Qual a ação da substância do Valerato de Betametasona + Sulfato de Neomicina EMS?
Resultados de Eficácia
Pomada
Estudo restropectivo com 364 pacientes sob tratamento de eczemas infectados por Staphylococcus aureus observou-se eficácia bacteriológica em 86% dos casos com a combinação valerato de betametasona + sulfato de neomicina creme e em 89,6% com valerato de betametasona + ácido fusídico creme. Não houve diferença estatisticamente significativa em relação à eficácia bacteriológica entre os dois tratamentos (p=0,74).1
Em um estudo clínico randomizado e duplo-cego, 12 pacientes do sexo masculino e 10 pacientes do sexo feminino e com idade entre 27-78 anos, utilizaram valerato de betametasona (0,1%) e 10 pacientes do sexo masculino e 11 do sexo feminino e com idade entre 19-91 anos, utilizaram valerato de betametasona (0,1%) + sulfato de neomicina (0,5%) para o tratamento da otite externa. A melhora do escore de sintomas dos pacientes com otite externa ocorreu em 82,8% dos que utilizaram a combinação valerato de betametasona + sulfato de neomicina, em comparação aos tratados apenas com valerato de betametasona (47,8% de alteração no escore de sintomas).2
Referências Bibliográficas
1. MENDAY, AP. et al. Topical betamethasone/fusidic acid in eczema: efficacy against and emergence of resistance in Staphylococcus aureus. Journal of Dermatological Treatment, 11: 143-149, 2000.
2. ABELARDO, E. et al. A double blind randomized clinical trial of the treatment of otitis externa using topical steroids alone versus topical steroids-antibiotic therapy. Eur Arch Otorhinolaryngol, 266: 41-45, 2009.
Creme
Estudo restropectivo com 364 pacientes sob tratamento de eczemas infectados por Staphylococcus aureus observou-se eficácia bacteriológica em 86% dos casos com a combinação valerato de betametasona + sulfato de neomicina creme e em 89,6% com valerato de betametasona + ácido fusídico creme. Não houve diferença estatisticamente significativa em relação à eficácia bacteriológica entre os dois tratamentos (p=0,74).1
Em um estudo clínico randomizado e duplo-cego, 12 pacientes do sexo masculino e 10 pacientes do sexo feminino e com idade entre 27-78 anos, utilizaram valerato de betametasona (0,1%) e 10 pacientes do sexo masculino e 11 do sexo feminino e com idade entre 19-91 anos, utilizaram valerato de betametasona (0,1%) + sulfato de neomicina (0,5%) para o tratamento da otite externa. A melhora do escore de sintomas dos pacientes com otite externa ocorreu em 82,8% dos que utilizaram a combinação valerato de betametasona + sulfato de neomicina, em comparação aos tratados apenas com valerato de betametasona (47,8% de alteração no escore de sintomas).2
Estudo clínico randomizado, duplo-cego, comparou a eficácia da combinação de ácido fusídico (2%) + betametasona (0,1%) creme com a combinação de neomicina (0,5%) + betametasona (0,1%) creme em um total de 65 pacientes com dermatoses inflamatórias infectadas (como dermatite de contato, eczema numular, dermatite seborreica, dermatite atópica, picada de inseto, líquen simples, neurodermatoses, prurido mitis e intertrigo) por um período de uma a duas semanas. 32 pacientes, sendo 14 indivíduos do sexo masculino e 18 do sexo feminino e com idade entre 4-66 anos, foram tratados com neomicina/betametasona. Entre os patógenos isolados nas lesões, Staphylococcus aureus foi o mais frequente. Houve pouco crescimento de cocos gram-positivos e bacilos gramnegativos. Ambas as preparações foram igualmente efetivas, com resposta clínica satisfatória em 81% dos pacientes tratados com neomicina + betametasona creme. Os dois tratamentos reduziram a gravidade dos sinais e sintomas e mostraram a mesma eficácia para erradicar as bactérias patógenas.3
Outro estudo clínico randomizado, duplo-cego, comparou a eficácia da combinação de ácido fusídico (2%) + betametasona (0,1%) creme com a combinação de neomicina (0,5%) + betametasona (0,1%) creme em um total de 100 pacientes com diversos tipos de eczema infectado ou potencialmente infectado (como dermatite atópica, dermatite discoide, dermatite de contato, dermatite irritante, dermatite seborreica e outras dermatoses). 46 pacientes, sendo 30 indivíduos do sexo masculino e 16 do sexo feminino e com idade entre 2-84 anos, foram tratados com neomicina/betametasona. Staphylococcus aureus foi o patógeno mais frequentemente isolado nas lesões infectadas, seguido do estreptococos beta-hemolíticos. Após duas semanas de tratamento, ambas as preparações foram igualmente efetivas, com melhora clínica das lesões em 95% dos pacientes na opinião do médico. Os dois tratamentos foram igualmente efetivos, do ponto de vista clínico e na erradicação do Staphylococcus aureus.4
Leyden e Klingman (1977) endossaram ainda mais a eficácia da combinação corticóide-neomicina ao relatar o resultado de um estudo duplo-cego em que 36 pacientes foram aleatoriamente designados para creme acetonido de flucinolona 0,025% ou o mesmo creme com 0,5 % de sulfato de neomicina. O creme foi aplicado duas vezes por dia durante uma semana. Os autores descobriram que S. aureus era o organismo dominante e constituía mais de 90% da flora total. Após uma semana do esteroide sozinho, a contagem foi reduzida para 65.000 / cm2 (não significativa), enquanto a combinação reduziu significativamente a contagem para 350 / cm2 (p <0,01).5
Referências Bibliográficas
1. MENDAY, AP. et al. Topical betamethasone/fusidic acid in eczema: efficacy against and emergence of resistance in Staphylococcus aureus. Journal of Dermatological Treatment, 11: 143-149, 2000.
2. ABELARDO, E. et al. A double blind randomized clinical trial of the treatment of otitis externa using topical steroids alone versus topical steroids-antibiotic therapy. Eur Arch Otorhinolaryngol, 266: 41-45, 2009.
3. JAVIER, PR. et al. Fusidic acid/betamethasone in infected dermatoses - a double-blind comparison with neomycin/betamethasone. Br J Clin Pract. 40(6): 235-8, 1986.
4. WILKINSON JD, LEIGH DA, MENDAY AP. Comparative efficacy of betamethasone and either fusidic acid or neomycin in infected or potentially infected eczema. Curr Ther Res, 38: 177, 1985.
5. LEYDEN JJ, KLIGMAN AM. Contact dermatitis to neomycin sulfate. JAMA 1979;242: 1276-1278.
Características Farmacológicas
Propriedades farmacodinâmicas
Mecanismo de ação
Valerato de betametasona
Os corticosteroides tópicos atuam como agentes anti-inflamatórios através de vários mecanismos para inibir as reações alérgicas de fase tardia, incluindo diminuição da densidade dos mastócitos, diminuição da quimiotaxia e da ativação dos eosinófilos, diminuição da produção de citocinas por linfócitos, monócitos, mastócitos e eosinófilos e inibindo o metabolismo do ácido araquidônico.
Sulfato de neomicina
A neomicina interfere na síntese de proteínas bacterianas através da ligação às subunidades ribossomais 30S.
Efeitos farmacodinâmicos
Valerato de betametasona
Corticosteroides tópicos apresentam propriedades anti-inflamatórias, antipruriginosas e vasoconstritoras. A betametasona liga-se a receptores específicos de glicocorticoides intracelulares e subsequentemente liga-se ao DNA para modificar a expressão gênica. A síntese de certas proteínas anti-inflamatórias é induzida enquanto a síntese de outros mediadores inflamatórios é inibida. Como resultado, há uma redução geral na inflamação crônica e nas reações autoimunes.
Sulfato de neomicina
A neomicina é uma aminoglicosídeo com atividade bactericida dependente da concentração. Apresenta atividade bactericida contra a maioria dos bacilos aeróbicos gram-negativos e anaeróbicos facultativos, mas não contra os anaeróbicos gram-negativos, como a Pseudomonas aeruginosa. Possui atividade parcial contra bactérias gram-positivas.
Aminoglicosídeos como a neomicina são conhecidos por sua capacidade de se ligar com alta afinidade ao RNA fita dupla.Tal ligação leva à tradução imprecisa do RNAm e, por conseguinte, biossíntese de proteínas que estão truncadas ou que possuem composição de aminoácidos alteradas em pontos específicos. O efeito antibiótico resulta, especificamente, de uma revisão de tradução prejudicada ou uma leitura errada da mensagem do RNA, finalização prematura ou ambas.
Propriedades farmacocinéticas
Absorção
Valerato de betametasona
Corticosteroides tópicos podem ser absorvidos sistemicamente através da pele intacta e saudável. A extensão da absorção percutânea de corticosteroides tópicos é determinada por vários fatores, incluindo o veículo e a integridade da barreira epidérmica. Oclusão, inflamação e outras patologias de pele também podem aumentar a absorção percutânea.
Para avaliar a exposição sistêmica a corticosteroides tópicos é necessário utilizar parâmetros farmacodinâmicos, devido ao fato de os níveis circulantes estarem bem abaixo do nível de detecção.
Sulfato de neomicina
Há relatos de absorção sistêmica da neomicina aplicada em feridas e peles inflamadas. Quando administrada oralmente, a neomicina é fracamente absorvida no trato gastrointestinal.
Distribuição
Valerato de betametasona
A extensão da absorção percutânea de corticosteroides tópicos é determinada por vários fatores, incluindo o veículo, a integridade da barreira epidérmica, e o uso de curativos oclusivos.
Corticosteroides tópicos podem ser absorvidos através da pele normal intacta. Inflamação e/ou outras patologias na pele aumentam a absorção percutânea. Curativos oclusivos substancialmente aumentam a absorção percutânea de corticosteroides tópicos e devem ser um valioso adjuvante terapêutico para o tratamento de dermatoses resistentes.
Uma vez absorvido pela pele, a disposição farmacocinética de corticosteroides tópicos é similar aos corticosteroides administrados sistemicamente. Corticosteroides são ligados à proteínas plasmáticas em diversos graus. Corticosteroides são metabolizados primariamente no fígado e depois são excretados pelos rins. Alguns dos corticosteroides tópicos e seus metabólitos são também excretados na bile.
Sulfato de neomicina
Em estudos com neomicina oral, apenas cerca de 3% da dose é absorvida pelo trato gastrointestinal. A neomicina absorvida é distribuída aos tecidos e concentra-se no córtex renal e pode acumular-se no ouvido interno. O sulfato de neomicina não é absorvido após aplicação tópica na pele intacta; entretanto, é protamente absorvido através de áreas desnudas ou desgastadas da pele, ou em feridas, queimaduras, úlceras em que a pele perdeu a camada de queratina. A ligação às proteínas é baixa (0 – 30%).
Metabolismo
Valerato de betametasona
Uma vez absorvido pela pele, os corticosteroides tópicos apresentam uma farmacocinética similar aos corticosteroides sistêmicos e são metabolizados primariamente pelo fígado para uma variedade de metabólitos que são excretados na urina principalmente como glucuronídeos conjugados. A eliminação é rápida com cerca de 90% da dose absorvida excretada em 24 horas.
Sulfato de neomicina
Não existem dados sobre o metabolismo do sulfato de neomicina administrado topicamente. Após a administração parenteral, a neomicina sofre uma biotransformação insignificante.
Eliminação
Valerato de betametasona
Corticosteroides tópicos são eliminados pelos rins. Além disso, alguns corticosteroides e seus metabólitos também são excretados na bile.
Sulfato de neomicina
A neomicina absorvida é rapidamente eliminada pelos rins e apresenta meia-vida de 2 a 3 horas.
Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)