Precauções - Cloridrato de Fingolimode Accord Farma

Bula Cloridrato de Fingolimode Accord Farma

Princípio ativo: Cloridrato de Fingolimode

Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)

Quais cuidados devo ter ao usar o Cloridrato de Fingolimode Accord Farma?

Infecções

Um efeito farmacodinâmico fundamental de Cloridrato de Fingolimode é a redução dose-dependente da contagem de linfócitos periféricos para 20 – 30% dos valores basais. Isso se deve ao sequestro reversível de linfócitos em tecidos linfoides.

Os efeitos de Cloridrato de Fingolimode no sistema imune podem aumentar o risco de infecções, incluindo infecções oportunistas. Antes de iniciar o tratamento com Cloridrato de Fingolimode, uma contagem recente de células brancas do sangue deve estar disponível (por exemplo, dentro de 6 meses ou após a descontinuação da terapia prévia).

O início do tratamento com Cloridrato de Fingolimode deve ser postergado em pacientes com infecção severa ativa até sua resolução.

Estratégias diagnósticas e terapêuticas eficazes devem ser empregadas em pacientes com sintomas de infecção durante a terapia. Considerando que a eliminação de fingolimode após a descontinuação pode levar até dois meses, a vigilância quanto à infecção deve ser continuada ao longo desse período.

Terapias antineoplásicas, imunomoduladoras ou imunossupressoras (incluindo corticosteroides) devem ser administradas concomitantemente com cautela devido ao risco de efeitos adicionais no sistema imune. Decisões específicas quanto à dosagem e duração do tratamento com corticosteroides devem ser baseadas na avaliação clínica. A coadministração de um tratamento de curta duração com corticosteroides (até 5 dias, conforme protocolos de estudo) não aumentou a taxa global de infecção em pacientes tratados com fingolimode em estudos clínicos de fase III, em comparação com placebo. Com base nestes dados, os tratamentos curtos de corticosteroides (até 5 dias) podem ser utilizados em combinação com Cloridrato de Fingolimode. Pacientes recebendo Cloridrato de Fingolimode devem ser instruídos a relatar sintomas de infecções aos seus médicos. A suspensão do tratamento com Cloridrato de Fingolimode deve ser considerada caso um paciente desenvolva uma infecção séria e o risco-benefício deve ser levado em consideração antes de reiniciar a terapia.

Casos de leucoencefalopatia multifocal progressiva (LMP) foram relatados na experiência pós-comercialização. A LMP é uma infecção oportunista causada pelo vírus JC, que pode ser fatal ou resultar em incapacidade grave. Casos de LMP ocorreram após cerca de 2-3 anos de tratamento. Embora o risco estimado pareça aumentar com a exposição acumulativa ao longo do tempo, uma relação exata com a duração de tratamento é desconhecida. As taxas de incidência de LMP aparentam ser maiores para pacientes no Japão: as razões são atualmente desconhecidas. Casos adicionais de LMP foram relatados em pacientes que haviam sido tratados previamente com natalizumabe, os quais tem uma relação conhecida com LMP. Durante a ressonância magnética de rotina (de acordo com as recomendações) os médicos devem estar atentos aos sintomas clínicos ou resultados de imagem de ressonância magnética que podem ser sugestivos de LMP. Se houver suspeita de LMP, o tratamento Cloridrato de Fingolimode deve ser suspenso até que LMP tenha sido excluída.

As evidências identificadas na ressonância magnética que sugerem LMP podem aparecer antes dos sinais ou sintomas clínicos. Casos de LMP, diagnosticados com base nos achados de ressonância magnética e na detecção de DNA JCV no líquido cefalorraquidiano na ausência de sinais clínicos ou sintomas específicos para LMP, foram relatados em pacientes tratados com medicamentos para esclerose múltipla associados à LMP, incluindo Cloridrato de Fingolimode. Foram reportados na experiência pós-comercialização casos isolados de meningite criptococócica após cerca de 2-3 anos de tratamento, embora uma relação exata com a duração de tratamento seja desconhecida. Meningite criptococócica pode ser fatal. Por esta razão, pacientes com sinais e sintomas evidentes de meningite criptococócica devem submeter-se a uma rápida avaliação do diagnóstico. Se diagnosticado, o tratamento apropriado deve ser iniciado.

Os pacientes devem ser avaliados quanto a sua imunidade à varicela (catapora) antes do tratamento com Cloridrato de Fingolimode.

Recomenda-se que pacientes sem a confirmação por profissional de saúde de histórico de catapora ou comprovação de um curso completo de vacinação com a vacina contra varicela realizem testes de anticorpos para o vírus varicela zoster (VVZ), antes de iniciar o tratamento com Cloridrato de Fingolimode. Um curso completo de vacinação para pacientes anticorpos negativos com a vacina contra varicela é recomendado antes de iniciar o tratamento com Cloridrato de Fingolimode. O início do tratamento com Cloridrato de Fingolimode deverá ser adiado por um mês após a vacinação, para permitir que a plena eficácia da mesma possa ocorrer.

A infecção pelo papiloma vírus humano (HPV), incluindo papiloma, displasia, verrugas e câncer relacionado com o HPV, foi notificada durante o tratamento com Cloridrato de Fingolimode no período pós-comercialização (ver secção “Reações adversas”). Devido às propriedades imunossupressoras do fingolimode, a vacinação contra o HPV deve ser considerada antes do início do tratamento com Cloridrato de Fingolimode, tendo em conta as recomendações de vacinação. A investigação do câncer, incluindo o teste de Papanicolau, é recomendado de acordo com o padrão de cuidados.

Vacinação

A vacinação pode ser menos eficaz durante e até dois meses após interromper o tratamento com Cloridrato de Fingolimode. O uso de vacinas com vírus vivos atenuados deve ser evitado.

Edema Macular

O edema macular com ou sem sintomas visuais foi relatado em 0,5% dos pacientes tratados com Cloridrato de Fingolimode 0,5 mg, ocorrendo predominantemente nos primeiros 3-4 meses de terapia. Uma avaliação oftálmica é, portanto, recomendada 3-4 meses após o início do tratamento. Caso pacientes relatem distúrbios visuais a qualquer momento durante a terapia com Cloridrato de Fingolimode, uma avaliação de fundo do olho, incluindo a mácula, deve ser realizada.

Pacientes com histórico de uveíte e pacientes com diabetes mellitus estão em risco elevado de edema macular. Cloridrato de Fingolimode não foi estudado em pacientes com esclerose múltipla concomitante com diabetes mellitus. Recomenda-se que pacientes com esclerose múltipla e diabetes mellitus ou com histórico de uveíte sejam submetidos a uma avaliação oftálmica antes do início da terapia com Cloridrato de Fingolimode e tenham avaliações de acompanhamento enquanto recebem a terapia com Cloridrato de Fingolimode.

A continuação de Cloridrato de Fingolimode em pacientes com edema macular não foi avaliada. Na decisão sobre se a terapia com Cloridrato de Fingolimode deve ou não ser descontinuada, se faz necessário levar em consideração os possíveis riscos e benefícios para cada paciente.

Bradiarritmia

O início do tratamento com Cloridrato de Fingolimode resulta em uma redução temporária na frequência cardíaca. Após a primeira dose, a redução da frequência cardíaca começa dentro de uma hora e a redução máxima é atingida em até 6 horas.

Com a continuação da dosagem, a frequência cardíaca retorna ao valor basal dentro de um mês de tratamento crônico. Em pacientes recebendo Cloridrato de Fingolimode 0,5 mg, a redução na frequência cardíaca medida pelo pulso, é em média 8 batimentos por minuto (bpm) aproximadamente.

Frequências cardíacas abaixo de 40 bpm foram raramente observadas. Pacientes que apresentaram bradicardia mostraram-se geralmente assintomáticos, mas alguns pacientes apresentaram sintomas leves a moderados, incluindo hipotensão, tontura, fadiga e/ou palpitações, que se resolveram dentro das primeiras 24 horas de tratamento.

O início do tratamento com Cloridrato de Fingolimode foi associado com atrasos na condução atrioventricular, geralmente bloqueios atrioventriculares de primeiro grau (intervalo PR prolongado no eletrocardiograma). Bloqueios atrioventriculares de segundo grau, geralmente Mobitz tipo I (Wenckebach), foram observados em menos de 0,2% de pacientes recebendo Cloridrato de Fingolimode 0,5 mg em estudos clínicos. As anormalidades de condução foram caracteristicamente transitórias, assintomáticas, geralmente não exigiram tratamento e se resolveram dentro das primeiras 24 horas de tratamento.

Durante a utilização pós-comercialização de Cloridrato de Fingolimode, foram relatados casos isolados de bloqueio atrioventricular completo transitório e espontaneamente resolvido.

Portanto, no início do tratamento com Cloridrato de Fingolimode, recomenda-se que todos os pacientes sejam observados, com aferição da pressão arterial e pulsação a cada hora, por um período de 6 horas, para os sinais e sintomas de bradicardia. Todos os pacientes devem realizar um eletrocardiograma antes da primeira dose e após o término do período de 6 horas de monitorização. Caso sintomas pós-dose relacionados à bradiarritmia ocorram, ações apropriadas devem ser iniciadas conforme necessário e o paciente deve ser observado até que os sintomas tenham sido resolvidos. Se o paciente necessitar de intervenção farmacológica durante o período de observação da primeira dose, monitoramento durante a noite, em um centro médico, deve ser instituído e a estratégia de vigilância da primeira dose deve ser repetida após a segunda dose de Cloridrato de Fingolimode.

Observação adicional até a resolução dos achados também é requerida:

  • Se o ritmo cardíaco em 6 horas após a dose for < 45 bpm ou o for o menor valor pós-dose (sugerindo que o efeito farmacodinâmico máximo sobre o coração ainda não foi manifestado);
  • Se o ECG de 6 horas após a primeira dose mostrar novo início de bloqueio atrioventricular de segundo grau ou maior.

Se o ECG mostrar um intervalo QT ≥ 500 msec na sexta hora após a primeira dose, os pacientes devem ser monitorados por toda a noite.

Devido ao risco de distúrbios graves no ritmo cardíaco, Cloridrato de Fingolimode não deve ser utilizado em pacientes com bloqueio cardíaco sinoatrial, história de bradicardia sintomática ou síncope recorrente. Uma vez que, o início do tratamento com Cloridrato de Fingolimode resulta em diminuição da frequência cardíaca e, portanto, um prolongamento do intervalo QT, Cloridrato de Fingolimode não deve ser utilizado em pacientes com prolongamento significante do intervalo QT (QTc > 470 msec (mulheres) ou > 450 msec (homens)). Cloridrato de Fingolimode deve ser evitado em pacientes com fatores de risco relevantes para prolongamento QT, por exemplo, hipocalemia, hipomagnesemia ou prolongamento QT congênito. Uma vez que, bradicardia significante pode ser fracamente tolerada em pacientes com histórico de parada cardíaca, hipertensão não controlada ou apneia do sono grave e não tratada, Cloridrato de Fingolimode não deve ser utilizado nesses pacientes. Em pacientes para os quais o Cloridrato de Fingolimode não é contraindicado se o tratamento for considerado, as recomendações de um cardiologista devem ser procuradas antes do início do tratamento, a fim de determinar a estratégia de monitoramento mais apropriada, que deve durar pelo menos toda noite.

Cloridrato de Fingolimode não foi estudado em pacientes com arritmias que necessitam de tratamento com medicamentos de Classe Ia (por ex.: quinidina, procainamida) ou Classe III (por ex.: amiodarona, sotalol). Medicamentos antiarrítmicos de Classe Ia e Classe III foram associados com casos de Torsades de Pointes em pacientes com bradicardia. A experiência com Cloridrato de Fingolimode é limitada em pacientes recebendo terapia concomitante com betabloqueadores, bloqueadores do canal de cálcio redutores da frequência cardíaca (como verapamil ou diltiazem), ou outras substâncias que podem diminuir a frequência cardíaca (por exemplo, ivabradina ou digoxina). Uma vez que, o início do tratamento Cloridrato de Fingolimode também está associado à diminuição da frequência cardíaca, o uso concomitante destas substâncias durante o início do tratamento com Cloridrato de Fingolimode pode ser associada com bradicardia grave e bloqueio cardíaco. Devido ao potencial efeito aditivo sobre a frequência cardíaca, o tratamento com Cloridrato de Fingolimode geralmente não deve ser iniciado em pacientes que são tratados concomitantemente com estas substâncias. Se o tratamento com Cloridrato de Fingolimode for considerado, deve-se procurar aconselhamento com um cardiologista a respeito da substituição por medicamentos que não reduzam a frequência cardíaca ou o monitoramento adequado durante o inicio do tratamento (deve durar pelo menos toda a noite).

Caso a terapia com Cloridrato de Fingolimode seja descontinuada por mais de 2 semanas, os efeitos sobre a frequência cardíaca e condução atrioventricular podem ocorrer novamente após a reintrodução do tratamento com Cloridrato de Fingolimode e as mesmas precauções da primeira dose devem ser aplicadas. Dentro das primeiras duas semanas de tratamento, se houver a interrupção de um dia ou mais, a repetição dos procedimentos de primeira dose é recomendada. Durante as semanas 3 e 4 de tratamento, se houver a interrupção do tratamento por mais de 7 dias, os procedimentos de primeira dose são recomendados.

Função hepática

Aumento de enzimas hepáticas, principalmente elevação de alanina aminotransaminase (ALT), foram relatados em pacientes com esclerose múltipla tratados com Cloridrato de Fingolimode. Durante os ensaios clínicos, elevação de três vezes ou mais das transaminases hepáticas ocorreram em 8,0% dos pacientes tratados com 0,5 mg de Cloridrato de Fingolimode e o medicamento foi interrompido nos casos em que a elevação foi maior que 5 vezes. Com a confirmação repetida de aumento das transaminases hepáticas acima de 5 vezes o limite superior da normalidade, o tratamento com Cloridrato de Fingolimode deve ser interrompido e apenas reiniciado quando os valores das transaminases hepáticas forem normalizados. A recorrência das elevações das transaminases hepáticas ocorreu após o reinício do tratamento em alguns pacientes, suportando uma relação com a droga.

Antes do início do tratamento com Cloridrato de Fingolimode contagens recentes (por exemplo, dentro de 6 meses) dos níveis das transaminases e bilirrubina devem estar disponíveis. Pacientes que desenvolverem sintomas sugestivos de disfunção hepática, tais como náusea, vômito, dor abdominal, fadiga, anorexia ou icterícia e/ou urina escura inexplicados, durante o tratamento, devem ter as enzimas hepáticas checadas e Cloridrato de Fingolimode deve ser descontinuado caso uma lesão hepática significativa for confirmada. Embora não existam dados para estabelecer que os pacientes com doença hepática pré-existente tenham um risco aumentado para desenvolver elevação nos valores no teste de função hepática ao tomar Cloridrato de Fingolimode, deve-se ter cautela ao administrar Cloridrato de Fingolimode em pacientes com histórico de doença hepática significativa. Cloridrato de Fingolimode não foi estudado em pacientes com dano hepático grave préexistente (Child-Pugh, classe C) e não deve ser usado nestes pacientes.

Síndrome de encefalopatia posterior reversível

Casos raros de síndrome de encefalopatia posterior reversível foram relatados na dose de 0,5 mg em estudos clínicos e na pós-comercialização. Os sintomas relatados incluíram início repentino de cefaleia grave, náuseas, vômitos, alteração do estado mental, distúrbios visuais e convulsões. Os sintomas da síndrome de encefalopatia posterior reversível são geralmente reversíveis, mas podem evoluir para derrame isquêmico ou hemorragia cerebral.

Atraso no diagnóstico e tratamento pode levar a sequelas neurológicas permanentes. Se houver suspeita de síndrome de encefalopatia posterior reversível Cloridrato de Fingolimode deve ser descontinuado.

Tratamento prévio com terapias imunossupressivas ou imunomoduladoras

Quando se muda de outra terapia modificadora da doença, a meia-vida e mecanismo de ação da outra terapia devem ser considerados a fim de evitar um efeito imune aditivo enquanto que ao mesmo tempo minimizar o risco de reativação da doença. Antes de iniciar o tratamento com Cloridrato de Fingolimode, uma recente contagem de células brancas deve estar disponível (por exemplo, após a descontinuação da terapia prévia) para assegurar que qualquer efeito imune de tais terapias (por exemplo, citopenia) tenha se resolvido.

Beta-interferona, acetato de glatirâmer ou dimetil fumarato

Cloridrato de Fingolimode pode geralmente ser iniciado após a descontinuação de beta-interferona, acetado de glatirâmer ou dimetil fumarato.

Natalizumabe ou teriflunomida

Devido à longa meia-vida do natalizumabe ou teriflunomida, cautela em relação o potencial efeito imune aditivo é necessária quando os pacientes trocam destas terapias para Cloridrato de Fingolimode. Uma avaliação cuidadosa de caso para caso em relação ao momento do início do tratamento com Cloridrato de Fingolimode é recomendada.

A eliminação da natalizumabe geralmente leva até 2-3 meses após a sua descontinuação.

Teriflunomida também é eliminada lentamente do plasma. Sem o procedimento de aceleração da eliminação, a eliminação da teriflunomida do plasma pode levar alguns meses até 2 anos. O procedimento de aceleração da eliminação está descrito na bula da teriflunomida.

Alemtuzumabe

Devido às características e da duração da resposta do efeito imunossupressor do alemtuzumabe descrito na bula do produto, não é recomendado iniciar o tratamento com Cloridrato de Fingolimode após alemtuzumabe, a menos que os benefícios do tratamento com Cloridrato de Fingolimode superem claramente os riscos individuais ao paciente.

Malignidades

Malignidade cutânea

O carcinoma basocelular (CBC) e outras neoplasias cutâneas, incluindo melanoma maligno, carcinoma de células escamosas, sarcoma de Kaposi e carcinoma de células de Merkel têm sido relatados em pacientes utilizando Cloridrato de Fingolimode. Recomenda-se para todos os pacientes, realizar exames periódicos da pele particularmente aqueles com fatores de risco para câncer de pele. Uma vez que existe um risco potencial de tumores malignos na pele, os pacientes tratados com Cloridrato de Fingolimode devem ser advertidos contra a exposição à luz solar sem proteção.

Linfomas

Houveram casos de linfoma em estudos clínicos e no cenário pós-comercialização. Os casos relatados foram de natureza heterogênea, principalmente linfoma não-Hodgkin, incluindo linfomas de células B e linfócitos T. Casos de linfoma cutâneo de células T (micose fungóide) foram observados.

Retorno da atividade da doença (rebote) após a descontinuação de Cloridrato de Fingolimode

Casos de exacerbação grave da doença foram relatados após a interrupção de Cloridrato de Fingolimode no cenário de póscomercialização. Isso foi observado geralmente dentro de 12 semanas após a interrupção de Cloridrato de Fingolimode, mas também foi relatado 24 semanas ou mais, após a descontinuação de Cloridrato de Fingolimode. Portanto, recomenda-se cautela ao interromper a terapia com Cloridrato de Fingolimode. Se a descontinuação de Cloridrato de Fingolimode for considerada necessária, os pacientes devem ser monitorizados quanto a sinais e sintomas relevantes e o tratamento apropriado deve ser iniciado conforme necessário.

Lesões tumefativas

Casos raros de lesões tumefativas associadas à recidiva da esclerose múltipla foram relatados no cenário póscomercialização. Em caso de recidivas graves, a ressonância magnética (MRI) deve ser realizada para excluir lesões tumefativas. A descontinuação do Cloridrato de Fingolimode deve ser considerada pelo médico, caso a caso, tendo em conta os benefícios e riscos individuais.

Interrompendo a terapia

Caso uma decisão for tomada para interromper o tratamento com Cloridrato de Fingolimode, o médico precisa estar ciente de que o fingolimode permanece no sangue e possui efeitos farmacodinâmicos, tais como contagens de linfócitos reduzidas, por até dois meses após a última dose. As contagens de linfócitos geralmente retornam à faixa normal dentro de 1-2 meses após a interrupção da terapia. O início de outras terapias durante esse intervalo resultará em uma exposição concomitante ao fingolimode. O uso de imunossupressores logo após a descontinuação de Cloridrato de Fingolimode pode levar a um efeito aditivo sobre o sistema imune e, portanto, deve-se ter cautela.

Veja também o item acima: Retorno da atividade da doença (rebote) após a descontinuação de Cloridrato de Fingolimode.

Gravidez, Lactação, Mulheres e homens com potencial reprodutivo

Gravidez

Registro de exposição na gravidez

Existe um registro que monitora os resultados da gravidez em mulheres expostas ao Cloridrato de Fingolimode durante a gravidez.

Mulheres que engravidam enquanto utilizam Cloridrato de Fingolimode devem ser incentivadas a inscrever-se no registo de gravidez, ligando para 0800-888-3003 ou visitando www.gilenyapregnancyregistry.com.

Sumário do risco

Não existem estudos adequados e bem controlados em mulheres grávidas.

Dados humanos disponíveis (dados pós-comercialização e informações do registro de gravidez) sugerem que o uso de Cloridrato de Fingolimode está associado a um aumento da prevalência de malformação congênita grave em comparação com a população em geral.

Durante o tratamento, as mulheres não devem engravidar e recomenda-se a contracepção eficaz. Se uma mulher engravidar enquanto estiver tomando Cloridrato de Fingolimode, a descontinuação de Cloridrato de Fingolimode deve ser considerada, levando em consideração a avaliação do risco-benefício individual para a mãe e o feto.

Aconselhamento médico deve ser dado em relação ao risco de efeitos nocivos sobre o feto associado ao tratamento e exames de acompanhamento médico devem ser realizados (ex.: exame de ultrassonografia). Além disso, a possibilidade de exacerbação grave da doença deve ser considerada em mulheres que descontinuam Cloridrato de Fingolimode por causa de gravidez ou gravidez planejada, e os pacientes devem consultar seus médicos sobre possíveis alternativas.

Os estudos de reprodução em ratos demonstraram que o Cloridrato de Fingolimode induz teratogenicidade a partir de uma dose correspondente a 2 vezes a exposição em seres humanos com uma dose recomendada de 0,5 mg. Estudos em animais demonstraram toxicidade reprodutiva, incluindo perda do feto e defeitos de órgãos, tronco arterial notadamente persistente e defeito do septo ventricular. Além disso, o receptor afetado pelo fingolimode (receptor da esfingosina-1- fosfato) é conhecido por estar envolvido na formação vascular durante a embriogênese.

Estudos dos EUA, Canadá, da maioria dos países da UE e dos países da América do Sul têm demonstrado que o risco de defeitos de nascença na população de esclerose múltipla (EM) é semelhante ao da população em geral. Para abortos espontâneos e natimortos, o risco na população de EM nos Estados Unidos parece ser semelhante ao da população em geral nos Estados Unidos.

Gravidez, risco fetal e contracepção

Devido ao risco potencial para o feto, deve ser analisado o estado da gravidez antes de iniciar o tratamento com Cloridrato de Fingolimode. Deve haver aconselhamento médico sobre o risco de efeitos nocivos no feto associado ao tratamento.

Durante o tratamento com Cloridrato de Fingolimode, as mulheres não devem engravidar e recomenda-se a contracepção eficaz durante o tratamento e durante 2 meses após a interrupção do tratamento. Se uma mulher engravidar enquanto estiver tomando Cloridrato de Fingolimode, a descontinuação deve ser considerada, levando em consideração a avaliação do risco-benefício individual para a mãe e o feto. Veja o item “Retorno da atividade da doença (rebote) após a descontinuação de Cloridrato de Fingolimode”.

Considerações clínicas

Se Cloridrato de Fingolimode for descontinuado devido a gravidez ou planejamento de gravidez, consulte o item “Advertências e Precauções’’ - Retorno da atividade da doença (rebote) após a descontinuação de Cloridrato de Fingolimode e Interrompendo a terapia. Para mulheres que planejam engravidar, Cloridrato de Fingolimode deve ser interrompido 2 meses antes da concepção.

Trabalho de parto e parto

Não existe qualquer dado sobre os efeitos de fingolimode no trabalho de parto e no parto.

Dados em humanos

Em mais de 600 gestações com nascidos vivos, natimortos ou interrupção da gravidez devido a anomalia fetal com exposição materna ao fingolimode durante a gravidez que foram notificadas no cenário pós-comercialização, a proporção de malformações congénitas graves foi de aproximadamente 5%. A prevalência de grandes malformações congênitas na população geral é de 2 a 4%.

O padrão de malformação relatado para Cloridrato de Fingolimode é semelhante ao observado na população geral, em que as principais malformações comuns são:
  • Cardiopatia congênita, como defeitos do septo atrial e ventricular, tetralogia de Fallot; 
  • Anormalidades renais;
  • Anormalidades musculoesqueléticas.

Não há evidência de agrupamento de defeitos congênitos específicos com Cloridrato de Fingolimode.

Dados em animais

O fingolimode foi teratogênico em ratos quando administrado em doses de 0,1 mg/kg ou superior. Uma dose de 0,1 mg/kg em ratos corresponde a 2 vezes a exposição em seres humanos na dose recomendada de 0,5 mg. As malformações fetais viscerais mais comuns incluíram tronco arterial persistente e defeito do septo ventricular. Um aumento na perda pós-implantação foi observado em ratos nas doses de 1 mg/kg e superior e uma diminuição nos fetos viáveis a 3 mg/kg. O fingolimode não foi teratogênico em coelhos, entretanto, um aumento da mortalidade embriofetal foi observada em doses de 1,5 mg/kg e superior, e uma redução de fetos viáveis, bem como retardo do crescimento fetal a 5 mg/kg. Uma dose de 1,5 mg/kg em coelhos corresponde à exposição semelhante em seres humanos com a dose recomendada de 0,5 mg.

Os dados disponíveis não sugerem que Cloridrato de Fingolimode estaria associado a um risco aumentado de toxicidade fetal mediada pelo homem.

Em ratos, a sobrevivência da geração filhote F1 diminuiu no período pós-parto em doses que não causam toxicidade materna. No entanto, os pesos corporais de F1, desenvolvimento, comportamento e fertilidade não foram afetados pelo tratamento com fingolimode.

Lactação

Sumário do risco

O fingolimode é excretado no leite de animais tratados durante a lactação. Não existem dados sobre os efeitos de Cloridrato de Fingolimode sobre a criança amamentada ou os efeitos de Cloridrato de Fingolimode na produção de leite. Uma vez que muitos fármacos são excretados no leite humano e por causa do potencial para reações adversas graves ao fingolimode em bebês lactentes, mulheres recebendo Cloridrato de Fingolimode não devem amamentar.

Mulheres e homens com potencial reprodutivo

Contracepção

Antes do início do tratamento com Cloridrato de Fingolimode, mulheres com potencial para engravidar devem ser aconselhadas sobre o possível risco grave ao feto e a necessidade de contracepção eficaz durante o tratamento com Cloridrato de Fingolimode e por 2 meses antes de parar com o tratamento. Uma vez que leva aproximadamente 2 meses para eliminar o composto do corpo após a interrupção do tratamento, o potencial risco ao feto pode persistir e deve-se usar da contracepção durante tal período.

Testes de gravidez

O estado de gravidez de mulheres com potencial reprodutivo deve ser verificado antes de iniciar o tratamento com Cloridrato de Fingolimode.

Infertilidade

Dados dos estudos pré-clínicos não sugerem que o fingolimode estaria associado a um risco elevado de fertilidade reduzida.

Este medicamento pertence à categoria de risco na gravidez C, portanto, este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica ou do cirurgião-dentista.

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