Como Alfaepoetina Blau age no organismo?
Resultados de eficácia
Insuficiência renal crônica
Alfaepoetina foi estudada em adultos com problemas renais e anemia, incluindo pacientes em diálise ou não, para tratar anemia e manter hematócrito entre 30-36%.
Em estudos com doses iniciais de 50-150 UI/kg três vezes por semana, cerca de 95% dos pacientes tiveram aumento significativo do hematócrito. Após dois meses, quase todos pararam de precisar de transfusões. A dose de manutenção foi individualizada.
Em pacientes em diálise, a dose mediana de manutenção foi cerca de 75 UI/kg três vezes por semana. Estudos mostraram melhora na qualidade de vida após 6 meses de tratamento.
Em pacientes não dialíticos, a resposta foi semelhante. Um estudo com 1432 pacientes mostrou maior risco cardiovascular quando se buscou hemoglobina acima de 13,5 g/dL.
Crianças em hemodiálise
128 crianças (2 meses a 19 anos) com problemas renais foram estudadas. A dose inicial foi 50 UI/kg três vezes por semana. Houve aumento significativo na hemoglobina e 92% ficaram livres de transfusões após 12 semanas.
Pacientes com AIDS usando zidovudina
Em 297 pacientes anêmicos com HIV, alfaepoetina reduziu transfusões em 40% e aumentou o hematócrito.
Anemia por quimioterapia
Em adultos com câncer, alfaepoetina aumentou a hemoglobina e reduziu transfusões após o primeiro mês. A resposta foi semelhante em diferentes tipos de tumores.
Um estudo com 2098 mulheres com câncer de mama metastático não mostrou diferença na sobrevida entre grupos, mas houve menos transfusões e mais tromboses no grupo tratado.
Doação de sangue antes de cirurgia
Em adultos programados para cirurgia ortopédica, alfaepoetina aumentou a coleta de sangue autólogo e reduziu o risco de transfusão alogênica em 50%.
Cirurgia ortopédica
Em pacientes com hemoglobina entre 10-13 g/dL, alfaepoetina reduziu transfusões alogênicas e acelerou a recuperação. Doses semanais de 600 UI/kg foram tão eficazes quanto doses diárias de 300 UI/kg.
Crianças
Problemas renais
Em crianças com insuficiência renal, 81% atingiram níveis desejados de hemoglobina com dose média de 150 UI/kg/semana.
Anemia por quimioterapia
Dois estudos pediátricos não mostraram benefícios significativos na qualidade de vida ou redução de transfusões.
Pré-operatório
Em cirurgia ortopédica, alfaepoetina reduziu significativamente o risco de transfusão em pacientes com hemoglobina entre 10-13 g/dL.
Referências Bibliográficas
1. Data on File. Ortho Biologics, Inc.
2. de Andrade JR and Jove M., Baseline Hemoglobin as a Predictor of Risk of Transfusion and Response to Epoetin alfa in Orthopedic Surgery Patients. Am. J. of Orthoped. 1996, 25(8): 533-542.
Características farmacológicas
Como funciona
Mecanismo de ação
Eritropoetina (EPO) é um hormônio produzido principalmente pelo rim em resposta à falta de oxigênio, regulando a produção de glóbulos vermelhos. Alfaepoetina, produzida em células de ovário, tem estrutura idêntica à EPO humana. Peso molecular entre 32.000-40.000 daltons.
Agentes como alfaepoetina estimulam principalmente a produção de células vermelhas. Receptores de EPO podem estar presentes em células tumorais.
Voluntários saudáveis
Após doses únicas (20.000-160.000 UI), observou-se resposta dependente da dose nos marcadores de produção de sangue. Perfis farmacodinâmicos foram semelhantes entre regimes semanais e três vezes por semana.
Problemas renais crônicos
Alfaepoetina estimula a produção de sangue em pacientes anêmicos com insuficiência renal. A primeira resposta é aumento de reticulócitos em 10 dias, seguido por aumento de hemoglobina em 2-6 semanas.
Anemia por quimioterapia
Alfaepoetina aumentou a hemoglobina e reduziu transfusões em pacientes com câncer após o primeiro mês. Perfis farmacocinéticos foram semelhantes entre regimes.
Doação de sangue antes de cirurgia
Aumentou a coleta de sangue autólogo e limitou a queda de hemoglobina em adultos programados para cirurgia.
Cirurgia ortopédica
Reduziu o risco de transfusão alogênica e acelerou a recuperação em pacientes com hemoglobina entre 10-13 g/dL.
Como o corpo processa
Aplicação na veia
Meia-vida de cerca de 4 horas em voluntários saudáveis, 5 horas em pacientes renais e 20-33 horas em pacientes com câncer.
Aplicação debaixo da pele
Concentrações menores que na veia, com pico em 12-18 horas. Meia-vida de aproximadamente 24 horas. Biodisponibilidade relativa cerca de 20% comparada à via intravenosa.
Em idosos, não há diferença aparente na meia-vida. Em prematuros, a eliminação é cerca de 3 vezes maior que em adultos.
Em pacientes com câncer, perfis farmacocinéticos variaram durante a quimioterapia.
Estudos em animais
Toxicidade prolongada
Em cães e ratos, mas não em macacos, tratamento prolongado associou-se a fibrose medular. Em humanos, não houve diferença na incidência após 3 anos.
Câncer
Não foram feitos estudos de longa duração. Há relatos conflitantes sobre possível estimulação de tumores.
Mutação genética
Não induziu mutações em testes bacterianos ou de mamíferos.
Reprodução
Em ratos e coelhos, não mostrou evidências de malformações em doses de até 500 UI/kg/dia. Em doses altas, causou leve redução na fertilidade e efeitos no desenvolvimento fetal.
Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)