Como a substância do Citarabina Accord Farma age no organismo?
Resultados de Eficácia
Leucemia Mieloide Aguda
Citarabina é um dos agentes mais eficazes para leucemia mieloide aguda (LMA). Faz parte da maioria dos tratamentos iniciais. Taxas de remissão completa chegam a 80% em menores de 40 anos. Mesmo com manutenção, muitas recaídas ocorrem; apenas 20-30% sobrevivem 5 anos. O desafio é eliminar doença residual.
Doses altas (1-3 g/m2) melhoram resultados em pacientes resistentes ou com recaída. Taxas de remissão variam de 25% a 84%. Combinações com etoposídeo e daunorrubicina são eficazes. Doses altas em consolidação trazem resultados superiores em idosos.
Combinações com análogos de purina e antraciclinas são eficazes. Tratamento pós-remissão com doses altas melhora duração da remissão e sobrevida livre de doença. Em pesquisa, sobrevida livre de doença em 5 anos foi 26%. Idade acima de 45 anos e sexo masculino são fatores negativos.
Combinações com fludarabina e ansacrina, seguido de transplante, são eficazes em LMA refratária ou recidivante. Regimes com inibidores da topoisomerase, análogos de purina e fatores de crescimento mostraram atividade. Estudos com gentuzumabe ozogamicina, homoharringtonina, antraciclinas e vorinostate com citarabina tiveram resultados eficazes.
Doses intermediárias (1 g/m2 a cada 12h x 12 doses) são eficazes principalmente em falha e recaída de LMA, leucemia linfoide aguda (LLA) e linfoma não Hodgkin.
Doses baixas (20 mg 1-2x/dia por 10 dias a cada 4-6 semanas) são padrão em idosos que não toleram quimioterapia intensiva. Taxa de remissão completa foi 7% vs 56% com quimioterapia intensiva. Sobrevida média foi 9,6 meses, melhor que só cuidados de suporte.
Ciclos repetidos de doses altas mostraram maior sobrevida livre de falhas e global que um único ciclo. Pacientes com alteração genética específica tiveram sobrevida livre de doença em 5 anos de 38% com um ciclo vs 71% com 3+ ciclos.
Doses altas foram eficazes com transplante autólogo em LMA. Probabilidade de sobrevida livre de doença em 2 anos foi 49% para todos e 61% para transplante. Risco de recaída foi 44% e 33%.
Em análise, adolescentes e adultos com LMA tratados com quimioterapia de indução padrão não tiveram diferença significativa entre doses altas de citarabina, transplante autólogo ou alogênico. Sobrevida pós-remissão foi melhor com citarabina.
Regime FLAG (fludarabina, citarabina e filgrastim) teve remissão completa de 56% em 41 pacientes com LMA de alto risco. Sobrevida média global foi 11 meses.
Regime CAT (ciclofosfamida, citarabina, topotecana) teve remissão completa em 17% de leucemias recidivantes ou refratárias.
Doses altas com mitoxantrona foram eficazes em LMA e anemia refratária. Remissão completa em 45% dos pacientes.
Combinação de etoposídeo e citarabina em altas doses sem antraciclina teve remissão completa em 63% de LMA recidivante/refratária e 56% de LLA refratária/recidivante.
Doses intermediárias com infusão prolongada mostraram alta eficácia e baixa mortalidade em LMA. Remissão completa em 80% dos pacientes. Sobrevida global estimada em 3 anos foi 56%.
Adição de citarabina e mitoxantrona em crianças com LMA de alto risco trouxe taxa de remissão de 78% e sobrevida livre de eventos em 5 anos de 44%.
Fludarabina seguida por citarabina com fator de crescimento teve remissão completa em 70% de 19 crianças com LMA ou LLA recidivante/refratária.
Remissão completa em 11 de 22 crianças após 2 ciclos de citarabina com daunorrubicina.
Quimioterapia intensiva foi similar a transplante autólogo em sobrevida livre de eventos em crianças com LMA.
Leucemia Mieloide Crônica
Doses altas foram eficazes na fase aguda. Combinações com vindesina-prednisolona ou citarabina-vindesina-prednisolona-mercaptopurina são escolha em crise blástica.
Daunorrubicina com imatinibe e citarabina, seguido de transplante ou manutenção, foi bem tolerado. Mais de 55% tiveram resposta hematológica completa.
Adição de citarabina ao imatinibe como tratamento inicial trouxe alta taxa de resposta molecular completa. Sobrevida global em 5 anos foi 96%.
Interferon alfa com citarabina melhorou resposta hematológica completa, resposta citogenética e sobrevida em 3 e 5 anos vs interferon isolado.
Fludarabina duas vezes ao dia com citarabina teve taxa de resposta global de 26% em LMA refratária/recidivante, síndrome mielodisplásica de alto risco e fase aguda de leucemia mieloide crônica.
Homoharringtonina com citarabina foi eficaz na crise blástica.
Em estudo com 538 pacientes, não houve diferença significativa na sobrevida em 5 anos entre interferon alfa-2a com citarabina vs interferon isolado; mas resposta citogenética foi melhor com combinação.
Em crianças, combinação de interferon e citarabina induziu resposta hematológica completa e respostas citogenéticas superiores, bem tolerada.
Leucemia Linfoide Aguda
Com etoposídeo, ansacrina, citarabina, prednisona e metotrexato intratecal, seguido de consolidação, sobrevida global em 5 anos foi 35%. Sobrevida livre de doença foi 45%.
Adultos com alteração genética específica tiveram excelente prognóstico com regime hiperfracionado. Todos alcançaram remissão; sobrevida em 3 anos foi 73%.
Fludarabina, citarabina, ansacrina, globulina antitimócito e radiação corporal foi alternativa viável ao transplante em LLA refratária ou de alto risco.
Combinação de fludarabina com citarabina, fator de crescimento e doxorrubicina lipossomal teve resposta encorajadora em leucemia aguda recidivante ou refratária em crianças.
Radiação corporal com ciclofosfamida e citarabina em altas doses foi plano eficaz para adultos com LLA, com resposta completa de 63,6%.
Doses altas (3 g/m2 a cada 12h - 8 doses) foram eficazes para leucemia meníngea em pacientes de alto risco. Remissão completa em 65%.
Regime com citarabina e mitoxantrona teve remissão completa em 84% de 31 pacientes com LLA.
Remissão em 64% de pacientes em primeira recaída com vindesina, daunorrubicina, asparaginase e prednisona, seguido de citarabina e etoposídeo. Sobrevida média 6,6 meses.
Em estudo, taxa de resposta completa de 68% em LLA. Foi maior em menores de 50 anos (79%) vs acima de 50 (35%).
Leucemia Meníngea
Quimioterapia intratecal intensificada com metotrexato, hidrocortisona e citarabina reduziu risco de recidiva no sistema nervoso central em crianças com LLA. Risco de recaída isolada no SNC em 5 anos foi 1,2%.
Citarabina intratecal tem atividade terapêutica. Foi tolerada em 70 mg/m2.
Doses altas foram eficazes por via intratecal na prevenção e tratamento, eliminando necessidade de radiação craniana.
Remissão completa de 65% em subgrupo de pacientes com doença meníngea em adultos com LLA e linfoma não-Hodgkin.
Tratamento com dose alta e asparaginase limpou completamente o líquido em 86% dos pacientes.
Combinação de metotrexato e citarabina no ventrículo cerebral teve taxa de resposta completa acima de 90% em leucemia ou linfoma meníngeo recidivante em jovens.
Referências Bibliográficas
[Lista de referências mantida conforme original]
Características Farmacológicas
Propriedades Farmacodinâmicas
Citarabina, análogo de nucleosídeo, inibe síntese de DNA. Tem propriedades antivirais e imunossupressoras. Estudos in vitro sugerem que ação primária é inibição da síntese de desoxicitidina, mas inibição de quinases e incorporação em ácidos nucleicos também podem contribuir.
Propriedades Farmacocinéticas
Citarabina é transformada em arabinofuranosil uracila no fígado e rins. Após injeção na veia, apenas 5,8% é eliminada inalterada na urina em 12-24h; 90% como metabólito. É metabolizada rapidamente. Níveis sanguíneos caem para indetectáveis em 15 minutos na maioria dos pacientes.
Dados de Segurança Pré-Clínicos
Toxicidade limitante foi redução da medula óssea. Outros órgãos afetados: fígado, rins e cérebro.
Causou dano cromossômico e transformação maligna in vitro. É embriotóxica, teratogênica e tóxica peri/pós-natal em várias espécies. Anormalidades em espermatozoides foram observadas em camundongos.
Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)