Quais as reações adversas e os efeitos colaterais do Valcyte?
Além dos efeitos benéficos de Valcyte® , é possível que ocorram efeitos indesejáveis durante o tratamento, mesmo quando administrado conforme a prescrição. O médico pode interromper o tratamento temporária ou definitivamente, dependendo de suas condições.
Você deve verificar todos os possíveis efeitos adversos do uso de Valcyte® com o seu médico. Se você apresentar sintomas, você deve contatar seu médico imediatamente.
Experiência dos estudos clínicos com Valcyte®
Como valganciclovir é um pró-fármaco de ganciclovir, é esperado que os efeitos indesejáveis sabidamente associados ao uso de ganciclovir ocorram com Valcyte®. Todas as reações adversas observadas nos estudos clínicos de Valcyte® haviam sido observadas previamente nos estudos realizados com ganciclovir.
Dessa forma, reações adversas reportadas com ganciclovir intravenoso ou oral ou com valganciclovir estão descritas a seguir.
As seguintes categorias de frequência serão utilizadas nesta seção:
- Muito comum (ocorre em 10% ou mais dos pacientes que utilizam este medicamento);
- Comum (ocorre entre 1 e 10% dos pacientes que utilizam este medicamento);
- Incomum (ocorre entre 0,1% e 1% dos pacientes que utilizam este medicamento);
- Raro (ocorre entre 0,01% e 0,1% dos pacientes que utilizam este medicamento);
- Muito raro (ocorre em 0,01% ou menos dos pacientes que utilizam este medicamento).
Em pacientes tratados com valganciclovir / ganciclovir, as reações adversas ao medicamento mais sérias e frequentes são reações hematológicas e incluem neutropenia, anemia e trombocitopenia.
O perfil de segurança global de ganciclovir / valganciclovir é consistente em populações com HIV e em receptores de transplante, com exceção de descolamento de retina, que foi relatado somente em pacientes com HIV com retinite por CMV. No entanto, existem algumas diferenças na frequência de determinadas reações. Valganciclovir está associado a um maior risco de diarreia em comparação com ganciclovir intravenoso. Pirexia (febre), infecções por Candida, depressão, neutropenia grave e reações cutâneas são relatadas com mais frequência em pacientes com HIV. Disfunções renal e hepática são relatadas com mais frequência em receptores de transplante de órgão.
Infecções e infestações
- Muito comum: infecções por Candida incluindo candidíase oral (infecção fúngica), infecção do trato respiratório superior.
- Comum: sepse (infecção geral grave), gripe, infecção do trato urinário, celulite.
Distúrbios do sangue e do sistema linfático
- Muito comum: neutropenia (redução de um dos tipos de glóbulos brancos, responsável pela defesa de infecções), anemia (diminuição dos níveis de hemoglobina, responsável pelo transporte de oxigênio dos pulmões aos tecidos, na circulação sanguínea);
- Comum: trombocitopenia (redução das plaquetas, que auxiliam na coagulação do sangue), leucopenia (diminuição de glóbulos brancos do sangue, que são responsáveis pela defesa do organismo), pancitopenia (diminuição global de elementos celulares do sangue como glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas);
- Incomum: insuficiência da medula óssea;
- Rara: anemia aplástica, agranulocitose*, granulocitopenia*.
Distúrbios do sistema imunológico
- Comum: hipersensibilidade;
- Rara: reação anafilática*.
Distúrbios do metabolismo e da nutrição
- Muito comum: redução de apetite;
- Comum: redução de peso.
Distúrbios psiquiátricos
- Comum: depressão, estado de confusão, ansiedade;
- Incomum: agitação, transtorno psicótico, pensamento anormal, alucinações.
Distúrbios do sistema nervoso
- Muito comum: cefaleia (dor de cabeça);
- Comum: insônia, neuropatia periférica (comprometimento dos nervos periféricos que se manifesta por formigamentos, perda de sensibilidade), tontura, parestesia (formigamento ou dormência de uma região do corpo), hipoestesia (diminuição de diversas formas de sensibilidade), convulsão, disgeusia (distúrbio do paladar);
- Incomum: tremor.
Distúrbios oculares
- Comum: comprometimento visual, descolamento de retina**, moscas volantes, dor ocular, conjuntivite, edema macular.
Distúrbios do ouvido e do labirinto
- Comum: dor de ouvido;
- Incomum: surdez.
Distúrbios cardíacos
- Incomum: arritmias.
Distúrbios vasculares
- Comum: hipotensão.
Distúrbios respiratórios, torácicos e mediastinais
- Muito comum: tosse, dispneia (dificuldade para respirar).
Distúrbios gastrointestinais
- Muito comum: diarreia, náusea, vômito, dor abdominal;
- Comum: dispepsia (dificuldade de digestão), flatulência, dor abdominal superior, constipação, ulceração na boca, disfagia (incapacidade ou dificuldade para engolir), distensão abdominal, pancreatite.
Distúrbios hepatobiliares
- Comum: aumento da fosfatase alcalina sanguínea (substância produzida por muitos tecidos, como fígado e ossos), função hepática anormal, aumento de aspartato aminotransferase, aumento de alanina aminotransferase.
Distúrbios da pele e do tecido subcutâneo
- Muito comum: dermatite;
- Comum: sudorese noturna, prurido (coceira), erupção cutânea, alopecia (queda temporária de pelos e cabelos);
- Incomum: pele seca, urticária.
Distúrbios musculoesqueléticos e do tecido conjuntivo
- Comum: dor nas costas, mialgia (dor muscular, localizada ou não), artralgia (dor na articulação), espasmos musculares.
Distúrbios renais e urinários
- Comum: comprometimento renal, redução da depuração de creatinina renal, aumento de creatinina sanguínea (substância que indica insuficiência renal);
- Incomum: insuficiência renal, hematúria (presença de sangue na urina).
Distúrbios do sistema reprodutor e da mama
- Incomum: infertilidade masculina.
Distúrbios gerais e condições no local de administração
- Muito comum: pirexia (febre), fadiga;
- Comum: dor, calafrios, mal-estar, astenia;
- Incomum: dor torácica.
* As frequências dessas reações adversas são derivadas da experiência pós-comercialização.
** Descolamento de retina foi relatado somente em estudos em pacientes com HIV tratados para retinite por CMV.
Descrição de reações adversas selecionadas
- Neutropenia: O risco de neutropenia não é previsível com base no número de neutrófilos antes do tratamento. A neutropenia ocorre geralmente durante a primeira ou segunda semana da terapia de indução. A contagem de células é em geral normalizada no período de 2 a 5 dias após a descontinuação do medicamento ou a redução da dose.
- Trombocitopenia: Pacientes com baixa contagem de plaquetas apresentam um risco maior de desenvolver trombocitopenia. Pacientes com imunossupressão iatrogênica decorrente do tratamento com medicamentos imunossupressores estão em risco mais elevado de trombocitopenia do que os pacientes com HIV. A trombocitopenia grave pode estar associada a sangramento com possível risco à vida.
Influência da duração do tratamento ou indicação nas reações adversas
Neutropenia grave é observada com maior frequência em pacientes com retinite por CMV submetidos a tratamento com valganciclovir do que em pacientes de transplante de órgãos sólidos que receberam valganciclovir ou ganciclovir oral. Em pacientes que receberam valganciclovir ou ganciclovir oral até o dia 100 pós-transplante, a incidência de neutropenia grave foi de 5% e 3%, respectivamente, enquanto que em pacientes que receberam valganciclovir até o dia 200 pós-transplante, a incidência de neutropenia grave foi de 10%. Houve um aumento maior na creatinina sérica observada em pacientes de transplante de órgãos sólidos tratados até o dia 100 ou dia 200 pós-transplante com ambos valganciclovir e ganciclovir oral, quando comparado com pacientes com retinite por CMV. No entanto, insuficiência renal é uma característica mais frequente em pacientes de transplante de órgãos sólidos.
O perfil de segurança global de Valcyte® não se alterou com a extensão da profilaxia até 200 dias em pacientes transplantados renais de alto risco. Leucopenia foi relatada com uma incidência ligeiramente mais elevada no braço de 200 dias, enquanto a incidência de neutropenia, anemia e trombocitopenia foram semelhantes em ambos os braços.
Prevenção da doença causada por CMV em pacientes pediátricos de TOS
Em geral, o perfil de segurança global em pacientes pediátricos foi similar ao perfil em adultos. Neutropenia foi reportada com uma incidência ligeiramente maior nos dois estudos pediátricos em comparação aos estudos com adultos, porém neutropenia e eventos adversos infecciosos não foram, em geral, correlacionados nas populações pediátricas. Em pacientes pediátricos receptores de transplante de rim, a extensão do tratamento com Valcyte® até 200 dias não se associou ao aumento da incidência de eventos adversos.
CMV congênita
A segurança e eficácia de Valcyte® comprimidos revestidos não foram estabelecidas em crianças para tratamento de infecção por CMV congênita.
Anormalidades laboratoriais
As anormalidades laboratoriais reportadas em pacientes com retinite por CMV e pacientes adultos e pediátricos de TOS foram neutropenia, anemia, trombocitopenia e aumento da creatinina no sangue. A incidência de anormalidades em pacientes adultos laboratoriais foi comparável com a extensão da profilaxia em até 200 dias em pacientes transplantados renais de alto risco. A incidência de neutropenia grave foi maior em pacientes pediátricos de transplante de rim tratados até o 200º dia em comparação com pacientes pediátricos de transplante de rim tratados até o 100º dia ou pacientes adultos de transplante de rim tratados até o 100º ou 200º dia.
Experiência pós-comercialização com ganciclovir e Valcyte®
Os relatórios de segurança baseados nos dados recebidos de pacientes que utilizavam Valcyte® são consistentes com os dados de segurança vistos quando o ganciclovir e valganciclovir foram avaliados dentro de pesquisas clínicas.
Atenção: este produto é um medicamento que possui uma ampliação de uso no país e, embora as pesquisas tenham indicado eficácia e segurança aceitáveis, mesmo que indicado e utilizado corretamente, podem ocorrer eventos adversos imprevisíveis ou desconhecidos. Nesse caso, informe seu médico.
Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)