Quais cuidados devo ter ao usar o Hemifumarato de Quetiapina Pfizer?
Ideação suicida e comportamento suicida ou piora clínica
A depressão está associada a aumento de risco de ideação suicida, auto-mutilação e comportamento suicida. Este risco persiste até ocorrer uma remissão significativa. Como a melhora clinica pode não ocorrer nas primeiras semanas de tratamento, os pacientes devem ser cuidadosamente monitorados até que a melhora ocorra. A experiência clínica demonstra que o risco de suicídio pode aumentar nos primeiros estágios da recuperação.
Outros transtornos psiquiátricos para os quais o Hemifumarato de Quetiapina é prescrita também podem estar associados ao aumento do risco de comportamento suicida.*
*Exclusivo Comprimido de Liberação Prolongada: Além disso, essas condições podem ser associadas a episódios de depressão maior. As mesmas precauções observadas no tratamento de pacientes com episódios de depressão maior devem ser tomadas durante o tratamento de pacientes com outros transtornos psiquiátricos.
Pacientes com histórico de comportamento suicida ou aqueles que apresentavam um grau significativo de ideação suicida antes do início do tratamento são conhecidos por apresentar altos riscos de pensamentos suicidas ou tentativas de suicídio e devem ser cuidadosamente monitorados durante o tratamento. Uma metanálise da FDA de estudos clínicos placebo-controlados com fármacos antidepressivos em aproximadamente 4400 crianças e adolescentes e 77000 pacientes adultos com transtornos psiquiátricos mostrou um aumento de risco de comportamento suicida com antidepressivos em comparação com o placebo em crianças, adolescentes e jovens com menos de 25 anos de idade. Esta metanálise não incluiu estudos envolvendo o Hemifumarato de Quetiapina.
Neutropenia e agranulocitose
Neutropenia grave (<0,5 x 109 /L) sem infecção foi raramente relatada nos estudos clínicos de curto prazo placebo controlados em monoterapia com Hemifumarato de Quetiapina. Há relatos de agranulocitose (neutropenia grave com infecção) entre todos os pacientes tratados com Hemifumarato de Quetiapina nos ensaios clínicos (rara) assim como no período pós-comercialização (incluindo casos fatais). A maioria desses casos de neutropenia grave ocorreram dentro dos primeiros dois meses do início de tratamento com Hemifumarato de Quetiapina. Aparentemente não houve relação com a dose. Os possíveis fatores de risco para neutropenia incluem a baixa contagem de leucócitos preexistente e histórico de neutropenia induzida por fármacos. O Hemifumarato de Quetiapina deve ser descontinuada em pacientes com contagem de neutrófilos <1,0 x 109 /L. Esses pacientes devem ser observados quanto aos sinais e sintomas de infecção e contagem de neutrófilos (até 1,5 x 109 /L).
Houve casos de agranulocitose em pacientes sem fatores de risco preexistentes. A neutropenia deve ser considerada em pacientes com infecção, especialmente na ausência de fatores de predisposição óbvios, ou em pacientes com febre inexplicável, e devem ser tratadas de modo clinicamente apropriado.
Aumentos de glicose no sangue e hiperglicemia
Aumentos de glicose no sangue e hiperglicemia, e relatos ocasionais de diabetes foram observados nos estudos clínicos com Hemifumarato de Quetiapina. Embora uma relação causal com o diabetes não tenha sido estabelecida, pacientes que apresentem risco para desenvolver diabetes são aconselhados a fazer monitoramento clínico apropriado. Do mesmo modo, pacientes diabéticos devem ser monitorados para possível exacerbação.
Lipídeos
Aumentos de triglicérides e colesterol e diminuição de HDL foram observados nos estudos clínicos com Hemifumarato de Quetiapina. Mudanças no perfil lipídico devem ser clinicamente controladas.
Fatores Metabólicos
Em alguns pacientes observou-se nos estudos clínicos o agravamento de mais de um dos fatores metabólicos de peso, glicemia e lipídeos. Alterações nesses parâmetros devem ser clinicamente controladas.
Doenças concomitantes
Hemifumarato de Quetiapina deve ser usado com precaução em pacientes com doença cardiovascular conhecida, doença vascular cerebral ou outras condições que predisponham à hipotensão.
Hemifumarato de Quetiapina pode induzir hipotensão ortostática, especialmente durante o período inicial de titulação da dose.
Em pacientes com histórico ou em risco para apneia do sono e que estão recebendo concomitantemente depressivos do sistema nervoso central (SNC), Hemifumarato de Quetiapina deve ser utilizado com cautela.
Disfagia
Disfagia e aspiração têm sido relatadas com Hemifumarato de Quetiapina. Embora uma relação causal com pneumonia por aspiração não tenha sido estabelecida, Hemifumarato de Quetiapina deve ser usado com cautela em pacientes com risco de pneumonia por aspiração.
Sintomas extrapiramidais (EPS)
Em estudos clínicos placebo-controlados em esquizofrenia e mania bipolar, a incidência de EPS não foi diferente do placebo em toda a faixa de doses recomendada. Isto é um fator preditivo de que a quetiapina tenha menor potencial de induzir discinesia tardia em pacientes portadores de esquizofrenia e mania bipolar em comparação com agentes antipsicóticos típicos. Em estudos clínicos placebo-controlados de curto prazo em depressão bipolar, a incidência de EPS foi maior em pacientes tratados com Hemifumarato de Quetiapina do que nos pacientes tratados com placebo.
Síndrome neuroléptica maligna
Um complexo de sintomas potencialmente fatal, por vezes referido como SNM – Síndrome Neuroléptica Maligna tem sido relatada em associação com a administração de fármacos antipsicóticos, incluindo Hemifumarato de Quetiapina. Casos raros de SNM já foram relatados com Hemifumarato de Quetiapina. As manifestações clínicas da SNM são hiperpirexia, rigidez muscular, estado mental alterado e evidência de instabilidade autonôma (pulso ou pressão arterial irregular, taquicardia, diaforese e arritmia cardíaca). Sinais adicionais podem incluir aumento da creatina fosfoquinase, mioglobinúria (rabdomiólise) e insuficiência renal aguda.
A avaliação diagnóstica dos pacientes com esta síndrome é complicada. Para chegar a um diagnóstico, é importante excluir os casos em que quadro clínico inclua tanto doença médica grave (por exemplo, pneumonia, infecção sistêmica, etc.) e não tratada ou sinais e sintomas extrapiramidais (EPS) inadequadamente tratados. Outras considerações importantes no diagnóstico diferencial incluem a toxicidade centro anticolinérgico, insolação, febre medicamentosa e patologia primária do Sistema Nervoso Central (SNC).
A gestão do SNM deve incluir:
- Interrupção imediata dos fármacos antipsicóticos e outros medicamentos não essenciais para a terapia concomitante;
- Tratamento sintomático intensivo e acompanhamento médico;
- O tratamento de quaisquer problemas médicos sérios concomitantes para os quais estão disponíveis tratamentos específicos.
Não existe um acordo geral sobre os regimes de tratamento farmacológicos específicos para SNM.
Se um paciente requerer tratamento com droga antipsicótica após recuperação de SNM, a reintrodução da terapia medicamentosa deve ser cuidadosamente considerada. O paciente deve ser cuidadosamente monitorado quando o reaparecimento de SNM for relatado.
Discinesia tardia
Uma síndrome de movimentos discinéticos involuntários potencialmente irreversível pode se desenvolver em pacientes tratados com medicamentos antipsicóticos, incluindo Hemifumarato de Quetiapina. Embora a prevalência da síndrome pareça ser maior entre idosos, especialmente mulheres idosas, não é possível confiar em estimativas de prevalência para prever, no início do tratamento antipsicótico, quais pacientes são propensos a desenvolver a síndrome. É desconhecido, se medicamentos antipsicóticos diferem quanto ao potencial de causar discinesia tardia.
Acredita-se que o risco de desenvolver discinesia tardia e a probabilidade de que ele se torne irreversível aumentam à medida que a duração do tratamento e da dose cumulativa total de medicamentos antipsicóticos administrados ao paciente aumenta. No entanto, a síndrome pode se desenvolver, embora muito menos frequente, após períodos de tratamento relativamente curtos em doses baixas ou podem mesmo surgir, após a interrupção do tratamento.
Não há nenhum tratamento conhecido para casos estabelecidos de discinesia tardia, embora a síndrome possa diminuir, parcial ou totalmente, se o tratamento antipsicótico for retirado. O tratamento antipsicótico, em si, no entanto, pode suprimir (ou parcialmente suprimir) os sinais e sintomas da síndrome e, assim, pode mascarar o processo subjacente. O efeito que a supressão sintomática tem sobre o efeito de longo prazo da síndrome é desconhecido.
Tendo em conta estas considerações, Hemifumarato de Quetiapina deve ser prescrito de maneira a minimizar uma possível ocorrência de discinesia tardia. O tratamento crônico de antipsicótico geralmente deve ser reservado para pacientes que parecem sofrer de uma doença crónica que responde a antipsicóticos, e, para quem os tratamentos alternativos, igualmente eficazes, mas potencialmente menos prejudiciais não estão disponíveis ou adequados. Deve-se buscar a menor dose e a duração mais curta de tratamento que produza uma resposta clínica satisfatória em pacientes que necessitam de tratamento crônico. A necessidade de tratamento contínuo deve ser reavaliada periodicamente.
Se os sinais e sintomas de discinesia tardia se apresentarem em um paciente em tratamento com Hemifumarato de Quetiapina, a descontinuação do medicamento deve ser considerada. No entanto, alguns pacientes podem necessitar do tratamento com Hemifumarato de Quetiapina, apesar da presença da síndrome.
Convulsões
Durante os ensaios clínicos, convulsões ocorreram em 0,5% (20/3490) dos pacientes tratados com Hemifumarato de Quetiapina em comparação com 0,2% (2/954) no grupo placebo e 0,7% (4/527) no grupo controle com medicamento ativo. Tal como acontece com outros antipsicóticos, Hemifumarato de Quetiapina deve ser usado com precaução em pacientes com histórico de convulsões ou com condições que potencialmente diminuam o limiar convulsivo, por exemplo, Alzheimer. As condições que diminuem o limiar convulsivo podem ser mais prevalentes na população de 65 anos ou mais.
Prolongamento do intervalo QT
Em estudos clínicos, o Hemifumarato de Quetiapina não foi associada a aumento persistente no intervalo QT absoluto. Entretanto, na experiência pós-comercialização houve casos relatados de prolongamento do intervalo QT com superdose (ver item Superdose). Assim como com outros antipsicóticos, o Hemifumarato de Quetiapina deve ser prescrita com cautela a pacientes com distúrbios cardiovasculares ou histórico familiar de prolongamento de intervalo QT. O Hemifumarato de Quetiapina também deve ser prescrita com cautela tanto com medicamentos conhecidos por aumentar o intervalo QT como em concomitância com neurolépticos, especialmente para pacientes com risco aumentado de prolongamento do intervalo QT, como pacientes idosos, pacientes com síndrome congênita de intervalo QT longo, insuficiência cardíaca congestiva, hipertrofia cardíaca, hipocalemia ou hipomagnesemia.
Cardiomiopatias e Miocardites
Cardiomiopatias e miocardites foram reportadas em estudos clínicos e na experiência póscomercialização, entretanto a relação causal com o Hemifumarato de Quetiapina não foi estabelecia. O tratamento com Hemifumarato de Quetiapina, para pacientes com suspeita de cardiomiopatia ou miocardites, deve ser reavaliado.
Reações Adversas Cutâneas Graves
Reações Adversas Cutâneas Graves (SCARs), incluindo síndrome de Stevens-Johnsons (SJS), Necrólise Epidérmica Tóxica (TEN) e reações ao medicamento com eosinofilia e sintomas sistêmicos (DRESS) são reações adversas potencialmente fatais que foram reportadas durante a exposição ao Hemifumarato de Quetiapina. SCARs normalmente são apresentadas como uma combinação dos seguintes sintomas: erupção cutânea extensa ou dermatite esfoliativa, febre, linfadenopatia e possível eosinofilia. Descontinue o uso de Hemifumarato de Quetiapina caso ocorram Reações Adversas Cutâneas Graves.
Descontinuação
Sintomas de abstinência por descontinuação aguda como insônia, náusea e vômito têm sido descritos após interrupção abrupta do tratamento com fármacos antipsicóticos como o Hemifumarato de Quetiapina. É aconselhada a descontinuação gradual por um período de pelo menos uma a duas semanas.
Uso indevido e abuso
Casos de uso indevido e abuso têm sido reportados. É necessário cuidado ao prescrever Hemifumarato de Quetiapina para pacientes com histórico de abuso de drogas ou álcool.
Efeitos anticolinérgicos (muscarínico)
A norquetiapina, um metabólito ativo do Hemifumarato de Quetiapina, tem afinidade moderada à alta por vários subtipos de receptores muscarínicos. Isto contribui para as reações adversas a medicamentos (ADRs) que refletem os efeitos anticolinérgico, quando Hemifumarato de Quetiapina é utilizado nas doses recomendadas, concomitantemente a outras medicações com efeito anticolinérgico e quando estabelecida uma superdose.
Hemifumarato de Quetiapina deve ser utilizado com cautela por pacientes recebendo medicamentos que apresentam efeitos anticolinérgicos (muscarínicos).
Hemifumarato de Quetiapina deve ser utilizado com cautela em pacientes com diagnóstico atual ou histórico de retenção urinária, hipertrofia prostática clinicamente significativa, obstrução intestinal ou condições relacionadas, pressão intraocular elevada ou glaucoma de ângulo fechado.
Interações
O uso concomitante de Hemifumarato de Quetiapina com indutores de enzimas hepáticas, como carbamazepina, pode diminuir substancialmente a exposição sistêmica ao Hemifumarato de Quetiapina. Dependendo da resposta clínica, altas doses de Hemifumarato de Quetiapina podem ser consideradas, se usado concomitantemente com indutores de enzimas hepáticas.
Durante a administração concomitante de fármacos inibidores potentes da CYP3A4 (como antifúngicos azóis, antibióticos macrolídeos e inibidores da protease), as concentrações plasmáticas desses podem estar significativamente aumentadas, conforme observado em pacientes nos estudos clínicos. Como consequência, doses reduzidas de Hemifumarato de Quetiapina devem ser usadas. Considerações especiais devem ser feitas em idosos e pacientes debilitados. A relação risco/benefício precisa ser considerada como base individual em todos os pacientes.
Para informações referentes a ajuste de dose para pacientes idosos, crianças e adolescentes, pacientes com insuficiência renal e hepática:
Pacientes idosos com demência
Hemifumarato de Quetiapina não está aprovado para o tratamento de pacientes idosos com psicose relacionada à demência.
Exclusivo Comprimido Revestido
Crianças e adolescentes (10 a 17 anos de idade):
Embora nem todas as reações adversas identificadas em pacientes adultos tenham sido observadas nos estudos clínicos com Hemifumarato de Quetiapina em crianças e adolescentes, as mesmas precauções e advertências mencionadas para adultos devem ser consideradas para crianças e adolescentes. Além disso, alterações na pressão arterial, testes de função tireoidiana, ganho de peso e elevação dos níveis de prolactina foram observados e devem ser clinicamente monitorados.
Dados de segurança de longo prazo, por mais de 26 semanas de tratamento com Hemifumarato de Quetiapina, incluindo crescimento, maturação e desenvolvimento comportamental, não estão disponíveis para crianças e adolescentes (10 a 17 anos de idade).
Níveis de prolactina:
Em dois estudos clínicos agudos placebo-controlados em pacientes pediátricos (de 10 a 17 anos), a incidência de pacientes que apresentaram níveis de prolactina normais na inclusão e que foi alterado para um valor clinicamente importante em qualquer momento do estudo foi 11,3% (13,4% em meninos e 8,7% em meninas) no grupo Hemifumarato de Quetiapina e 2,63% (4,0% em meninos e 0,0% em meninas) no grupo placebo.
As consequências clínicas do aumento dos níveis de prolactina podem incluir amenorréia, galactorréia e ginecomastia.
Efeitos sobre a capacidade de dirigir veículos e operar máquinas
Devido ao seu efeito primário no SNC, o Hemifumarato de Quetiapina pode interferir em atividades que requeiram um maior alerta mental. Portanto, pacientes devem ser orientados a não dirigir veículos ou operar máquinas até que a suscetibilidade individual seja conhecida.
Uso durante a gravidez e lactação
Categoria de risco na gravidez: C.
Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica ou do cirurgião-dentista.
A segurança e a eficácia de Hemifumarato de Quetiapina durante a gestação humana não foram estabelecidas. Foram relatados sintomas de abstinência neonatal após algumas gravidezes durante as quais o Hemifumarato de Quetiapina foi usada. Portanto, Hemifumarato de Quetiapina só deve ser usado durante a gravidez se os benefícios justificarem os riscos potenciais.
Foram publicados relatos sobre a excreção de Hemifumarato de Quetiapina durante a amamentação, no entanto, o nível de excreção não foi consistente. As mulheres que estiverem amamentando devem ser aconselhadas a evitar a amamentação enquanto fazem uso de Hemifumarato de Quetiapina.
Este medicamento contém lactose (19,00 mg/comprimido de 25 mg; 20,70 mg/comprimido de 100 mg; 41,40 mg/comprimido de 200 mg), portanto, deve ser usado com cautela por pacientes com intolerância a lactose.
Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)