Precauções - Zotecan

Bula Zotecan

Princípio ativo: Cloridrato de Irinotecano

Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)

Quais cuidados devo ter ao usar o Zotecan?

Uso durante a gravidez

Zotecan® pode causar danos ao feto quando administrados a mulheres grávidas. Estudos mostram que o irinotecano é teratogênico (causa malformação) em ratos e coelhos. Não foram conduzidos estudos adequados e bem controlados com mulheres grávidas.

As mulheres em idade fértil devem ser orientadas a evitar a gravidez enquanto estiverem sendo tratadas com este produto. Caso o fármaco seja utilizado durante a gravidez ou a paciente fique grávida enquanto estiver recebendo esse fármaco, ela deve ser informada dos riscos potenciais ao feto.

Informe imediatamente ao seu médico em caso de suspeita de gravidez.

Zotecan® é um medicamento classificado na categoria D de risco de gravidez. Portanto, este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica.

Uso durante a lactação

Cinco minutos após a administração IV de irinotecano marcada em ratas, detectou-se a radioatividade no leite, com concentrações até 65 vezes maiores do que as obtidas no plasma 4 horas após a administração. Assim, devido ao potencial para reações adversas graves em lactentes, recomenda-se que a amamentação seja descontinuada durante o tratamento com o produto.

Efeitos na habilidade de dirigir e operarmáquinas 

O efeito de Zotecan® sobre a habilidade de dirigir ou operar máquinas não foi avaliado. Entretanto, pacientes devem ser alertados sobre o potencial de tontura ou distúrbios visuais, que podem ocorrer dentro de 24 horas após a administração de Zotecan®, e aconselhados a não dirigir ou operar máquinas se estes sintomas ocorrerem.

Advertências do Zotecan


Administração

Zotecan® deve ser administrado obrigatoriamente sob a supervisão de um médico com experiência no uso de agentes quimioterápicos para neoplasia. O controle apropriado de complicações somente é possível quando estiverem disponíveis os recursos adequados para diagnóstico e tratamento.

O uso de Zotecan® nas situações a seguir deve ser avaliado através da análise dos benefícios e riscos esperados, e indicado quando os benefícios superarem os possíveis riscos:

Em pacientes que apresentam um fator de risco (particularmente os com performance status = 2 OMS).

Em raros casos, onde os pacientes apresentam recomendações relacionadas ao controle de eventos adversos (necessidade de tratamento antidiarreico imediato e prolongado combinado a alto consumo de fluidos no início da diarréia tardia). Recomenda-se estrita supervisão hospitalar a tais pacientes.

Sintomas colinérgicos

Os pacientes podem apresentar sintomas colinérgicos (sintomas desencadeados devido a liberação de substâncias chamadas neurotransmissores que controlam funções orgânicas reflexas, de interação com o meio) como rinite, salivação aumentada, miose (fechamento da pupila), lacrimejamento, diaforese (aumento da produção de suor), rubor (vasodilatação), bradicardia (diminuição da freqüência cardíaca) e aumento do peristaltismo (movimento) intestinal, que pode causar cólicas abdominais e diarréia em fase inicial da administração (por ex.: diarréia ocorrendo geralmente durante ou até 8 horas da administração de Zotecan®).

Esses sintomas podem ser observados durante ou logo após da infusão de irinotecano, devendo ocorrer mais freqüentemente com doses mais altas. A administração terapêutica ou profilática de atropina 0,25 a 1 mg por via intravenosa ou subcutânea deve ser considerada (a não ser que contraindicada clinicamente). A definição do uso dessa medicação cabe ao médico que está acompanhando o paciente.

Extravasamento

Embora Zotecan® não seja, sabidamente vesicante (irritante da veia onde o produto está sendo infundido), deve-se tomar cuidado para evitar extravasamento (infusão da medicação fora da veia) e observar o local da infusão quanto a sinais inflamatórios (aumento de calor local, avermelhamento, dor). Caso ocorra extravasa-mento, recomenda-se infusão para “lavar” o local de acesso e aplicação de gelo.

Hepático

Em estudos clínicos foram observados, em menos de 10% dos pacientes, anormalidades das enzimas hepáticas (testes que avaliam a função do fígado). Esses eventos ocorrem tipicamente em pacientes com metástases hepáticas conhecidas e não estão claramente relacionados ao irinotecano.

Hematológico

O irinotecano freqüentemente causa diminuição do número de células do sistema de defesa do organismo e anemia, inclusive graves, devendo ser evitada em pacientes com insuficiência aguda grave da medula óssea (local onde há produção das células sanguíneas). A trombocitopenia (queda na contagem de plaquetas, células sanguíneas, responsáveis pela coagulação) grave é incomum. Nos estudos clínicos, a freqüência de neutropenia (diminuição do número dos neutrófilos, células sanguíneas responsáveis pela função de defesa), foi significativamente maior em pacientes que haviam recebido previamente irradiação pélvica/abdominal do que naqueles que não haviam recebido tal irradiação.

Neutropenia febril (pacientes com diminuição do número de neutrófilos que evoluíram com febre como sinal infeccioso) ocorreu em menos de 10% dos pacientes nos estudos clínicos. Mortes devido à sepse após neutropenia grave foram relatadas em pacientes tratados com Zotecan®. Aterapia com Zotecan® deve ser temporariamente descontinuada caso ocorra neutropenia febril ou se a contagem absoluta de neutrófilos cair abaixo de 1000/mm3. A dose do produto deve ser reduzida no caso de ocorrência de neutropenia não-febril clinicamente significativa.

Reações de hipersensibilidade

Foram relatadas reações de hipersensibilidade, inclusive reações anafilática/anafilactóides graves (reação alérgica grave que pode levar à dificuldade de respirar).

Diarréia tardia

A diarréia tardia (aquela que ocorre mais de 8 horas após a administração do produto) pode ser prolongada e pode levar à desidratação, desequilíbrio eletrolítico ou sepse (processo infecciosos que gera resposta inflamatória/defesa intensa, levando ao comprometimento de vários órgãos), constituindo um risco de morte potencial. Nos estudos clínicos, realizados com o medicamento em referência, que testaram o esquema posológico a cada 3 semanas, a diarréia tardia surgiu, em média, após 5 dias da infusão de irinotecano.

Nos estudos que avaliaram a posologia semanal, este intervalo médio era de 11 dias. Nos pacientes que começaram o tratamento com a dose semanal de 125mg/m2, o tempo médio de duração de qualquer grau de diarréia tardia foi de 3 dias. Nos pacientes tratados com a dose semanal de 125 mg/m2 que tiveram diarréia mais intensa, o tempo médio de duração de todo o episódio de diarréia foi de 7 dias. Resultados de um estudo de um esquema semanal de tratamento não demonstrou diferença na taxa de diarréia tardia em pacientes com 65 anos ou mais em relação a pacientes com menos de 65 anos. Ulceração do cólon, algumas vezes com sangramento, foi observada em associação à diarréia induzida pelo irinotecano.

Se ocorrer diarréia, o médico responsável deve ser avisado e ele tomará as medidas necessárias. A diarréia tardia deve ser tratada com loperamida imediatamente após observar-se o primeiro episódio de fezes amolecidas, ou malformadas, ou ainda, na ocorrência de evacuações em freqüência maior do que a esperada. Em caso de desidratação, devem ser realizadas reposições hídrica (de água) e eletrolítica (de eletrólitos, substâncias como o sódio e o potássio, que são responsáveis pelo equilíbrio químico do nosso organismo), através de soro caseiro ou preparações semelhantes.

Se os pacientes apresentarem íleo paralítico (parada dos movimentos intestinais), febre ou neutropenia (queda do número de neutrófilos, células sanguíneas de defesa) grave, tratamento de suporte com antibióticos deve ser administrado.

Além do tratamento antibiótico, a hospitalização é recomendada para o tratamento de diarréia, nos seguintes casos:
  • Diarréia com febre;
  • Diarréia grave (requerendo hidratação intravenosa);
  • Pacientes com vômito associado à diarréia tardia;
  • Diarréia persistindo por cerca de 48 horas após o início da terapia com altas doses de loperamida.

Após o primeiro ciclo de tratamento, os ciclos quimioterápicos semanais subseqüentes só devem ser iniciados quando a função intestinal (número e quantidade de evacuações) do paciente retornar ao padrão pré-tratamento por, pelo menos, 24 horas sem a necessidade de medicação antidiarréica. Se ocorrer diarréia grave a administração de Zotecan® deve ser descontinuada e retomada em dose reduzida assim que o paciente se recuperar.

Doença inflamatória crônica e/ou obstrução intestinal: em caso de obstrução intestinal os pacientes não devem ser tratados com Zotecan®.

Náuseas e vômitos

Zotecan® é emetogênico (provoca vômito), como os quadros de náuseas e vômitos podem ser intensos ocorrendo geralmente, durante ou logo após a infusão do irinotecano, recomenda-se que os pacientes recebam antieméticos (medicamentos que combatem a náusea e vômitos) pelo menos 30 minutos antes da infusão de Zotecan®. O médico também deve considerar a utilização subseqüente de esquema de tratamento antiemético se necessário. Pacientes com vômito associado à diarréia tardia devem ser hospitalizados assim que possível para tratamento.

Neurológico

Tontura foi observada e pode, algumas vezes, representar evidência sintomática de hipotensão ortostática (queda de pressão arterial relacionada a posição em pé) em pacientes com desidratação.

Renal

Elevação dos níveis séricos de creatinina ou uréia (substâncias que marcam a função renal) foram observados. Ocorreram casos de insuficiência renal aguda (falha no funcionamento normal dos rins). Esses eventos foram atribuídos a complicações infecciosas ou à desidratação, relacionada à náusea, vômitos ou diarréia. Há relatos de disfunção renal decorrente de síndrome de lise tumoral (série de alterações do organismo decorrentes da morte e destruição das células tumorais).

Respiratório

Observou-se um tipo de dispnéia (falta de ar); mas é desconhecido o quanto patologias preexistentes e/ou envolvimento pulmonar maligno (presença de tumor no pulmão) contribuem para o sintoma.

Em estudos iniciais no Japão, pequena porcentagem dos pacientes evoluiu com uma síndrome pulmonar, com potencial de morte, que se apresenta através de dispnéia, febre e de um padrão reticulonodular na radiografia do tórax. Porém, o quanto o irinotecano contribuiu para estes eventos é desconhecido, pois os pacientes também apresentavam tumores pulmonares e, alguns, moléstia pulmonar não maligna preexistente.

Doença pulmonar intersticial, manifestada através de infiltrado pulmonar, é incomum durante terapia com irinotecano. São fatores de risco para o desenvolvimento desta complicação: doenças pulmonares preexistentes, uso de fármacos pneumotóxicos (tóxicos para os pulmões), terapia de radiação e uso de fatores de estimulação de colônias (substâncias que agem na medula óssea estimulando a produção de células sanguíneas).

Na presença de um ou mais destes fatores o paciente deve ser cuidadosamente monitorado quanto a sintomas respiratórios antes e durante a terapia com irinotecano.

Outros

Uma vez que este produto contém sorbitol, não é recomendado o uso em pacientes com intolerância hereditária à frutose.

Atenção: este medicamento contém açúcar, portanto deve ser usado com cautela em diabéticos.

Não foram realizados estudos controlados em pacientes pediátricos. 

Informe ao médico ou cirurgião-dentista o aparecimento de reações indesejáveis.

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