de lesões vermelhas, bem como no desconforto dos pacientes. Pacientes melhoraram o sono e qualidade de vida5. A redução média do escore total de sintomas foi significativamente melhor que placebo (P<0,001). Os pacientes melhoraram seu desconforto geral, sono e qualidade de vida (P<0,001).5

Não se observou alteração clinicamente relevante no intervalo QTc ou qualquer outro efeito cardiovascular nos estudos com Bilastina, mesmo com doses altas (200 mg ao dia) por 7 dias ou quando usada com inibidores da glicoproteína P, como cetoconazol e eritromicina6. Além disso, um estudo específico sobre o intervalo QT em 30 voluntários não relatou alterações relevantes.7

Em estudos com a dose recomendada de 20 mg uma vez ao dia, o perfil de segurança no Sistema Nervoso Central de Bilastina foi similar ao placebo e a incidência de sonolência não foi diferente da observada com placebo. Bilastina em doses de até 40 mg uma vez ao dia não afetou o desempenho psicomotor nem a capacidade de dirigir8,9. Pacientes idosos (≥ 65 anos) incluídos nos estudos não apresentaram diferença na eficácia ou segurança em relação aos mais jovens10. Um estudo após aprovação em 146 pacientes idosos não mostrou diferenças no perfil de segurança.11

Adolescentes (12 anos a 17 anos) foram incluídos nos estudos; 128 adolescentes receberam Bilastina. Nenhuma diferença na eficácia e segurança foi observada entre adultos e adolescentes.12

De modo geral, o perfil de segurança da Bilastina 20 mg foi comparável ao do placebo e melhor que o da cetirizina. 13

Referências bibliográficas

1 - Bachert C, Kuna P, Sanquer F, Ivan P, Dimitrov V, Gorina MM, van de Heyning P, Loureiro A. Comparison of the efficacy and safety of bilastine 20 mg vs desloratadine 5 mg in seasonal allergic rhinitis patients. Allergy. 2009;64(1):158-65.
2 - Kuna P, Bachert C, Nowacki Z, van Cauwenberge P, Agache I, Fouquert L, Roger A, Sologuren A, Valiente R; Bilastine International Working Group. Efficacy and safety of bilastine 20 mg compared with cetirizine 10 mg and placebo for the symptomatic treatment of seasonal allergic rhinitis: a randomized, double-blind, parallel-group study. Clin Exp Allergy. 2009;39(9):1338-47.
3 - Sastre J, Mullol J, Valero A, Valiente R; on behalf of Bilastine Study Group. Efficacy and safety of bilastine 20 mg compared with cetirizine 10 mg and placebo in the treatment of perennial allergic rhinitis. Curr Med Res Opin. 2012;28(1):121-130.
4 - Horak F, et al. The effects of bilastine compared with cetirizine, fexofenadine, and placebo on allergen-induced nasal and ocular symptoms in patients exposed to aeroallergen in the Vienna Challenge Chamber. Inflamm Res. 2010; 59(5): 391-8.
5 - Zuberbier T, Oanta A, Bogacka E, Medina I, Wesel F, Uhl P, Antepara I, Jauregui I, Valiente R; The Bilastine International Working Group*. Comparison of the efficacy and safety of bilastine 20 mg vs levocetirizine 5 mg for the treatment of chronic idiopathic urticaria: a multi-centre, double-blind, randomized, placebo controlled study. Allergy. 2010;65(4):516-528.
6 - Crean C, Sologuren A, Valiente R, McLaverty D. The drug-drug interaction of ketoconazole on Bilastina pharmacokinetics. 8th Congress of the European Association of Clinical Pharmacology and Therapeutics. Amsterdam (The Netherlands) Aug. 29-Sep. 1, 2007. Abstract P253. Basic Clin Pharmacol Toxicol. 2007;101(Suppl 1):148-9[Abstract].
7 - Tyl B, Kabbaj M, Azzam S, Sologuren A, Valiente R, Reinbolt E, Roupe K, Blanco N, Wheeler W. Lack of Significant Effect of Bilastine Administered at Therapeutic and Supratherapeutic Doses and Concomitantly With Ketoconazole on Ventricular Repolarization: Results of a Thorough QT Study (TQTS) With QTConcentration Analysis. J Clin Pharmacol. 2012;52(6):893-903.

8 - Garcia-Gea C, Martinez-Colomer J, Antonijoan RM, Valiente R, Barbanoj MJ. Comparison of peripheral and central effects of single and repeated oral dose administrations of bilastine, a new H1 antihistamine: a dose-range study in healthy volunteers with hydroxyzine and placebo as control treatments. J Clin Psychopharmacol. 2008;28(6):675-85.
9 - Conen S, Theunissen EL, Van Oers AC, Valiente R, Ramaekers JG. Acute and subchronic effects of bilastine (20 and 40 mg) and hydroxyzine (50 mg) on actual driving performance in healthy volunteers. J Psychopharmacol. 2011;25(11):1517-23.
10 - Sologuren A, Vinas R, Cordon E, Elisabeth S, Fores MM, Senan MR. [Postmarketing study to assess the safety profile of bilastine 20 mg in elderly patients with rhinoconjunctivitis and/or urticaria] Simposio Internacional Sociedad espanola de alergologia e inmunologia clinica (SEAIC), Sevilla (Spain), October 22-24, 2015. J Investig Allergol Clin Immunol. 2015;25(Suppl. 1):65[Abstract].
11 - Clinical Study FAE-BIL-2012-02 in Module 5.3.5 Reports of Efficacy and Safety Studies: Post-authorization study to assess the safety profile of Bilastine 20 mg in patients ≥65 years old; 2014

13 - Church MK. Safety and efficacy of bilastine: a new H(1)-antihistamine for the treatment of allergic rhinoconjunctivitis and urticaria. Expert Opin Drug Saf. 2011; 10(5): 779-93.

Características do medicamento


Como age no corpo

Grupo farmacoterapêutico: Anti-histamínicos para uso sistêmico; Código ATC: RO6AX29.

Bilastina é um antialérgico não sedativo, de longa ação, com alta afinidade e seletividade para receptores H1 periféricos, sem afinidade para receptores muscarínicos. Não causa sonolência nem efeitos cardíacos relevantes e não é processada pelo fígado. Estudos comprovaram sua atividade anti-histamínica e antialérgica, além de propriedades anti-inflamatórias. Bilastina inibiu reações cutâneas de edema e vermelhidão por 24 horas após doses únicas.

A potência da Bilastina foi 5,5 vezes maior que a cetirizina em estudos laboratoriais, e variou de equivalente a 11 vezes mais potente em estudos em humanos; é mais potente que fexofenadina.

Estudos confirmaram que Bilastina não se acumula no Sistema Nervoso Central.

O início de ação ocorre dentro de uma hora após a primeira dose, com inibição significativa de reações cutâneas já aos 30 minutos.

A duração da ação é de pelo menos 26 horas sem acúmulo.

Como o corpo processa o medicamento

Absorção

Após administração oral, Bilastina é absorvida rapidamente, de forma linear e proporcional à dose, atingindo níveis máximos no sangue em cerca de 1,3 horas. Nenhum acúmulo foi observado. A absorção média foi de 61%. Os valores de concentração máxima e área sob a curva são semelhantes após doses únicas e múltiplas. O principal componente detectado em amostras de plasma foi Bilastina. Estudos demonstraram que Bilastina é altamente permeável e transportada pela glicoproteína-P.

Disponibilidade no organismo

A absorção sistêmica foi determinada em animais, mas a fração absorvida em humanos é desconhecida. Como não há metabolismo, considera-se a disponibilidade teórica como ≥40%.

Distribuição

A farmacocinética segue um modelo de dois compartimentos. A ligação de Bilastina às proteínas do sangue é de 84-90%. O volume de distribuição central aparente foi de 59,2 L e o periférico de 30,2 L.

Estudos demonstraram que Bilastina é transportada por glicoproteína-P e OATP. Bilastina não parece ser transportada por BCRP ou transportadores renais OCT2, OAT1 e OAT3.

Com base em estudos, não se espera que Bilastina iniba significativamente os seguintes transportadores:
  • Glicoproteína-P, MRP2, BCRP, BSEP, OATP1B1, OATP1B3, OATP2B1, OAT1, OAT3, OCT1, OCT2 e NTCP, pois apenas inibição leve foi detectada para glicoproteína-P, OATP2B1 e OCT1, com concentrações muito acima das clínicas. Entretanto, a inibição de transportadores na mucosa intestinal não pode ser totalmente descartada.

Como é processado

Bilastina não é significativamente processada (metabolizada) em humanos. Após administração, o principal componente detectado foi Bilastina inalterada na urina (28,31%) e fezes (66,53%). Um estudo mostrou ausência de metabolismo intestinal. Estudos confirmaram que Bilastina não induz nem inibe enzimas CYP450 e tem apenas metabolismo mínimo.

Como é eliminado

Bilastina tem meia-vida média de 14,5 h, eliminação renal de 8 L/h e eliminação total de 18,1 L/h. A eliminação total não foi afetada pelo aumento da dose.

Após dose de 20 mg, quase 95% foi recuperada na urina (28,3%) e fezes (66,5%) como Bilastina inalterada, confirmando que não é significativamente metabolizada.

A eliminação ocorreu principalmente pelas fezes (67,0%), com 64,8% eliminada em 72 horas. A eliminação pela urina representou 33,1%. A dose foi praticamente totalmente recuperada em 168 horas.

Idade e gênero

Não foi demonstrado efeito de idade ou gênero na farmacocinética de Bilastina.

Idosos

Dados limitados em pacientes acima de 65 anos não mostraram diferenças estatísticas em relação a adultos jovens.

População pediátrica

Não há dados farmacocinéticos em adolescentes (12-17 anos), mas a extrapolação de dados de adultos foi considerada adequada.

Interação

Bilastina não induz atividade de enzimas CYP450 (CYP2B6, CYP2A6, CYP2C8, CYP2C19, CYP3A4, CYP1A2, CYP2C9 e CYP2E1).

Alimentos e sucos de frutas interferem na eficácia. Por isso, deve ser administrada uma hora antes ou duas horas depois de comer.

Insuficiência renal e hepática

Estudos mostraram não ser necessário ajuste de dose em pacientes com problemas nos rins ou fígado.

Insuficiência renal

Em pessoas com problemas nos rins, a exposição à Bilastina aumentou proporcionalmente à gravidade. Essas alterações não são consideradas clinicamente relevantes para a segurança, pois os níveis permanecem dentro da faixa segura.

Insuficiência hepática

Não há dados em pessoas com problemas no fígado. Como Bilastina não é metabolizada e sua eliminação principal é renal, não se espera que problemas hepáticos afetem significativamente sua farmacocinética.

Estudos em animais

Dados pré-clínicos não revelaram riscos especiais para humanos em estudos de segurança, toxicidade, genotoxicidade e potencial cancerígeno. Em toxicidade aguda, não foram observados efeitos tóxicos em doses altas. Estudos de mutagenicidade/genotoxicidade e carcinogenicidade concluíram que Bilastina não tem potencial mutagênico ou genotóxico.

Em estudos reprodutivos, efeitos no feto foram observados apenas com doses tóxicas para a mãe. Os níveis seguros em animais são muito superiores aos humanos. Em estudo de lactação, Bilastina foi detectada no leite de ratas. Sua relevância em humanos é desconhecida. Em estudo de fertilidade, Bilastina não induziu efeitos nos órgãos reprodutivos nem na fertilidade. Estudos mostraram que Bilastina não se acumula no Sistema Nervoso Central.

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