Ação da Substância - Cloridrato de Naloxona Nova Farma

Bula Cloridrato de Naloxona Nova Farma

Princípio ativo: Cloridrato de Naloxona

Classe Terapêutica: Produtos Usados Em Dependência Opiáceas

Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)

Como a substância do Cloridrato de Naloxona Nova Farma age?

Resultados de Eficácia


Adultos

Depressão Respiratória

Estudo de Gueneron avaliou duas doses intravenosas para prevenir efeitos colaterais não respiratórios e depressão após fentanil epidural. Três grupos receberam diferentes regimes: Grupo I (0,4 mg + infusão 10 mcg/kg/h), Grupo II (0,2 mg + infusão 5 mcg/kg/h) e Grupo III (placebo). Valores basais de VE/PET CO² foram similares. Fentanil reduziu significativamente esses valores em todos os grupos. Após 30 minutos, Grupo I apresentou aumento significativo, Grupo III redução e Grupo II manteve-se estável. Concluiu-se que reverte depressão respiratória por fentanil, porém com redução da analgesia.

Estudo duplo-cego de Rawal comparou duas concentrações intravenosas versus placebo na analgesia por morfina epidural. Quarenta e cinco pacientes receberam 5 mcg/kg/h, 10 mcg/kg/h ou solução salina por 12h pós-cirurgia. Todos tiveram bom controle da dor. Dose menor não afetou analgesia, enquanto dose maior reduziu sua duração em 25%. Valores de PaCO² foram melhores nos grupos ativos versus placebo. Infusão em baixa dose previne depressão respiratória sem comprometer analgesia.

Evidências limitadas apoiam seu uso no manejo de efeitos adversos por opioides, necessitando mais pesquisas.

Overdose/Intoxicação aguda

Diretrizes da OMS e American Heart Association abordam seu uso em toxicidade opioide, precedido sempre por medidas de reanimação.

Diagnóstico

Baseia-se em mecanismo de ação, especificidade farmacológica, relatos de caso e estudos limitados. Pode reverter alterações de consciência em não intoxicados, porém sem comprometer seu uso diagnóstico. Inócuo em overdoses não opioides.

Crianças

Dados baseiam-se em farmacologia, séries de casos e guias de sociedades científicas. Doses adaptadas ao peso.

Recém-nascidos

Risco maior durante parto quando mãe recebeu opioides. Não substitui suporte ventilatório/circulatório. Após reanimação, administrar 0,1 mg/kg. Não é parte inicial da ressuscitação. Diretrizes pediátricas refinam doses conforme peso/idade.

Referências: Gueneron et al. (Anesth Analg 1988), Rawal et al. (Anesthesiology 1986), McNicol et al. (Journal of Pain 2003), OMS/UNODC (2013), American Heart Association (Circulation 2010), entre outros.

Características Farmacológicas


Farmacologia Clínica

Previne/reverte efeitos opioides, incluindo depressão respiratória, sedação e hipotensão. Age sobre opioides endógenos e exógenos, revertendo também efeitos adversos de agonistas-antagonistas.

Antagonista puro sem propriedades agonistas. Não causa depressão respiratória, alterações mentais ou contração pupilar, nem induz tolerância ou dependência.

Em dependentes, desencadeia síndrome de abstinência em minutos, com duração de ~2 horas, cuja intensidade relaciona-se à dose e grau de dependência. Inativo na ausência de opioides.

Farmacodinâmica

Antagoniza competitivamente receptores µ, κ e σ no SNC, com maior afinidade por µ. Via intravenosa: efeito em ≤2 min; vias subcutânea/muscular: ação ligeiramente mais lenta. Duração varia conforme dose e via, sendo mais prolongada por via muscular. Necessidade de redoses depende do opioide antagonizado.

Farmacocinética

Distribuição rápida por vias parenterais. Ligação plasmática fraca, principalmente com albumina. Excreção no leite materno desconhecida. Metabolizado no fígado por conjugação com glicuronídeo, excretado urinário (25-40% em 6h; 50% em 24h; 60-70% em 72h). Meia-vida sérica em adultos: 30-81 min (média 64 min); neonatos: ~3,1h. Atravessa placenta.