Quais cuidados devo ter ao usar o Lisodren?
Lisodren deve ser utilizado com a supervisão de um médico qualificado e experiente no uso de medicamentos quimioterápicos contra o câncer.
Choque, trauma grave
Lisodren deve ser interrompido temporariamente de forma imediata após choque (situação clínica grave e de risco à vida, como infecção muito grave) ou trauma grave (como acidentes ou ferimentos graves), uma vez que o medicamento impede o funcionamento adequado da glândula adrenal. Neste caso, pode-se repor artificialmente os hormônios que o córtex adrenal produz, uma vez que a glândula deprimida poderá não iniciar imediatamente a liberação hormonal.
Antes de iniciar o tratamento
Todo tumor existente, se possível, deverá ser cirurgicamente removido antes de ser instituída a administração de Lisodren. Isto é necessário para minimizar a possibilidade de infarto e hemorragia no tumor devido ao rápido efeito citotóxico do medicamento.
Disfunção hepática (do fígado)
Lisodren deve ser administrado com cuidado a pacientes com outras doenças no fígado que não sejam por lesões metastáticas (implantes do tumor em diversos órgãos) do tumor da adrenal, visto que o metabolismo de Lisodren pode sofrer interferência e o medicamento poderá se acumular, ficando em maior quantidade no organismo.
Monitoramento dos níveis plasmáticos
Os níveis plasmáticos de mitotano (quantidade de mitotano no sangue) devem ser monitorados a fim de ajustar a dose, especialmente se altas doses iniciais forem consideradas necessárias. Os ajustes de dose podem ser necessários para atingir os níveis terapêuticos desejados, que são entre 14 e 20 mg/L (faixa plasmática aceitável na qual os resultados terapêuticos são positivos) e evitar reações adversas específicas.
Distúrbios do sistema nervoso central
O uso de Lisodren poderá levar a problemas cerebrais e comprometimento de função, o que pode ser reversível após sua interrupção. Avaliações de comportamento e neurológicas devem ser feitas a intervalos regulares, especialmente quando os níveis plasmáticos de mitotano (quantidade de mitotano no sangue) excederem os 20 mg/L.
Hipogonadismo
Foi descrito hipogonadismo em homens, com sintomas como desenvolvimento das mamas, diminuição da libido, disfunção erétil e distúrbios de fertilidade.
Macrocistos no ovário em mulheres na pré-menopausa
Macrocistos no ovário foram observados com maior incidência em mulheres na pré-menopausa. Casos isolados de cistos complicados foram reportados. Uma melhora foi observada com a descontinuação do mitotano. Mulheres devem procurar com urgência aconselhamento médico se apresentarem sintomas ginecológicos, como sangramento e/ou dor pélvica.
Risco de insuficiência adrenal
Lisodren modifica o metabolismo de esteroides exógenos (hormônios que têm origem fora do nosso organismo) resultando em uma porcentagem significativa de pacientes com sinais de insuficiência adrenal (redução da atividade da glândula adrenal). Nestes pacientes, a terapia de reposição de esteroides deve ser considerada, sob acompanhamento médico. Já que Lisodren aumenta a ligação de hormônios a proteínas, os níveis de cortisol e corticotropina (ACTH) livres (certos tipos de hormônios) devem ser monitorados para se determinar a dose ótima de reposição de esteroides. Portanto, uma dose ligeiramente maior do que a terapia de reposição normal poderá ser necessária.
Acúmulo de mitotano nos tecidos
Mitotano pode se acumular no tecido adiposo (tecido especializado no armazenamento de gordura), o que pode resultar em prolongamento da meia-vida plasmática (intervalo de tempo no qual a concentração de mitotano no sangue se reduz à metade). Consequentemente, apesar da dose de Lisodren permanecer constante, os níveis de mitotano no sangue podem aumentar. Portanto, o monitoramento regular dos níveis de mitotano no sangue é necessário após a dose de manutenção ter sido estabelecida (por exemplo, mensalmente). O monitoramento deve continuar após a interrupção do tratamento (por exemplo, a cada dois meses), já que a liberação prolongada de mitotano pode ocorrer. Monitoramento rigoroso dos níveis plasmáticos de mitotano é recomendado no tratamento de pacientes com excesso de peso e pacientes com perda de peso recente (por exemplo, a cada duas semanas).
Tempo de sangramento
Tempo de sangramento prolongado (uma situação que pode aumentar o risco de hemorragias) tem sido relatado em pacientes tratados com Lisodren, o que deve ser levado em conta quando uma cirurgia for considerada.
Substâncias metabolizadas através do citocromo P-450
Mitotano tem uma meia-vida longa (intervalo de tempo no qual a concentração de mitotano no sangue se reduz a metade) e é um indutor das enzimas hepáticas do citocromo P-450 (enzimas presentes no fígado envolvidas na metabolização de vários compostos de origem endógena e exógena). A indução enzimática deve persistir após a interrupção do tratamento com mitotano. Medicamentos metabolizados pelas enzimas do citocromo P-450 devem ser utilizados com cautela e a dose deve ser ajustada, conforme o caso, quando coadministrados com mitotano e por um período de, aproximadamente, 6 meses após a interrupção do tratamento com mitotano.
Efeitos sobre a capacidade de dirigir e operar máquinas
Lisodren pode causar efeitos sobre o sistema nervoso central (cérebro), prejudicando o estado de alerta mental e físico.
Uso na gravidez e na amamentação
Lisodren só deve ser utilizado por mulheres grávidas se estritamente necessário.
Mulheres em idade fértil devem utilizar métodos contraceptivos eficazes, durante e após a interrupção do tratamento, enquanto os níveis plasmáticos de mitotano forem detectáveis.
Mitotano foi detectado no leite materno. Devido ao potencial de reações adversas graves em lactentes, as mães devem ser aconselhadas a interromper a amamentação durante a terapia com Lisodren e após a interrupção do tratamento, enquanto os níveis plasmáticos de mitotano forem detectáveis.
Este medicamento não deve ser usado por mulheres grávidas sem orientação médica.
Uso em pacientes idosos
Estudos clínicos com Lisodren não incluíram um número suficiente de pacientes com 65 anos ou mais para determinar se estes respondem diferentemente dos pacientes mais jovens. Outras experiências clínicas reportadas não identificaram diferenças entre as respostas de pacientes idosos e jovens.
Uso em crianças
A segurança e a efetividade do tratamento com Lisodren em crianças não foram estabelecidas. Problemas de tireoide, distúrbios neuropsicológicos, retardo no crescimento e um caso de encefalopatia foram observados em crianças e adolescentes que fizeram uso de Lisodren. Além disso, alguns sinais de alterações hormonais (como hiperdesenvolvimento da mama em meninos e sangramento vaginal e/ou desenvolvimento precoce das mamas em meninas) foram observados.
Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)