Precauções - Forane

Bula Forane

Princípio ativo: Isoflurano

Classe Terapêutica: Anestésicos Gerais Inalantes

Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)

Quais cuidados devo ter ao usar o Forane?

Como outros anestésicos gerais potentes, isoflurano somente deve ser administrado em centros apropriados e equipados para realização de anestesia geral, por profissionais que estejam familiarizados com a farmacologia do agente e devidamente qualificados por treinamento e experiência no controle e monitorização de pacientes anestesiados. 

Os níveis de anestesia podem ser alterados rápida e facilmente com isoflurano, portanto, devem-se empregar somente vaporizadores calibrados ou técnicas com as quais seja possível monitorar as concentrações inspiradas ou expiradas do isoflurano. O grau de hipotensão e depressão respiratória podem indicar a intensidade da ação anestésica.

Relatos demonstraram que isoflurano pode produzir dano hepático, de aumento moderado e transitório das enzimas hepáticas A, embora raramente, necrose hepática fatal.

Independentemente dos anestésicos empregados, a manutenção do equilíbrio hemodinâmico é importante para evitar isquemia miocárdica em pacientes com doença arterial coronáriana.

Assim como outros agentes halogenados, isoflurano deve ser usado com cautela em pacientes com pressão intracraniana aumentada. Em tais casos, a hiperventilação pode ser necessária.

A ação de relaxantes não-despolarizantes é potencializada com isoflurano.

Testes laboratoriais:

Observaram-se aumentos transitórios na retenção de bromossulfaleína, glicose sangüínea e creatinina sérica, com diminuição de uréia sangüínea, colesterol sérico e fosfatase alcalina.

Uso em cesariana:

Isoflurano, em concentrações de até 0,75%, demonstrou ser seguro e eficaz na manutenção da anestesia em pacientes submetidas a partos cesarianos. Nenhum efeito adverso foi detectado na mãe ou no neonato como resultado da administração de isoflurano.

Hipertermia maligna:

Assim como com outros agentes inalatórios, a anestesia com isoflurano pode causar estado hipermetabólico da musculatura esquelética em indivíduos suscetíveis, levando a uma demanda de oxigênio elevada e a uma síndrome clínica conhecida como hipertermia maligna. Esta síndrome inclui características não específicas, tais como rigidez muscular, taquicardia, taquipnéia, cianose, arritmias e instabilidade da pressão sangüínea (deve ser também observado que muitos desses sinais inespecíficos podem aparecer durante uma anestesia leve, hipoxemia aguda, etc.).

Aumento no metabolismo global pode ser refletido em temperatura elevada (a qual pode subir rápida e precocemente, ou então tardiamente, mas usualmente não é o primeiro sinal de aumento do metabolismo) e aumento do uso dos absorvedores de CO2, (aumento da temperatura do canister). A PAO2 e o pH podem diminuir e hipercalemia e déficit de base podem ocorrer. 

O tratamento consiste na descontinuação dos agentes causadores (ex.: isoflurano), administração de dantroleno sódico intravenoso e a aplicação de medidas de suporte. Essas medidas incluem esforços no sentido de restabelecer a temperatura corpórea normal, suporte circulatório e respiratório conforme indicados e controle de distúrbios ácidobásicos e hidroeletrolíticos (consultar a bula de dantrolene sódico intravenoso para informações adicionais sobre o controle do paciente). 

Insuficiência renal pode aparecer mais tarde, e o fluxo urinário deve ser mantido, se possível. O uso de agentes anestésicos inalatórios foi associado a raros aumentos nos níveis de potássio sérico que resultaram em arritmias cardíacas e morte de pacientes pediátricos durante o período pós-operatório. Pacientes com doenças neurológicas latentes ou manifestas, particularmente com distrofia muscular de duchenne, parecem ser mais vulneráveis. 

O uso concomitante de succinilcolina foi associado à maioria destes casos. Estes acidentes também mostraram elevações significantes dos níveis de creatinaquinase e, em alguns casos, alterações na urina consistentes com mioglobinuria. Apesar da similaridade deste quadro à hipertemia maligna, nenhum destes pacientes exibiu sinais ou sintomas de rigidez muscular ou estado hipermetabólico. Intervenção precoce e agressiva para o tratamento da hipercalemia e arritmias resistentes é recomendável, assim como subseqüente avaliação de doenças neuromusculares latentes.

Interações Medicamentosas:

Isoflurano potencializa os efeitos de relaxantes musculares comumente utilizados, mais notadamente dos relaxantes musculares nãodespolarizantes.

A neostigmina reverte os efeitos dos relaxantes musculares não-despolarizantes mas não apresenta qualquer efeito sobre as propriedades relaxantes do isoflurano. Todos os relaxantes musculares habitualmente utilizados são compatíveis com o uso de isoflurano.

Advertências do Forane


O isoflurano aumenta consideravelmente o fluxo sanguíneo cerebral quando se aprofunda seu nível anestésico. 

Pode haver elevação transitória da pressão do líquido céfalo-raquidiano, a qual é totalmente reversível com hiperventilação. 

Mínimos efeitos cerebrais pós-operatórios foram observados com isoflurano quando comparado com anestésicos de ação semelhante. Uma vez que os níveis de anestesia podem ser alterados fácil e rapidamente, somente vaporizadores calibrados para Forane (isoflurano) devem ser utilizados.

Hipotensão e depressão respiratória aumentam com o aprofundamento da ação anestésica.

Observou-se maior perda sangüínea em pacientes submetidas a curetagem uterina com isoflurano, quando comparada à verificada com o halotano.

Casos isolados de aumento de carboxihemoglobina foram relatados com o uso de agentes inalatórios halogenados com radical –CF2H (ex.: desflurano, enflurano e isoflurano). Não foram produzidas concentrações significantes de monóxido de carbono na presença de agentes absorvedores hidratados. Precauções devem ser tomadas conforme instruções dos fabricantes de absorvedores de CO2.

Casos raros de aumento extremo de temperatura, fumaça e/ou fogo espontaneos na máquina de anestesia foram relatados durante a realização de anestesia geral com fármacos dessa classe quando utilizados em conjunto com absorvedores de CO2, especificamente aqueles que contêm o hidróxido de potássio. Quando o medico ou equipe clinica suspeitar que o absorvedor de CO2 esta dessecado, este deverá ser substituído antes da administração do produto. 

Na maioria dos absorvedores de COa cor não necessariamente muda em consequência da dessecaçao. Consequentemente, a ausencia de mudança de cor não deve ser tomada como garantia de hidrataçao adequada. Absorvedores de CO2 devem ser substituídos rotineiramente independente do estado do indicador da cor.