Quais cuidados devo ter ao usar o Cloridrato de Pioglitazona?
Estudos clínicos e dados epidemiológicos disponíveis sugerem um pequeno aumento do risco de câncer de bexiga em pacientes diabéticos tratados com Cloridrato de Pioglitazona, em particular em pacientes em tratamento por longos períodos.Portanto, a terapia não deve ser iniciada em pacientes com câncer ativo de bexiga, e deve ser usado com precaução em pacientes com histórico de câncer de bexiga.
Os pacientes devem ser aconselhados a procurar seu médico imediatamente se hematúria macroscópica ou outros sintomas, como de urgência miccional, se desenvolverem durante o tratamento.
Retenção de fluidos e insuficiência cardíaca
O Cloridrato de Pioglitazona, como outras tiazolidinedionas, pode causar retenção de fluidos, o que pode exacerbar ou precipitar uma insuficiência cardíaca. Pacientes com insuficiência cardíaca devem ser monitorados por seus sinais e sintomas, e a descontinuação do tratamento com Cloridrato de Pioglitazona deve ser considerada se qualquer deterioração do estado cardíaco ocorrer.
O Cloridrato de Pioglitazona deve ser iniciada com a menor dose aprovada em pacientes com diabetes tipo II e insuficiência cardíaca sistólica (NYHA classes I e II). Se o escalonamento de dose subsequente for necessário, a dose deve ser aumentada gradualmente somente depois de vários meses de tratamento com monitorização cuidadosa de ganho de peso, edema ou exacerbação da ICC.
Câncer de bexiga
Dois grandes estudos de coorte observacionais de longa duração não encontram aumentos significativos do risco de câncer de bexiga em pacientes diabéticos utilizando Cloridrato de Pioglitazona. No entanto, outros dados de estudo de curta duração sugerem a possibilidade de um pequeno aumento no risco de câncer de bexiga. Como um pequeno risco não pode ser excluído, a terapia não deve ser iniciada em pacientes com câncer de bexiga ativo e deve ser utilizado com cautela em pacientes com histórico de câncer de bexiga.
Um estudo de coorte observacional de 10 anos com ampla prospecção conduzido nos Estados Unidos (EUA) não encontrou aumento significativo do risco de câncer de bexiga em pacientes diabéticos expostos o Cloridrato de Pioglitazona quando comparados com aqueles nunca expostos o Cloridrato de Pioglitazona (HR = 1.06 [95% IC 0,89 – 1,26]). Adicionalmente, não houve aumento do risco de câncer de bexiga com o aumento cumulativo da dose ou do tempo desde o início da exposição ao Cloridrato de Pioglitazona ou a duração a mesma.
Neste estudo, a análise das taxas de risco de outros medicamentos antidiabéticos, incluindo as TZDs, metformina, sulfonilureias e insulina variou 0,91-1,09, que também não foram estatisticamente significativos.
Outro grande estudo de coorte retrospectivo de 10 anos realizado em quatro países europeus, não encontrou aumento significativo do risco de câncer de bexiga em pacientes diabéticos expostos o Cloridrato de Pioglitazona quando comparados com aqueles nunca expostos o Cloridrato de Pioglitazona (HR = 0,99 [95% IC 0,75, 1,30]). Adicionalmente, não foi observado aumento do risco com o aumento cumulativo da dose ou da duração da exposição ao Cloridrato de Pioglitazona.
Casos de câncer de bexiga foram reportados mais frequentemente em uma meta-análise de estudos clínicos controlados com Cloridrato de Pioglitazona (19 casos em 12.506 pacientes, 0,15%) do que em grupos de controle (7 casos em 10.212 pacientes, 0,07%) HR-2,64 (IC 95% 1,11 – 6,31, P = 0,029). Após a exclusão de pacientes cuja exposição ao medicamento em estudo foi inferior a um ano no momento do diagnóstico de câncer de bexiga, houve 7 (0,06%) casos relatados com o uso de Cloridrato de Pioglitazona e 2 casos (0,02%) nos grupos de controle.
Monitoramento da função do fígado
Foram recebidos raros relatos pós-comercialização de disfunção hepática. Os pacientes tratados com Cloridrato de Pioglitazona devem, portanto, submeter-se a monitorização das enzimas hepáticas antes do início do tratamento e depois periodicamente, baseado na avaliação clínica.
O tratamento com Cloridrato de Pioglitazona deve ser iniciado com cautela em pacientes com aumento dos níveis das enzimas hepáticas (TGP maior que 2,5 vezes o limite superior da normalidade) ou com qualquer outra evidência de doença hepática. O tratamento existente com Cloridrato de Pioglitazona deve ser interrompido se os níveis de TGP forem persistentemente 3x mais elevados do que o limite superior da normalidade, e os sintomas sugestivos de disfunção hepática devem fazer com que as enzimas do fígado sejam verificadas.
Enquanto se aguardam os resultados dos exames laboratoriais, a decisão se o tratamento com Cloridrato de Pioglitazona deve continuar deve ser baseada no julgamento clínico; na presença de icterícia, o tratamento deve ser descontinuado.
Ganho de peso
Foi observado ganho de peso em estudos clínicos com Cloridrato de Pioglitazona e em experiência pós-comercialização; então o peso do paciente deve ser monitorado de perto. Como parte do tratamento de diabetes inclui o controle da dieta, os pacientes devem aderir rigorosamente a uma dieta com controle de calorias.
Hematologia
Em estudos clínicos controlados e comparativos sobre o tratamento com Cloridrato de Pioglitazona, houve uma pequena redução na hemoglobina média (redução relativa de 4%) e hematócrito (redução relativa de 4,1%), consistentes com hemodiluição. Alterações semelhantes foram vistas com metformina (reduções relativas de hemoglobina 3 - 4% e hematócrito 3,6 – 4,1%) e em uma extensão menor com sulfonilureia (reduções relativas de hemoglobina 1 - 2% e hematócrito 1 – 3,2%).
Ovulação
Como consequência do aumento da ação da insulina, pacientes com síndrome do ovário policístico podem retomar a ovulação após o tratamento com Cloridrato de Pioglitazona As pacientes devem, portanto, estar conscientes do risco de gravidez; se a paciente deseja engravidar ou se ocorrer gravidez, o tratamento deve ser interrompido.
Eventos macrovasculares
Os estudos realizados até o momento não indicam aumento de risco cardiovascular com o uso de Cloridrato de Pioglitazona, entretanto ainda não existem dados clínicos que comprovem redução de risco ou benefício cardiovascular com o uso desta medicação.
Outros
O Cloridrato de Pioglitazona contém lactose monoidratada e, dessa forma, não deve ser administrada em pacientes com problemas hereditários raros de intolerância a galactose, deficiência de lactase de Lapp ou má-absorção de glucose-galactose.
O Cloridrato de Pioglitazona exerce seu efeito anti-hiperglicêmico somente na presença de insulina e por isso, não deve ser usado em pacientes com diabetes tipo I ou para o tratamento de cetoacidose diabética.
Efeitos na habilidade de dirigir ou operar máquinas
O Cloridrato de Pioglitazona não tem nenhum efeito ou efeito insignificante na habilidade de dirigir ou operar máquinas. Entretanto, pacientes que apresentarem distúrbios visuais devem ser cautelosos ao dirigir ou operar máquinas.
Gravidez
O Cloridrato de Pioglitazona não deve ser usado durante a gravidez exceto quando os benefícios percebidos superem os potenciais riscos a mãe e ao feto.
Não existem dados adequados em humanos que demonstrem a segurança de Cloridrato de Pioglitazona, usado isoladamente ou em combinação com metformina ou glimepirida, durante a gravidez.
Em estudos de reprodução em animais, ratas e coelhas gestantes receberam doses de Cloridrato de Pioglitazona de aproximadamente 17 (ratas) e 40 (coelhas) vezes a dose máxima recomendada para humanos com base na área de superfície corporal (mg/m2), não foi observada teratogenicidade. Aumento na embriotoxicidade (aumento de perdas pós-implantação, atraso no desenvolvimento, redução do peso fetal e atraso no parto) ocorreu em ratas que receberam doses orais de aproximadamente 10 ou mais vezes a dose humana máxima recomendada (base mg/m2).
Nenhuma toxicidade funcional ou comportamental foi observada nos filhotes das ratas. Quando ratas grávidas receberam Cloridrato de Pioglitazona durante o final da gestação e lactação, atraso no desenvolvimento pós-natal, atribuído à diminuição do peso corporal, ocorreu nos filhotes de ratas com doses maternas orais de aproximadamente 2 ou mais vezes a dose máxima humana recomendada (base mg/m2). Nas coelhas, a embriotoxicidade ocorreu em doses orais de aproximadamente 40 vezes a dose máxima humana recomendada (mg/m2). Nas coelhas, a embriotoxicidade ocorreu em doses orais de aproximadamente 40 vezes a dose máxima humana recomendada (mg/m2 ). (Estudos A-35- 00478.001, A-35-00479.001).
Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica ou do cirurgião-dentista.
Categoria de risco: C.
Lactação
O Cloridrato de Pioglitazona não deve ser administrado em mulheres em fase de amamentação, ou a amamentação deve ser descontinuada se o uso de Cloridrato de Pioglitazona for considerado essencial.
O Cloridrato de Pioglitazona está presente no leite de ratas durante o período de lactação que estavam sob tratamento, apesar de não se saber se esta é secretada no leite humano.
Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)