Como usar - Oxynorm

Bula Oxynorm

Princípio ativo: Oxicodona

Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)

Como usar o Oxynorm?

Oxicodona comprimidos possui tecnologia anti-abuso, que impede a trituração/maceração do comprimido.

Este medicamento não deve ser partido ou mastigado.

No tratamento da dor é fundamental a avaliação sistemática do paciente. Ademais, a terapia deverá ser revisada regularmente, sendo ajustada baseando-se nas informações do próprio paciente referente à dor e eventos adversos, bem como na avaliação clínica do profissional.

A natureza da liberação prolongada da formulação permite que Oxicodona comprimidos seja administrado cada 12 horas. Embora a dosagem simétrica (doses matinal e vespertina iguais) a cada 12 horas seja adequada para a maioria dos pacientes, alguns deles poderão beneficiar-se de uma dosagem assimétrica (com a dose da manhã diferindo da dose da tarde), ajustada ao caso. Normalmente é adequado o tratamento com um único opioide, usando-se terapia de 24 horas.

Início da terapia

É impreterível que o regime de dosagem seja iniciado individualmente para cada paciente, considerando-se o tratamento prévio do paciente, com analgésicos opioides ou não-opioides.

Entre os fatores a serem considerados, estão os seguintes:

  • A condição geral e o estado médico do paciente;
  • A dose diária, a potência e o(s) tipo(s) do(s) analgésico(s) de uso anterior;
  • A confiabilidade da estimativa de conversão, utilizada para calcular a dose de Oxicodona;
  • A exposição do paciente a opioides, e sua tolerância aos mesmos;
  • O equilíbrio entre o controle da dor e as reações adversas.

Deve-se tomar precauções no sentido de administrarem-se inicialmente doses baixas de Oxicodona em pacientes que ainda não tenham desenvolvido tolerância aos opioides, especialmente no caso de pacientes que concomitantemente estejam recebendo um tratamento com relaxantes musculares, sedativos ou outros medicamentos que atuem sobre o SNC.

Pacientes que ainda não estejam utilizando opioides

Os ensaios clínicos demonstraram que em tais pacientes a terapia analgésica poderá ser iniciada com Oxicodona. Para a maioria dos pacientes nessa categoria, uma dose inicial razoável consistiria em 10 mg a cada 12 horas. Caso esteja sendo administrado um analgésico não-opioide (aspirina, paracetamol ou uma droga anti-inflamatória não-esteroide), este não-opioide poderá ser continuado concomitantemente ao tratamento com Oxicodona. Se for descontinuado, é possível que a dose de Oxicodona tenha que ser aumentada.

Pacientes tratados com terapia opioide

Se o paciente já estiver recebendo medicamentos contendo opioides antes da terapia com Oxicodona, a dose diária total (24 horas) dos outros opioides deverá ser determinada da seguinte forma:

  • Utilizando os fatores de conversão da Tabela 2, multiplicar as doses (em mg/dia) dos opioides prévios pelo respectivo fator, obtendo-se assim a dose diária total equivalente em termos de Oxicodona;
  • Dividir pela metade a dose para 24 horas assim obtida, para determinar a dose de Oxicodona a ser administrada 2 vezes ao dia (cada 12 horas);
  • Ajustando para baixo, calcular a dosagem correta em termos das potências existentes de comprimidos de Oxicodona (10 mg, 20 mg ou 40 mg);
  • Ao iniciar a terapia com Oxicodona comprimidos descontinuar dentro de 24 horas a administração de todos os outros medicamentos opioides.

É provável que nenhuma conversão fixa se revele satisfatória para a totalidade dos pacientes, especialmente com os que já estejam recebendo altas doses de opioides. As dosagens recomendadas na Tabela 2 representam somente um ponto de partida, sendo necessárias cuidadosas observações e frequentes titulações, a fim de garantir que os pacientes cheguem a uma nova terapia estável.

Tabela 2: Fatores de multiplicação para converter as doses diárias de opioides prévios para a dose diária de Oxicodona oral* (mg/dia de opioide prévio x fator = mg/dia de Oxicodona oral)

Opioide prévio

Fator para opioide prévio oral

Fator para opioide prévio parenteral

Oxicodona

1-

Codeína

0,15-

Fentanil transdérmico

Veja abaixo

Veja abaixo

Hidrocodona

0,9

-

Hidromorfona

4

20

Levofarnol

7,515

Meperidina

0,10,4

Metadona

1,53

Morfina

0,5

1,5

*Esse cálculo somente deve ser usado para converter à Oxicodona oral. No caso de pacientes que estejam recebendo altas doses de opioides parenterais, aconselha-se uma conversão mais conservadora. Assim, no caso de altas doses de morfina parenteral, deve-se usar um fator de conversão igual a 1,5.

Em todos os casos deve-se dispor de uma analgesia suplementar (veja mais abaixo), sob forma de um analgésico apropriado do tipo curta ação.

Conversão de fentanil transdérmico para comprimidos de Oxicodona

18 horas após a eliminação do adesivo transdérmico de fentanil, pode-se iniciar o tratamento com Oxicodona. Cada 25 mcg de fentanil transdérmico corresponde a 10 mg de Oxicodona. Deve-se manter vigilância estrita sobre o paciente, com referência à titulação precoce, já que a experiência clínica com esta conversão é muito limitada.

Manejo de prováveis reações adversas com opioides

A maioria dos pacientes tratados com opioides - especialmente pacientes que nunca utilizaram opioides anteriormente - sofrerá reações adversas.

As reações adversas causadas pelo Oxicodona comprimidos são frequentemente transitórias, mas poderão necessitar de avaliação e manejo. A constipação, reação adversa muito comum, deve ser tratada profilaticamente, com um laxante estimulante e/ou um amaciante de fezes. Habitualmente, os pacientes não se tornam tolerantes aos efeitos constipantes dos opioides.

Outras reações adversas dos opioides, tais como a sedação e as náuseas, são geralmente autolimitadas, e frequentemente não persistem além dos primeiros dias. Caso as náuseas persistam de forma inaceitável ao paciente, deve-se considerar o tratamento com antieméticos ou outras medidas capazes de aliviar esses sintomas.

Às vezes, os pacientes tratados com Oxicodona notam a passagem de uma matriz de comprimido, intacta, nas fezes ou via colostomia. Essas matrizes contêm pouca ou nenhuma Oxicodona residual e portanto não têm importância clínica.

Individualização da dose

Uma vez iniciada a terapia, devem-se avaliar frequentemente o alívio da dor e os outros efeitos dos opioides. As doses dos pacientes devem ser fixadas de forma a produzirem efeito adequado (geralmente dor leve ou ausente, com a administração regular de, no máximo, 2 doses de analgesia suplementar durante 24 horas). Deve estar à disposição uma medicação "resgate" (maiores detalhes em “Analgesia suplementar”). uma vez que as concentrações plasmáticas no estado de equilíbrio são alcançadas em aproximadamente 24 a 36 horas, a dose poderá ser ajustada a cada 1 ou 2 dias. O mais adequado é aumentar a dose administrada a cada 12 horas, e não a frequência da dosagem, pois não existem informações clínicas sobre intervalos entre administrações menores que 12 horas. A dose diária total de Oxicodona em uso poderá ser elevada em 25% a 50% em cada aumento de dose.

Em caso de sinais de reações adversas excessivas relacionadas ao opioide, a próxima dose poderá ser reduzida. Se, por sua vez, esse ajuste levar a uma analgesia inadequada, poderá se administrar uma dose suplementar de Oxicodona de liberação imediata. Alternativamente, podem-se utilizar adjuvantes analgésicos não-opioides. Devem ser efetuados os ajustes de dose necessários para obter o equilíbrio adequado entre o alívio da dor e as reações adversas relacionadas ao opioide.

Caso ocorram reações adversas significativas antes de se chegar à meta terapêutica (dor leve ou nenhuma dor), tais eventos deverão ser tratados de forma agressiva. Uma vez controladas as reações adversas, deve-se continuar com a titulação ascendente, até a obtenção de um nível aceitável de controle da dor.

Durante as fases de mudanças nas necessidades analgésicas - inclusive a titulação inicial - recomenda-se manter frequentes contatos entre o médico, os outros membros da equipe médica, o paciente e sua família.

Analgesia suplementar

É possível que a maioria dos pacientes que recebem terapia 24 horas por dia com opioides de liberação controlada precise ter à sua disposição medicamentos de liberação imediata tipo "resgate”. Estes medicamentos devem estar disponíveis para lidar com exacerbações da dor ou para prevenir a dor que ocorre previsivelmente durante certas atividades do paciente (dor incidental).

Manutenção da terapia

O objetivo da fase de titulação é determinar a dose necessária para analgesia durante as 12 horas, a qual é específica para o paciente, e que manterá uma analgesia adequada com efeitos colaterais aceitáveis durante todo o tempo necessário para o alívio da dor.

Se a dor surgir novamente, a dose poderá ser aumentada, a fim de restabelecer o controle da dor. Durante a terapia crônica - especialmente em casos de síndromes de dor não-oncológicas - a necessidade contínua de terapia opioide durante 24 horas deverá ser reconfirmada periodicamente (isto é, cada 6 a 12 meses), conforme apropriado a cada caso.

Suspensão da terapia

Quando o paciente não mais necessitar de terapia com Oxicodona, as doses deverão ser diminuídas gradualmente, evitando-se sinais e sintomas de abstinência.

Conversão de comprimidos de Oxicodona para opioides parenterais

A fim de evitar superdose, devem-se usar índices de conversão de dose conservadores.

Pacientes com comprometimento renal ou hepático

A dose inicial deve seguir uma estratégia conservadora nesses pacientes. A dose inicial recomendada para adultos deve ser reduzida a 50% (por exemplo, uma dose total diária oral de 10 mg em pacientes que ainda não utilizaram opioides), e a titulação de dose para adequado controle da dor deve ser realizado de acordo com a situação clínica do paciente.

O que você está sentindo?

Use o BulaBot para fins informativos.