Qual a ação da substância do Bexsero?
Resultados de Eficácia
Eficácia clínica
A eficácia da Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante) não foi avaliada através de estudos clínicos. A eficácia da vacina foi inferida através da demonstração de indução de respostas de anticorpos bactericidas séricos contra cada um dos antígenos da vacina.
Imunogenicidade
As respostas de anticorpos bactericidas séricos para cada um dos antígenos NadA, fHbp, NHBA e PorA P1.4 da vacina, foram avaliadas utilizando-se um conjunto de quatro cepas meningocócicas de referência do grupo B. Os anticorpos bactericidas contra estas cepas foram medidos pelo Ensaio Bactericida Sérico, utilizando soro humano como fonte de complemento (hSBA). Não estão disponíveis dados de todos os esquemas de vacinação utilizando a cepa de referência para NHBA.
A maioria dos estudos de imunogenicidade primária foi realizada como estudos clínicos randomizados, controlados e multicêntricos. A imunogenicidade foi avaliada em lactentes, crianças, adolescentes e adultos.
Imunogenicidade em lactentes e crianças
Nos estudos com lactentes, os participantes receberam três doses da Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante) aos 2, 4 e 6 ou aos 2, 3 e 4 meses de idade, e uma dose de reforço, no segundo ano de vida, logo a partir dos 12 meses de idade. Os soros foram obtidos tanto antes da vacinação quanto um mês após a terceira dose da vacinação (vide Tabela 1) e um mês após a vacinação de reforço (vide Tabela 2). Em um estudo de extensão, a persistência da resposta imune foi avaliada um ano após a dose de reforço (vide Tabela 2). A imunogenicidade após duas ou três doses seguidas de um reforço foi avaliada em lactentes de 2 meses a 5 meses de idade em outro estudo clínico. A imunogenicidade após duas doses foi também documentada em outro estudo em crianças de 6 a 8 meses de idade no momento da inclusão (Tabela 3). Crianças não vacinadas anteriormente também receberam duas doses no segundo ano de vida, com a persistência de anticorpos sendo medida um ano após a segunda dose (vide Tabela 3).
Imunogenicidade em lactentes de 2 a 5 meses de idade
Vacinação primária com 2 doses seguida de reforço
Os resultados de imunogenicidade obtidos um mês após a administração de três doses da Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante) aos 2, 3, 4 e 2, 4 e 6 meses de idade estão resumidos na Tabela 1. As respostas de anticorpos bactericidas contra cepas meningocócicas de referência, um mês após a terceira dose da vacinação, foram altas contra os antígenos fHbp, NadA e PorA P1.4 em ambos os esquemas de vacinação com a Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante). As respostas bactericidas contra o antígeno NHBA também foram elevadas em lactentes vacinados no esquema 2, 4 e 6 meses, mas este antígeno pareceu ser menos imunogênico no esquema 2, 3 e 4 meses. As consequências clínicas da redução da imunogenicidade do antígeno NHBA neste esquema de vacinação não são conhecidas.
Tabela 1. Respostas de anticorpos bactericidas séricos obtidas um mês após a terceira dose da Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante), administrada aos 2, 3, 4 ou 2, 4 e 6 meses de idade:
Antígeno | Estudo V72P13 2, 4, 6 meses | Estudo V72P12 2, 3, 4 meses | Estudo V72P16 2, 3, 4 meses | |
fHbp | % soropositivo* (IC a 95%) | N=1149 100% (99-100) | N=273 99% (97-100) | N=170 |
| hSBA GMT** (IC a 95%) | 91 (87-95) | 82 (75-91) | 101 | |
NadA | % soropositivo (IC a 95%) | N=1152 100% (99-100) | N=275 100% (99-100) | N=165 99% |
| hSBA GMT (IC a 95%) | 635 (606-665) | 325 (292-362) | 396 | |
PorA P1.4 | % soropositivo (IC a 95%) | N=1152 84% (82-86) | N=274 81% (76-86) | N=171 |
| hSBA GMT (IC a 95%) | 14 (13-15) | 11 (9,14-12) | 10 | |
NHBA | % soropositivo (IC a 95%) | N=100 84% (75-91) | N=112 37% (28-46) | N=35 43% |
| hSBA GMT (IC a 95%) | 16 (13-21) | 3,24 (2,49-4,21) | 3,29 |
* % soropositivo = porcentagem de lactentes que atingiram um hSBA ≥ 1:5.
** GMT = títulos geométricos médios.
Os dados sobre a persistência de anticorpos bactericidas aos 8 meses após a administração da Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante) aos 2, 3 e 4 meses de idade, e aos 6 meses após a administração da Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante) aos 2, 4 e 6 meses de idade (período pré-dose de reforço), bem como os dados relacionados à dose de reforço após a administração da quarta dose da Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante) aos 12 meses de idade, estão resumidos na Tabela 2. A persistência da resposta imune um ano após a dose de reforço também é apresentada na Tabela 2.
Tabela 2. Respostas de anticorpos bactericidas séricos seguidas de uma dose de reforço aos 12 meses após a administração de um esquema primário de vacinação aos 2, 3 e 4 ou 2, 4 e 6 meses de idade, e persistência de anticorpos bactericidas um ano após a dose de reforço:
Antígeno | 2, 3, 4, 12 meses | 2, 4, 6, 12 meses | |
fHbp | Pré-dose de reforço* % soropositivo** (IC a 95%) hSBA GMT*** (IC a 95%) | N=81 58% (47-69) 5,79 (4,54-7,39) | N=426 |
| 1 mês após a dose de reforço % soropositivo (IC a 95%) hSBA GMT (IC a 95%) | N=83 100% (96-100) 135 (108-170) | N=422 | |
| 12 meses após a dose de reforço % soropositivo (IC a 95%) hSBA GMT (IC a 95%) | - | N=299 | |
NadA | Pré-dose de reforço % soropositivo (IC a 95%) hSBA GMT (IC a 95%) | N=79 97% (91-100) 63 (49-83) | N=423 |
| 1 mês após a dose de reforço % soropositivo (IC a 95%) hSBA GMT (IC a 95%) | N=84 100% (96-100) 1558 (1262-1923) | N=421 | |
| 12 meses após a dose de reforço % soropositivo (IC a 95%) hSBA GMT (IC a 95%) | - | N=298 | |
PorA P1.4 | Pré-dose de reforço % soropositivo (IC a 95%) hSBA GMT (IC a 95%) | N=83 19% (11-29) 1,61 (1,32-1,96) | N=426 |
| 1 mês após a dose de reforço % soropositivo (IC a 95%) hSBA GMT (IC a 95%) | N=86 97% (90-99) 47 (36-62) | N=424 | |
| 12 meses após a dose de reforço % soropositivo (IC a 95%) hSBA GMT (IC a 95%) | - | N=300 | |
NHBA | Pré-dose de reforço % soropositivo (IC a 95%) hSBA GMT (IC a 95%) | N=69 25% (15-36) 2,36 (1,75-3,18) | N=100 |
| 1 mês após a dose de reforço % soropositivo (IC a 95%) hSBA GMT (IC a 95%) | N=67 76% (64-86) 12 (8,52-17) | N=100 | |
| 12 meses após a dose de reforço % soropositivo (IC a 95%) hSBA GMT (IC a 95%) | - | N=291 |
*O período pré-dose de reforço representa a persistência de anticorpos bactericidas aos 8 meses após a administração da Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante) aos 2, 3 e 4 meses de idade, e aos 6 meses após a administração da Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante) aos 2, 4 e 6 meses da idade.
** % soropositivo = porcentagem de lactentes que atingiram um hSBA ≥ 1:5.
*** GMT = títulos geométricos médios.
Vacinação primária de duas doses seguida de reforço
A imunogenicidade após duas doses (aos 3 meses e meio e 5 meses de idade) ou três doses (aos 2 meses e meio, 3 meses e meio e 5 meses de idade) da Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante) seguida de reforço (após 6 meses da última dose primária) em lactentes foi avaliada em um estudo clínico de fase 3 adicional. As porcentagens de indivíduos soropositivos (isto é, alcançando um hSBA de pelo menos 1: 4) variaram de 44% a 100% um mês após a segunda dose e de 55% a 100% um mês após a terceira dose. Em um mês, após reforço administrado 6 meses após a última dose, as porcentagens de indivíduos soropositivos variaram de 87% a 100% para o esquema de duas doses, e de 83% a 100% para o de três doses.
A persistência de anticorpos foi avaliada em um estudo de extensão em crianças de 3 a 4 anos de idade. As porcentagens comparáveis de indivíduos que foram soropositivos de 2 a 3 anos após a vacinação prévia com duas doses seguidas de um reforço da Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante) (variando de 35% a 91%) ou três doses seguidas de reforço (variando de 36% a 84%). No mesmo estudo, a resposta a uma dose adicional administrada 2 a 3 anos após o reforço foi indicativa de memória imunológica como demonstrado por uma resposta de anticorpos robusta contra todos os antígenos da Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante), variando de 81% a 100% e de 70% a 99% respectivamente. Essas observações são consistentes com a iniciação adequada na infância com uma vacinação primária de duas doses e três doses seguidas de um reforço da Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante).
Imunogenicidade em crianças de 6 a 11 meses, 12 a 23 meses de idade
A imunogenicidade após a administração de duas doses, com intervalo de dois meses, em crianças de 6 a 23 meses de idade foi documentada em dois estudos cujos resultados estão resumidos na Tabela 3. Contra cada um dos antígenos vacinais, as porcentagens de sororesposta e hSBA GMTs foram altas e semelhantes após o esquema de duas doses em lactentes de 6-8 meses de idade e crianças de 13-15 meses de idade. Os dados sobre a persistência de anticorpo um ano após as duas doses aos 13 e 15 meses de idade também estão resumidos na Tabela 3.
Tabela 3. Respostas de anticorpos bactericidas séricos após a administração da Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante) aos 6 e 8 meses de idade ou aos 24 e 26 meses de idade, e persistência de anticorpos bactericidas um ano após as duas doses aos 13 e 15 meses de idade
Antígeno | Faixa etária | ||
| 6 a 11 meses de idade | 12 a 23 meses de idade | ||
| Idade de vacinação | |||
| 6, 8 meses | 13, 15 meses | ||
fHbp | 1 mês após a 2a dose % soropositivo* (IC a 95%) hSBA GMT** (IC a 95%) | N=23 100% (85-100) 250 (173-361) | N=163 |
| 12 meses após a 2a dose % soropositivo (IC a 95%) hSBA GMT (IC a 95%) | - | N = 68 | |
NadA | 1 mês após a 2a dose % soropositivo (IC a 95%) hSBA GMT (IC a 95%) | N=23 100% (85-100) 534 (395-721) | N=164 |
| 12 meses após a 2a dose % soropositivo (IC a 95%) hSBA GMT (IC a 95%) | - | N=68 | |
PorA P1.4 | 1 mês após a 2a dose % soropositivo (IC a 95%) hSBA GMT (IC a 95%) | N=22 100% (85-100) 534 (395-721) | N=164 |
| 12 meses após a 2a dose % soropositivo (IC a 95%) hSBA GMT (IC a 95%) | - | N=68 | |
NHBA | 1 mês após a 2a dose % soropositivo (IC a 95%) hSBA GMT (IC a 95%) | - | N=46 |
| 12 meses após a 2a dose % soropositivo (IC a 95%) hSBA GMT (IC a 95%) | - | N=65 | |
* % soropositivo = porcentagem de indivíduos que atingiram um hSBA ≥ 1:4 (na faixa etária de 6 a 11 meses) e hSBA ≥ 1:5 (na faixa etária de 12 a 23 meses de idade).
** GMT = títulos geométricos médios.
As taxas de resposta foram de 98% a 100% contra todas as cepas após uma dose de reforço administrada em aproximadamente um ano após a administração de duas doses aos 13 e 15 meses de idade.
Imunogenicidade em crianças de 2 a 10 anos de idade
A imunogenicidade após duas doses da Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante) administradas com um ou dois meses de diferença em crianças de 2 a 10 anos de idade foi avaliada em dois estudos clínicos de fase 3. No primeiro estudo, cujos resultados estão resumidos na Tabela 4, os participantes receberam duas doses da Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante) com dois meses de intervalo. As taxas de sororesposta e hSBA GMTs foram altas após o esquema de duas doses em crianças contra cada um dos antígenos da vacina (Tabela 4).
Tabela 4. Respostas de anticorpos bactericidas séricos 1 mês após a administração da segunda dose da Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante) em crianças de 2 a 10 anos seguindo um esquema de 0,2 meses
Antígeno | Faixa etária | ||
| 2 a 5 anos de idade | 6 a 10 anos de idade | ||
fHbp | % soropositivo* (IC a 95%) | N=99 100% (96-100) | N=287 |
| hSBA GMT** (IC a 95%) | 140 (112-175) | 112 | |
NadA | % soropositivo (IC a 95%) | N=99 99% (95-100) | N=291 |
| hSBA GMT (IC a 95%) | 584 (466-733) | 457 | |
PorA P1.4 | % soropositivo (IC a 95%) | N=100 98% (93-100) | N=289 |
| hSBA GMT (IC a 95%) | 42 (33-55) | 40 | |
NHBA | % soropositivo (IC a 95%) | N=95 91% (83-96) | N=275 |
| hSBA GMT (IC a 95%) | 23 (18-30) | 35 | |
* % soropositivo = porcentagem de indivíduos que atingiram um hSBA ≥ 1:4 (contra cepas de referência para antígenos fHbp, NadA, PorA P1.4) e hSBA ≥ 1:5 (contra a cepa de referência para o antígeno NHBA).
** GMT = títulos geométricos médios.
Altas porcentagens de indivíduos foram soropositivas no segundo estudo, no qual duas doses da Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante) foram administradas com um mês de intervalo. Uma resposta imune precoce após a primeira dose também foi avaliada. As percentagens de indivíduos soropositivos (isto é, alcançam um hSBA de pelo menos 1: 4) através das cepas variaram de 46% a 95% em um mês após a primeira dose e de 69% a 100% em um mês após a segunda dose.
Imunogenicidade em adolescentes (a partir de 11 anos de idade) e adultos
Os adolescentes receberam duas doses da Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante), com intervalos de um, dois ou seis meses entre as doses; estes dados estão resumidos nas Tabelas 5 e 6. Em estudos com adultos, os dados também foram obtidos após a administração de duas doses da Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante), com um intervalo de um mês ou dois meses entre as doses (vide Tabela 5).
Os esquemas de vacinação de duas doses administradas com um intervalo de um ou dois meses mostraram respostas imunológicas semelhantes em adultos e adolescentes. Respostas semelhantes foram também observadas em adolescentes que receberam duas doses da Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante) com um intervalo de seis meses.
Tabela 5. Respostas de anticorpos bactericidas séricos em adolescentes ou adultos, um mês após a administração de duas doses da Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante), aplicada de acordo com os diferentes esquemas de duas doses, e persistência de anticorpos bactericidas 18 a 23 meses após a segunda dose
| Antígenos | Adolescentes | Adultos | ||||
| Meses 0,1 | Meses 0,2 | Meses 0,6 | Meses 0,1 | Meses 0,2 | ||
| fHbp | 1 mês após a 2a dose | N=638 | N=319 | N=86 | N=28 | N=46 |
| % soropositivo* (IC a 95%) | 100% (99-100) | 100% (99-100) | 100% (99-100) | 100% (88-100) | 100% (92-100) | |
| hSBA GMT** (IC a 95%) | 210 (193-229) | 234 (209-263) | 218 (157-302) | 100 (75-133) | 93 (71-121) | |
| 18-23 meses após a 2a dose | N=102 | N=106 | N=49 | - | - | |
| % soropositivo* (IC a 95%) | 82% (74-89) | 81% (72-88) | 84% (70-93) | - | - | |
| hSBA GMT** (IC a 95%) | 29 (20-42) | 34 (24-49) | 27 (16-45) | - | - | |
NadA | 1 mês após a 2a dose | N=639 | N=320 | N=86 | N=28 | N=46 |
| % soropositivo (IC a 95%) | 100% (99-100) | 99% (98-100) | 99% (94-100) | 100% (88-100) | 100% | |
| hSBA GMT (IC a 95%) | 490 (455-528) | 734 (653-825) | 880 (675-1147) | 566 (338-948) | 144 | |
| 18-23 meses após a 2a dose | N=102 | N=106 | N=49 | - | - | |
| % soropositivo* (IC a 95%) | 93% (86-97) | 95% (89-98) | 94% (83-99) | - | - | |
| hSBA GMT** (IC a 95%) | 40 (30-54) | 43 (33-58) | 65 (43-98) | - | - | |
PorA P1.4 | 1 mês após a 2a dose | N=639 | N=319 | N=86 | N=28 | N=46 |
| % soropositivo (IC a 95%) | 100% (99-100) | 100% (99-100) | 100% (96-100) | 96% (82-100) | 91% | |
| hSBA GMT (IC a 95%) | 92 (84-102) | 123 (107-142) | 140 (101-195) | 47 (30-75) | 32 | |
| 18-23 meses após a 2a dose | N=102 | N=106 | N=49 | - | - | |
| % soropositivo* (IC a 95%) | 75% (65-83) | 75% (66-83) | 86% (73-94) | - | - | |
| hSBA GMT** (IC a 95%) | 17 (12-24) | 19 (14-27) | 27 (17-43) | - | - | |
NHBA | 1 mês após a 2a dose | N=46 | N=46 | - | - | - |
| % soropositivo (IC a 95%) | 100% (92-100) | 100% (92-100) | - | - | - | |
| hSBA GMT (IC a 95%) | 99 (76-129) | 107 (82-140) | - | - | - | |
* % soropositivo = porcentagem de indivíduos que atingiram um hSBA ≥ 1:4.
** GMT = títulos geométricos médios.
No estudo com adolescentes, as respostas bactericidas após duas doses da Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante) foram estratificadas por um hSBA basal menor que 1:4, igual a 1:4 ou superior a 1:4. As porcentagens de sororesposta e porcentagens de indivíduos com, pelo menos, um aumento de 4 vezes no título basal de hSBA, um mês após a administração da segunda dose da Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante), estão resumidas na Tabela 6. Após a vacinação com a Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante), uma alta porcentagem de indivíduos foi soropositiva e teve um aumento de 4 vezes nos títulos de hSBA, independente do estado pré-vacinação.
Tabela 6. Porcentagem de adolescentes com sororesposta e com um aumento de pelo menos 4 vezes nos títulos bactericidas um mês após a administração de duas doses da Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante), aplicada de acordo com diferentes esquemas de duas doses - estratificada pelos títulos pré-vacinação
| Antígeno | Meses 0, 1 | Meses 0, 2 | Meses 0, 6 | ||
| fHbp | % soropositivo* (IC a 95%) | Título pré-vacinação < 1:4 | N=369 100% (98-100) | N=179 100% (98-100) | N=55 100% (94-100) |
| Título pré-vacinação ≥ 1:4 | N=269 100% (99-100) | N=140 100% (97-100) | N=31 100% (89-100) | ||
| % aumento de 4 vezes (IC a 95%) | Título pré-vacinação < 1:4 | N=369 100% (98-100) | N=179 100% (98-100) | N=55 100% (94-100) | |
| Título pré-vacinação ≥ 1:4 | N=268 90% (86-93) | N=140 86% (80-92) | N=31 90% (74-98) | ||
| NadA | % soropositivo (IC a 95%) | Título pré-vacinação < 1:4 | N=427 100% (99-100) | N=211 99% (97-100) | N=64 98% (92-100) |
| Título pré-vacinação ≥ 1:4 | N=212 100% (98-100) | N=109 100% (97-100) | N=22 100% (85-100) | ||
| % aumento de 4 vezes (IC a 95%) | Título pré-vacinação < 1:4 | N=426 99% (98-100) | N=211 99% (97-100) | N=64 98% (92-100) | |
| Título pré-vacinação ≥ 1:4 | N=212 96% (93-98) | N=109 95% (90-98) | N=22 95% (77-100) | ||
| PorA P1.4 | % soropositivo (IC a 95%) | Título pré-vacinação < 1:4 | N=427 100% (98-100) | N=208 100% (98-100) | N=64 100% (94-100) |
| Título pré-vacinação ≥ 1:4 | N=212 100% (98-100) | N=111 100% (97-100) | N=22 100% (85-100) | ||
| % aumento de 4 vezes (IC a 95%) | Título pré-vacinação < 1:4 | N=426 99% (98-100) | N=208 100% (98-100) | N=64 100% (94-100) | |
| Título pré-vacinação ≥ 1:4 | N=211 81% (75-86) | N=111 77% (68-84) | N=22 82% (60-95) | ||
| NHBA | % soropositivo (IC a 95%) | Título pré-vacinação < 1:4 | N=2 100% (16-100) | N=9 100% (66-100) | - |
| Título pré-vacinação ≥ 1:4 | N=44 100% (92-100) | N=37 100% (91-100) | - | ||
| % aumento de 4 vezes (IC a 95%) | Título pré-vacinação < 1:4 | N=2 100% (16-100) | N=9 89% (52-100) | - | |
| Título pré-vacinação ≥ 1:4 | N=44 30% (17-45) | N=37 19% (8-35) | - |
*% soropositivo = porcentagem de indivíduos que atingiram um hSBA ≥ 1:4.
Características Farmacológicas
Propriedades farmacodinâmicas
Grupo farmacoterapêutico
Vacinas meningocócicas, código ATC: J07AH09
Propriedades farmacocinéticas
A avaliação das propriedades farmacocinéticas não é necessária para as vacinas; portanto, nenhum estudo farmacocinético foi conduzido com a vacina.
Dados Epidemiológicos
A doença meningocócica invasiva (DMI) é uma importante causa de meningite e sepse, que pode conduzir à mortalidade (até 20% dos casos de DMI), ou sequelas permanentes (11-20% dos sobreviventes). A incidência de DMI de todos os sorogrupos atualmente no Brasil é de aproximadamente 2,0 por 100.000 habitantes, embora taxas de incidência um pouco maiores sejam relatadas em áreas urbanas. A maior incidência de DMI ocorre em lactentes com menos de 1 ano de idade (17 por 100.000 habitantes), seguida por crianças de 1 a 4 anos de idade (7 por 100.000 habitantes). A incidência diminui ainda mais com o aumento da idade. Maiores taxas de incidência foram observadas durante as epidemias de DMI.
Há 12 cápsulas distintas de polissacarídeos, mas no Brasil somente os sorogrupos B, C, W e Y causam DMI. Não foram observadas doenças causadas pelo sorogrupo A no Brasil em várias décadas. De acordo com a rede de vigilância de laboratórios sentinelas SIREVA II, 26% das DMI no Brasil em 2009 foram causadas pelo grupo B. A distribuição dos grupos causadores da DMI varia conforme a região, sendo o grupo B ainda o mais prevalente dos sorogrupos causadores de doença nos estados do Sul do Brasil.
Com base no Multi Locus Sequence Typing (MLST), o meningococo do grupo B demonstra significativa diversidade. Além de causar doença endêmica, o grupo B tem causado surtos prolongados devido às cepas hipervirulentas, incluindo a ST-32 (França, Oregon (EUA)) e ST-41/44 (Noruega, Nova Zelândia). O Brasil testemunhou prolongadas epidemias de DMI pelo grupo B em meados dos anos 1980 até 2002. Estudos obtidos dos isolados de DMI durante estes surtos relataram que a maioria das cepas do grupo B pertencia ao complexo ST-32.
Atualmente, não existem estudos mais recentes sobre a distribuição de complexo circulante/soro(sub)tipos a nível nacional.
Com base nos dados notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), de cada 10 casos sorogrupados de doença meningocócica invasiva em crianças com menos de 5 anos de idade no Brasil em 2015, 6 foram causados pelo meningococo B.
Mecanismos de ação
A imunização com a Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante) tem o objetivo de estimular a produção de anticorpos bactericidas que reconhecem os antígenos NHBA, NadA, fHbp e PorA P1.4 (o antígeno imunodominante presente no componente OMV) da vacina e com os quais se espera um efeito protetor contra a doença meningocócica invasiva (DMI). Como esses antígenos são expressos de forma variável por diferentes cepas, os meningococos que os expressam a níveis suficientes são passíveis de eliminação pelos anticorpos induzidos pela vacina. O Sistema de Tipagem de Antígenos Meningocócicos - Meningococcal Antigen Typing System (MATS), foi desenvolvido para relacionar os perfis antigênicos de diferentes cepas de bactérias meningocócicas do grupo B com a capacidade de eliminação das cepas através do Ensaio de Anticorpos Bactericidas Séricos, utilizando soro humano como fonte de complemento (hSBA) e, desta maneira, estimar a amplitude de cobertura das cepas. Com base na análise pelo MATS dos isolados meningocócicos invasivos do grupo B coletados em 2010, a estimativa de cobertura das cepas pela Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante) no Brasil é de 81% (intervalo de confiança a 95%: 71% - 95%).
Os antígenos presentes na Vacina Adsorvida Meningocócica B (Recombinante) foram também expressos por cepas pertencentes a outros grupos meningocócicos além do grupo B. Dados limitados indicam proteção contra algumas cepas além das pertencentes ao grupo B; no entanto, a extensão desta proteção adicional ainda não está totalmente determinada.
Dados de segurança não clínicos
Os dados não clínicos não revelam nenhum risco para humanos com base nos estudos de toxicidade de dose repetida e nos estudos de toxicidade reprodutiva e de desenvolvimento.
Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)