Qual a ação da substância do Nuit Flash?
Ganzoni e colaboradores avaliaram um total de 1972 pacientes em um estudo de três anos de vigilância pós-comercialização, o total de pacientes inclusos nesta avaliação representa aproximadamente 1% de todas as doses de zolpidem distribuídas na Suíça durante o período considerado, além de que a população do estudo foi representativa da população geral com insônia, sendo 65,2% das pacientes mulheres, com média de idade de 54,6 anos (variação de 15 a 96 anos) e idosos (com idade de 65 anos ou mais) representaram 29% da população avaliada. Os resultados do estudo confirmaram o perfil de segurança do zolpidem, desde de que as doses recomendadas e as precauções de uso sejam totalmente respeitadas.
Num estudo clínico randomizado, duplo-cego realizado com o objetivo de avaliar os efeitos de zolpidem no sono e na toxicidade comportamental em idosos com latência de sono de pelo menos 30 minutos, verificou-se que o zolpidem produz melhora para iniciar o sono e melhora na qualidade do sono em idosos, sem prejudicar o desempenho no dia seguinte. Adicionalmente, concluiu-se que durante a administração repetida de zolpidem, não houve tolerância aos efeitos de latência ou qualidade do sono em idosos. (Fairweather DB, 1992).
Outro estudo clínico randomizado, duplo-cego avaliou os efeitos de hipnóticos comumente prescritos sobre a oscilação postural e a memória de idosos. Os medicamentos zolpidem 5 mg, zopiclona 3,75 mg, lormetazepam 1 mg e placebo foram administrados para quarenta e nove idosos saudáveis (21 homens e 28 mulheres). Concluiu-se que um efeito sedativo foi observado com as três drogas ativas em comparação ao placebo, no entanto, o zolpidem foi o medicamento mais seguro no que diz respeito a oscilação postural, muito provavelmente devido ao seu efeito de curta duração. Além disso, o zolpidem não mostrou nenhum efeito significativo sobre as funções da memória, na presente comparação de dose. (Bentue AH, 2003).
Kajiwara A e colaboradores investigaram a segurança da administração de zolpidem em idosos. Um total de 1011 usuários de zolpidem, incluindo 316 homens e 695 mulheres, sendo 261 (25,8%) indivíduos com 80 anos ou mais, sem complicações cognitivas ou mentais, foram elegíveis para a análise. Uma dose adequada de zolpidem (1,25mg – 10mg) foi prescrita, e ajustes de dose foram realizadas para pacientes idosos com 65 anos ou mais. Concluiu-se que os doses baixas de zolpidem podem ser prescritas com segurança para indivíduos com 80 anos ou mais, sem complicações cognitivas ou mentais.
Referências Bibliográficas
Allain H, Bentue -Ferrer D, Tarral A and Gandon JM. Effects on postural oscillation and memory functions of a single dose of zolpidem 5 mg, zopiclone 3.75 mg and lormetazepam 1 mg in elderly healthy subjects. A randomized, cross-over, double-blind study versus placebo. Eur J Clin Pharmacol (2003) 59: 179–188.
Fairweather DB, Kerr JS and Hindmarch I. The effects of acute and repeated doses of zolpidem on subjective sleep, psychomotor performance and cognitive function in elderly volunteers. Eur J Clin Pharmacol (1992) 43:597-601.
Ganzoni E, Santoni JP, Chevillard V, Sébille M, Mathy B. Zolpidem in insomnia: a 3-year post-marketing surveillance study in Switzerland. J Int Med Res. 1995 Jan-Feb;23(1):61-73.
Kajiwara A, Yamamura M, Murase M, Koda H, Hirota S, Ishizuka T, Morita K, Oniki K, Saruwatari J and Nakagawa K. Safety analysis of zolpidem in elderly subjects 80 years of age or older: adverse event monitoring in Japanese subjects. Aging & Mental Health 2015. Vol.0, Nº0, 1-5.
Características Farmacológicas
Propriedades farmacodinâmicas
O zolpidem é um agente hipnótico pertencente ao grupo das imidazopiridinas.
Estudos experimentais demonstraram que zolpidem promove um efeito sedativo em doses muito inferiores àquelas necessárias para obtenção de um efeito anticonvulsivante, relaxante muscular ou ansiolítico. Esses efeitos são devidos a uma atividade agonista seletiva sobre um receptor GABAÔMEGA, que modula a abertura do canal de cloro. O zolpidem é um agonista preferencial da subclasse de receptores ômega 1 (BZD1).
No homem, zolpidem encurta o tempo de indução ao sono, reduz o número de despertares noturnos e aumenta a duração total do sono, melhorando sua qualidade. Esses efeitos estão associados a um perfil eletroencefalográfico específico, diferente daquele observado com as benzodiazepinas. Estudos em laboratório de sono mostraram que zolpidem prolonga o estágio II do sono bem como os estágios de sono profundo (III e IV). Na dosagem recomendada, o zolpidem não possui efeito sobre a duração total do sono paradoxal (fase REM).
Propriedades farmacocinéticas
Absorção
- Após administração oral, o zolpidem apresenta uma biodisponibilidade de aproximadamente 70%, com as concentrações plasmáticas máximas sendo alcançadas entre 0,5 e 3 horas.
Distribuição
- Em doses terapêuticas, zolpidem possui farmacocinética linear. A ligação às proteínas plasmáticas é da ordem de 92% e o volume de distribuição em adultos é de 0,54 + 0,02 l/Kg.
Eliminação
- Zolpidem é metabolizado no fígado e eliminado na forma de metabólitos inativos, na urina (aproximadamente 60%) e nas fezes (aproximadamente 40%), não possuindo efeito indutivo sobre as enzimas hepáticas.
A meia-vida plasmática é, em média, de 2,4 horas (0,7 a 3,5 horas).
Em pacientes idosos, observa-se uma diminuição na depuração hepática, havendo um aumento de cerca de 50% nas concentrações de pico, sem prolongamento significativo na meia-vida (média: 3 horas). O volume de distribuição apresenta-se reduzido em 0,34 + 0,05l/Kg.
Na presença de insuficiência renal, com ou sem diálise, ocorre uma leve diminuição na depuração renal, mas os outros parâmetros cinéticos não são alterados.
O zolpidem não é dialisável.
A biodisponibilidade encontra-se aumentada em pacientes com insuficiência hepática. A depuração é consideravelmente reduzida e a meia-vida prolongada (aproximadamente 10 horas).
Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)