Como o princípio ativo do Cellexina age?
Resultados de Eficácia
Infecções das vias respiratórias superiores
Em estudos clínicos, mais de 400 pacientes com amigdalite, faringite ou escarlatina causadas por estreptococo foram tratados com Cefalexina. A dose foi de 20 a 30mg/kg/dia por 10 dias. Resposta satisfatória (melhora dos sintomas e exames negativos) ocorreu em 94% dos pacientes.
McLinn13 avaliou segurança e eficácia da Cefalexina em pacientes com faringite estreptocócica. Idade variou de menos de 1 ano até 20 anos. Resposta satisfatória ocorreu em 95% dos pacientes que tomaram duas vezes ao dia e 96% nos que tomaram quatro vezes ao dia. Concluiu-se que duas doses diárias são tão eficazes quanto quatro, desde que a dose total seja equivalente por 10 dias.
Browning1 comparou eficácia de Cefalexina 500mg duas vezes ao dia vs. 1g duas vezes ao dia em infecções respiratórias superiores (amigdalite, faringite, sinusite, otite) e inferiores (bronquite). Após 6 dias, ambos os regimes tiveram sucesso ou melhora em mais de 90% dos pacientes, sem diferença entre doses.
Marks e Garrett11 relataram 88% de sucesso em otite média. Disney3 revisou literatura sobre Cefalexina em otite média. Doses eficazes foram 50-100mg/kg/dia, exceto para Haemophilus influenzae (50% de falha).
McLinn et al12 estudaram Cefalexina em otite média em 97 crianças. Dose: 100mg/kg/dia dividido em quatro vezes ao dia por 10-12 dias. Sucesso clínico e bacteriológico em 93% das crianças.
Infecções das vias respiratórias inferiores
Em estudos clínicos, 785 pacientes com infecções respiratórias inferiores foram tratados com Cefalexina. Doses: 25-50mg/kg/dia para crianças e 1-2g/dia para adultos. Tratamento habitual: 1 semana. Resposta satisfatória em 91% dos casos. Em bronquite aguda ou crônica agudizada, sucesso em 89%.
Fass et al5 revisaram uso em pneumonia em adultos. Rosenthal15 et al relataram resultados em crianças.
Dois estudos adicionais relataram uso em exacerbações purulentas de bronquite crônica. Dose habitual: 2 g/dia por 10 dias ou 4g/dia por 5 dias.
Infecções da pele e partes moles
Cefalexina foi eficaz em infecções de pele, feridas traumáticas e pós-operatórias. Em estudos, cura bacteriológica ocorreu em 93% das infecções por Staphylococcus aureus. Condições tratadas incluíram furúnculos, impetigo, celulite, etc.
DiMattia et al2 relataram estudo comparando Cefalexina duas vezes ao dia vs. quatro vezes ao dia em 154 pacientes com infecções de pele. Eficácia maior que 97% em ambos regimes.
Browning1 comparou doses de 1g vs. 2g duas vezes ao dia em infecções de pele. Resposta satisfatória em 99%.
Infecções urinárias
Estudo comparou Cefalexina 250mg quatro vezes ao dia vs. 500mg duas vezes ao dia em infecções urinárias agudas. Melhora sintomática em 92% (duas vezes/dia) e 90% (quatro vezes/dia). Cura bacteriológica em 93% e 91%, respectivamente.
Fennell et al6 avaliaram eficácia em 93 crianças com infecção urinária. Cefalexina erradicou bactérias sensíveis em 97% dos casos.
Weinstein19 revisou estudos com Cefalexina em infecções urinárias. Mais de 90% dos casos de cistite, pielonefrite aguda e infecções urinárias não complicadas responderam bem. Concentrações altas na urina são obtidas mesmo com doses baixas.
Levinson et al10 observaram 23 pacientes com anomalias estruturais ou infecções crônicas. Todos ficaram sem bactéria na urina em 72 horas; 43% permaneceram assim por 2+ meses após tratamento. Fairley relatou 82% de sucesso em infecções urinárias recorrentes em mulheres com 2g/dia por 1-2 semanas.
Infecções ósseas
Shuford16 relatou níveis de Cefalexina no osso mandibular após doses múltiplas (500mg a cada 6 horas). Concentrações médias: 2,8mcg/g.
Em crianças com artrite séptica, amostras de líquido articular após dose de 25mg/kg mostraram concentrações terapêuticas.
Jalava et al7 administraram Cefalexina 1g a cada 6 horas em pacientes com artrite. Concentrações no líquido sinovial, cartilagem e osso foram suficientes para efeito terapêutico.
Estudos clínicos mostraram eficácia em osteomielite por organismos sensíveis.
Tetzlaff et al18 usaram Cefalexina após tratamento parenteral em crianças com osteomielite/artrite. Eficaz e bem tolerada em doses de 100-150mg/kg/dia por 3 semanas a 14 meses.
Hughes et al9 relataram eficácia em osteomielite crônica em 14 pacientes (infecções com 1-15 anos). Dose: 1g quatro vezes/dia seguido por 500mg quatro vezes/dia por 6 semanas. Acompanhamento médio: 3,75 anos.
Infecções dentárias
Testes in vitro mostram atividade contra bactérias orais como Peptostreptococcus, Bacteroides, Veillonella, etc.
Johnson e Foord8 relataram 89% de resposta satisfatória em 19 pacientes com infecções dentárias (1-2g por 7 dias).
Stratford17 relatou sucesso em abscessos dentários com 4g/dia por 5 dias.
Shuford16 relatou níveis de Cefalexina no osso mandibular e sangue após 500mg a cada 6 horas. Níveis médios no sangue: 4,67mcg/mL; osso: 2,8mcg/g - suficientes para inibir bactérias comuns.
Nord14 demonstrou presença de Cefalexina no osso mandibular após dose oral. Pico ósseo em 2 horas: 2,5-3,5mcg/mL.
Referências Bibliográficas
1. Browning AK. The efficacy of twice daily cephalexin. Pharmatherapeutica 1981;2:559-564.
2. DiMattia AF, Sexton MJ, Smialowicz CR, Knapp WH Jr. Efficacy of two dosage schedules of cephalexin in dermatologic infections. J Fam Pract 1981;12:649-652.
3. Disney FA. Cephalexin in the treatment of upper respiratory tract infections. Postgrad Med J 1983;59(suppl 5):28.
4. Fairley KF. Cephalexin in recurrent urinary tract infection. Postgrad Med J 1970;46 (suppl):24.
5. Fass RJ, Perkins RL, Saslaw S, et al. Cephalexin--A new oral cephalosporin: Clinical evaluation in sixty-three patients. Am J Med Sci 1970;259:187.
6. Fennell RS III, Walker RD, Garin EH, Richard GA. Cephalexin in the management of bacteriuria: results in the treatment of 93 children. Clin Pediatr 1975;14:934-938.
7. Jalava S, Saarimaa H, Elfving R. Cephalexin levels in serum, synovial fluid and joint tissues after oral administration. Scand J Rheumatol 1977;6:250.
8. Johnson SE, Foord RD. Cephalexin dosage in general practice assessed by double-blind trial. Curr Med Res Opin 1972;1:37.
9. Hughes SPF, Nixon J, Dash CV. Cephalexin in chronic osteomyelitis. J R Coll Surg Edinb 1981;26:335-339.
10. Levison ME, Johnson WD, Thornhill TS, Kaye D. Clinical and in vitro evaluation of cephalexin. JAMA 1969;209:1331.
11. Marks JH, Garrett RT. Cephalexin in general practice. Postgrad Med J 1970;46(suppl):113.
12. McLinn SE, Daly JF, Jones JE. Cephalexin monohydrate suspension: Treatment of otitis media. JAMA 1975;234(2)171-173.
13. McLinn SE. Comparison of two dosage schedules in the treatment of streptococcal pharyngitis. J Int Med Res 1983;11:145-148.
14. Nord CE. Distribution of cephalexin in the mandible. Cephalosporins: Dimensions and Future, Excerpta Medica, 1974:85-89.
15. Rosenthal IM, Metzger WA, Laxminarayana MS, et al. Treatment of pneumonia in childhood with cephalexin. Postgrad Med J 1971;47(suppl):51.
16. Shuford GM. Concentrations of cephalexin in mandibular alveolar bone, blood and oral fluids. J Am Dent Assoc 1979;99:47.
17. Stratford BC. Clinical experience with cephalexin. Med J Aust 1970;2:73-77.
18. Tetzlaff TR, McCracken GH Jr, Thomas ML. Oral antibiotic therapy for skeletal infections of children. J Pediatr 1978;92:485.
19. Weinstein AJ. Cephalexin in the therapy of infections of the urinary tract. Postgrad Med J 1983;59:40-42.
20. T.M Speight, R.N Brogden, G.S Avery.Cephalexin: a review of its antibacterial, pharmacological and therapeutic properties. Drugs 3.1972;9:78.
Características Farmacológicas
Cefalexina é antibiótico semissintético do grupo das cefalosporinas para uso oral. Fórmula molecular: C16H17N3O4S•H2O. Peso molecular: 365,4. É um zwitterion (molécula com grupos ácido e básico). Ponto isoelétrico em água: ~4,5-5. Apresenta-se como pó cristalino branco, sabor amargo. Baixa solubilidade em água em temperatura ambiente.
Propriedades Farmacocinéticas
Estável em ácido, podendo ser tomada com ou sem alimentos. Absorção rápida após uso oral. Após doses de 250mg, 500mg e 1g, níveis sanguíneos máximos médios são ~9, 18 e 32mcg/mL em 1 hora. Níveis detectáveis por 6 horas. Excretada na urina por filtração glomerular e secreção tubular. Mais de 90% excretada inalterada na urina em 8 horas. Concentrações urinárias máximas: ~1.000mcg/mL (250mg), 2.200mcg/mL (500mg), 5.000mcg/mL (1g).
Propriedades Farmacodinâmicas
Testes in vitro mostram que cefalosporinas são bactericidas (inibem síntese da parede celular). Cefalexina é ativa contra:
Bactérias Gram-positivas
Estreptococos beta-hemolítico; Estafilococos (incluindo produtores de penicilinase); Streptococcus pneumoniae (sensíveis à penicilina).
Bactérias Gram-negativas
Escherichia coli; Haemophilus influenzae; Klebsiella spp.; Moraxella catarrhalis; Proteus mirabilis.
Nota: estafilococos resistentes à meticilina e maioria dos enterococos são resistentes. Não atua contra maioria das cepas de Enterobacter, Morganella morganii e Proteus vulgaris. Sem atividade contra Pseudomonas ou Acinetobacter. Streptococcus pneumoniae resistentes à penicilina geralmente têm resistência cruzada a beta-lactâmicos.
Testes de Sensibilidade
Técnicas de Difusão
Métodos padronizados usam discos de cefalotina 30mcg. Interpretação:
| Diâmetro do halo (mm) | Interpretação |
≥ 18 | (S) Sensível |
| 15 - 17 | (I) Intermediário |
≤ 14 | (R) Resistente |
"Sensível": patógeno pode ser inibido por concentrações alcançáveis no sangue. "Intermediário": pode ser eficaz em locais onde a droga se concentra ou com doses altas. "Resistente": escolher outra terapia.
Controles para discos de cefalotina 30mcg:
Microrganismo | Diâmetro do halo (mm) |
E. coli ATCC 25922 | 15-21 |
S. aureus ATCC 25923 | 29-37 |
Técnicas de Diluição
Métodos quantitativos (caldo, ágar, microdiluição) com cefalotina. Interpretação:
CIM (mcg/mL) | Interpretação |
≤ 8 | (S) Sensível |
| 16 | (I) Intermediário |
≥ 32 | (R) Resistente |
Controles para cefalotina:
| Microganismo | Variação do CIM (mcg/mL) |
E. coli ATCC 25922 | 4-16 |
E. faecalis ATCC 29212 | 8-32 |
S. aureus ATCC 29213 | 0,12-0,5 |
Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)