Interação Medicamentosa - Extraneal

Bula Extraneal

Princípio ativo: Icodextrina

Classe Terapêutica: Soluções Para Diálise Peritoneal

Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)

Interação medicamentosa: quais os efeitos de tomar Extraneal com outros remédios?

Interação medicamento-dispositivo

Para medir os níveis de glicose no sangue em paciente utilizando o medicamento Extraneal, devem ser utilizados somente monitores específicos de glicose e tiras reativas. Os métodos baseados em glicose desidrogenase pirroquinolina quinona (GDH-PQQ) ou de glicose-di-oxidoredutase (GDO) não devem ser utilizados. Além disso, não se devem usar monitores de glicose no sangue que usam métodos baseados em glicose desidrogenase flavina-adenina dinucleótido (GDH-FAD). O uso de monitores de glicose baseados em métodos de GDH-PQQ, GDO e GDH-FAD e de tiras reativas, por pacientes que usam Extraneal pode causar um falso resultado de glicose alto (devido à presença de maltose), que pode resultar na interrupção do tratamento de hipoglicemia ou administração de mais insulina do que é preciso. Nas duas situações, resulta em hipoglicemia não detectada e em perda de consciência, coma, dano neurológico permanente ou morte. Os níveis de Extraneal no plasma e seus metabólitos voltam ao inicial em um prazo aproximado de 14 dias depois da suspensão da administração. Portanto, os níveis altos falsos de glicose podem ser medidos até duas semanas após a suspensão da terapia com Extraneal quando se utilizam monitores de glicose no sangue baseados em GDH-PQQ, GDO e GDH-FAD e tiras reativas.

Como os monitores de glicose no sangue baseados em GDH-PQQ, GDO, e GDH-FAD podem ser utilizados em esquemas hospitalares, é importante que os profissionais de saúde, de pacientes com diálise peritoneal que utilizem Extraneal, revisem cuidadosamente a informação do produto do sistema de análise de glicose no sangue, incluindo a das tiras reativas, para determinar se o sistema é adequado para o uso com Extraneal.

Para evitar a administração inadequada de insulina, você deve alertar aos profissionais de saúde sobre esta interação, sempre que for ao hospital.

O fabricante (os fabricantes) do monitor e das tiras reativas deve ser contatado para determinar se a icodextrina ou a maltose causam interferência ou leituras falsas elevadas de glicose. Para a lista dos números gratuitos dos fabricantes dos monitores de glicose e das tiras reativas, contate a Baxter ou visite www.glicosesafety.com.

Não são conhecidas interações com Extraneal. Não foi realizada avaliação dos efeitos de Extraneal no citocromo P450. As concentrações no sangue de medicamentos dialisáveis podem diminuir devido ao processo de diálise peritoneal. Se necessário, o médico deve instituir um tratamento corretivo. Em pacientes que utilizam glicosídeos cardíacos, o médico deverá revisar cuidadosamente as concentrações plasmáticas de potássio, cálcio e magnésio no plasma. Em casos de concentrações anormais devem ser tomadas medidas adequadas. Em pacientes que utilizam glicosídeos cardíacos (digoxina e outros), os níveis de cálcio, potássio, e magnésio em plasma devem ser monitorados cuidadosamente.

Alguns aditivos podem ser incompatíveis com Extraneal.

Adição de potássio

Extraneal não contém potássio, pois a diálise pode ser realizada para corrigir a hipercalemia (aumento de potássio no sangue). Em pacientes com níveis de potássio no sangue normais ou baixos, a adição de cloreto de potássio (até uma concentração de 4 mEq/L) pode estar indicada para prevenir a hipocalemia (diminuição de potássio no sangue ) grave. A decisão de adicionar cloreto de potássio deve ser tomada pelo médico após cuidadosa avaliação do potássio no sangue.

Adição de Insulina

A adição de insulina ao Extraneal foi avaliada em 6 pacientes diabéticos dependentes de insulina em tratamento com DPCA (Diálise Peritoneal Contínua Ambulatórial) para a insuficiência renal crônica (perda das funções dos rins). Não se observou nenhuma interferência de Extraneal na absorção de insulina da cavidade peritoneal nem na capacidade da insulina para controlar a glicose no sangue. O médico deve realizar um monitoramento adequado da glicose no sangue ao iniciar a terapia com Extraneal em pacientes diabéticos, ajustando a dose de insulina caso necessário.

Adição de Heparina

Não foram realizados estudos de interação medicamentosa em humanos com heparina. Os estudos in vitro não mostraram evidência de incompatibilidade de heparina com Extraneal.

Adição de Antibióticos

Viaflex.

Foi demonstrada a compatibilidade com vancomicina, cefazolina, ceftazidima, a gentamicina e a netilmicina. No entanto, aminoglicósideos não devem ser misturados com penicilinas devido à incompatibilidade química.

Concentração Inibitória Mínima (CIM)

  • Até agora não há estudos clínicos formais sobre a interação com antibióticos.

Estudos in vitro com Extraneal e os seguintes antibióticos não mostraram efeitos sobre o CIM da vancomicina, cefazolina, ampicilina, ampicilina/flucloxacilina, ceftazidima, gentamicina e anfotericina.

Análises Laboratoriais

Glicose no sangue

A medição de glicose no sangue deve ser feita com um método específico de glicose para evitar a interferência de maltose com os resultados do teste. Foram observados níveis falsos elevados de glicose com os dispositivos para monitorizar a glicose no sangue e com as tiras reativas que usam glicose desidrogenase pirroloquinolina quinona (GDH-PQQ), glicose-colorante-oxidorredutase (GDO), e alguns métodos baseados em glicose desidrogenase flavin-adenina nucleótido (GDH-FAD). Não se deve empregar GDH-PQQ, glicosecolorante-oxidorredutase, nem alguns métodos baseados em GDH-FAD para medir os níveis de glicose em pacientes que receberam Extraneal.

Eletrólitos no soro

Foi observada uma diminuição de sódio e cloreto no sangue em pacientes usando Extraneal. A variação média do sódio no sangue baseado na última verificação do estudo foi de -2,8 mmol/L para pacientes com Extraneal e -0,3 mmol/L para pacientes com a solução de controle. Quatro pacientes com Extraneal e dois pacientes controle desenvolveram sódio no sangue <125 mmol/L. As alterações médias de cloreto de sódio do início até a última verificação do estudo foi de - 2,0 mmol/L para pacientes com Extraneal e + 0,6 mmol/L para pacientes de controle. Mudanças similares foram observadas na química do sangue em um estudo clínico adicional na sub-população de pacientes de transporte de médio a alto e transporte alto. As diminuições nos níveis de soro de sódio e de cloro podem ser relacionadas com a diluição resultante da presença de metabólitos de icodextrina no plasma. Embora essas reduções tenham sido pequenas e clinicamente irrelevantes, recomenda-se a monitorização dos níveis de eletrólitos no soro de pacientes, como parte das químicas de sangue de rotina.

Extraneal não contém potássio. O médico deve avaliar o potássio no soro antes da administração de cloreto de potássio no paciente. Nas situações em que existe um nível normal de potássio no soro ou hipocalemia (diminuição de potássio no sangue), pode ser necessária a adição de cloreto de potássio (até uma concentração de 4 mEq/L) à solução para prevenir a hipocalemia (diminuição de potássio no sangue) severa. Isto deve ser feito em uma avaliação cuidadosa do potássio no sangue e corporal total e apenas sob a supervisão de um médico.

Deve-se monitorar periodicamente os fluidos, hemograma (exame de sangue), bioquímica do sangue, as concentrações de eletrólitos e bicarbonato. Se os níveis no sangue de magnésio no soro são baixos, pode-se usar suplementos de magnésio.

Amilase no soro

Em pacientes em terapia com Extraneal foi observada uma diminuição da atividade da amilase sérica. Os estudos preliminares indicam que a icodextrina e seus metabólitos interferem com os ensaios de amilase baseados em enzimas, resultando em valores inexatamente baixos. Isto deverá ser levado em conta ao avaliar os níveis de amilase no soro para o diagnóstico e monitoramento de pancreatite (inflamação do pâncreas) em pacientes que utilizam Extraneal.

Foi observada diminuição de sódio e cloreto no sangue assim como uma aparente diminuição da atividade da amilase sérica em pacientes que utilizam Extraneal.

Fosfatase alcalina

Também foi observado um aumento do nível médio de fosfatase alcalina no sangue em estudos clínicos de enfermidade renal em etapa terminal (ESRD) usando Extraneal.

Não se observaram aumentos associados às provas de função dos rins. Os níveis de fosfatase alcalina no soro não mostraram evidência de elevação progressiva durante um período de estudo de 12 meses. Os níveis voltam à normalidade aproximadamente duas semanas depois da suspensão de Extraneal.

Houve casos individuais em que a elevação da fosfatase alcalina foi associada ao AST (TGO) – Aspartato Aminitransferase elevado, mas nenhum aumento foi considerado como relacionado ao tratamento.

Informe ao seu médico ou cirurgião-dentista se você está fazendo uso de algum outro medicamento. Não use medicamento sem o conhecimento do seu médico. Pode ser perigoso para a sua saúde.

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