Qual a ação da substância do Unasyn?
Resultados de Eficácia
Exacerbação Aguda de Bronquite Crônica1
A Sultamicilina foi estudada em dois esquemas posológicos em 30 pacientes com exacerbação aguda de bronquite crônica. Ela foi administrada por 10 dias nas doses de 750 mg duas vezes ao dia (Grupo 1) ou 1000 mg duas vezes ao dia (Grupo 2). As taxas de cura no 11º dia e 17º dia foram de 63% e 50% respectivamente no Grupo 1 e 86% e 71% respectivamente no Grupo 2. Todos os patógenos produtores de beta-lactamase foram erradicados ao final do tratamento com ambos os regimes. Quanto à falha bacteriológica (mesmo patógeno isolado ao final do tratamento), 6 pacientes no Grupo 1 e 2 pacientes no Grupo 2 apresentaram esse comportamento.
Infecções Gonocócicas2,3
Uma dose única de 2,25 g de Sultamicilina associada a 1 g de probenecida foi eficaz no tratamento da gonorreia não complicada. Dos 130 pacientes tratados, 122 responderam (93,8% de resposta).
A Sultamicilina + probenecida (2 g/1 g, via oral) também foi efetiva no tratamento da uretrite gonocócica não complicada. Nesse estudo, 113 homens foram tratados com a associação, com taxas de cura de 97%.
Infecções da Pele e Tecidos Moles4
A Sultamicilina foi tão efetiva quanto cloxacilina no tratamento de infecções superficiais de pele e tecidos moles em pacientes pediátricos. Nesse estudo duplo-cego, 52 crianças (com idade de 6 meses a 12 anos) foram randomizadas para receber Sultamicilina (250 mg duas vezes ao dia, para crianças com menos de 5 anos; 500 mg duas vezes ao dia, para crianças acima de 5 anos e 750 mg duas vezes ao dia, para crianças acima de 20 kg) ou cloxacilina (50 mg/kg/dia para crianças abaixo dos 20 kg e 250 mg quatro vezes ao dia para crianças acima dos 20 kg). As taxas de cura foram de 76% nos pacientes que receberam Sultamicilina e 62% nos pacientes tratados com cloxacilina (diferença não estatisticamente significativa).
Infecções do Trato Urinário5
Dois esquemas de dosagem da Sultamicilina(substância ativa) foram avaliados no tratamento de infecções do trato urinário (ITUs) por patógenos resistentes à ampicilina. Nesse estudo, 40 pacientes foram randomizados para receber Sultamicilina em 2 esquemas: 750 mg duas vezes ao dia (Grupo 1) ou 500 mg três vezes ao dia (Grupo 2). Todos os pacientes foram tratados por 7 dias. As taxas de cura clínica foram de 79,5% no Grupo 1 e de 82% no Grupo 2, sendo que essas taxas são semelhantes às obtidas com o uso de amoxicilina/clavulanato no mesmo tipo de paciente. As taxas de cura em longo prazo (após 6 semanas do final do tratamento) também foram similares às encontradas com o uso de amoxicilina/clavulanato (Grupo 1: 54%; Grupo 2: 50%; amoxi/clavu: 56%).
Otite Média6
A Sultamicilina é efetiva no tratamento da otite média aguda em crianças. Em um estudo realizado em 50 pacientes, a Sultamicilina foi utilizada na dose de 45-87 mg/kg/dia duas vezes ao dia por 10 dias. O alívio da dor e resolução da febre ocorreram em todos os pacientes que completaram o curso de tratamento. A reação adversa mais comum foi diarreia (42%), sendo que 8 crianças necessitaram da descontinuação do tratamento em virtude da reação adversa.
Faringite7
A Sultamicilina foi tão eficaz quanto à penicilina V oral no tratamento de faringite estreptocócica em crianças.
Nesse estudo, 52 pacientes com faringite por estreptococo A comprovada foram randomizados para tratamento com Sultamicilina ou penicilina V oral (125 mg/dose quatro vezes ao dia, em menores de 5 anos de idade ou 375 mg/dose quatro vezes ao dia em maiores de 20 kg). A taxa de erradicação para a Sultamicilina foi de 100% nos infectados e 100% nos portadores. A penicilina V erradicou o patógeno em 75% dos infectados e em 93% dos portadores (taxas não foram estatisticamente significativas entre os grupos).
Sinusite8
A Sultamicilina foi efetiva no tratamento da sinusite aguda. Em um estudo, 13 pacientes com sinusite maxilar receberam a medicação por 9-10 dias (750 mg duas vezes ao dia). A taxa de cura foi de 85% (11/13), sendo que os 2 pacientes definidos como falha de tratamento apresentavam sinusite crônica com osteomielite. A reação adversa mais comum foi ocorrência de diarreia.
Referência bibliográficas
1. Davies BI, Maesen FPV, & van Noord JA: Clinical, bacteriological and pharmacokinetic results from an open trial of sultamicillin in patients with acute exacerbations of chronic bronchitis. J Antimicrob Chemother 1984; 13:161-170.
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8. Jones S, Yu VL, Johnson JT, et al: Pharmacokinetic and therapeutic trial of sultamicillin in acute sinusitis. Antimicrob Agents Chemother 1985; 28:832-833.
Características Farmacológicas
Propriedades Farmacodinâmicas
Estudos bioquímicos com sistemas bacterianos de células livres têm demonstrado que o sulbactam é um fármaco inibidor irreversível da maioria das beta-lactamases importantes que ocorrem em organismos penicilinoresistentes. Enquanto a atividade antibacteriana do sulbactam é principalmente limitada ao Neisseriaceae, o potencial do sulbactam sódico em impedir a destruição de penicilinas e cefalosporinas por organismos resistentes foi confirmado em estudos utilizando cepas resistentes em que o sulbactam sódico exibiu efeito sinérgico acentuado quando administrado juntamente com penicilinas e cefalosporinas. Como o sulbactam também se liga a algumas proteínas ligadoras de penicilinas, algumas cepas suscetíveis tornam-se ainda mais suscetíveis à combinação do que aos antibióticos beta-lactâmicos isolados.
O componente bactericida da combinação é a ampicilina que, assim como as benzilpenicilinas, atua contra organismos sensíveis durante o estágio ativo de multiplicação por meio da inibição da biossíntese da parede celular mucopeptídica.
A Sultamicilina é eficaz contra um amplo espectro de bactérias Gram-positivas e Gram-negativas incluindo:
Staphylococcus aureus e Staphylococcus epidermidis (incluindo cepas penicilino resistentes e algumas meticilino-resistentes), Streptococcus pneumoniae, Streptococcus faecalis e outros Streptococcus spp., Haemophilus influenzae e Haemophilus parainfluenzae (tanto cepas beta-lactamases positivas como negativas), Moraxella catarrhalis, anaeróbios, incluindo Bacteroides fragilis e espécies relacionadas, Escherichia coli, Klebsiella spp., Proteus spp. (tanto indol-positivos como indol-negativos), Enterobacter spp., Morganella morganii, Citrobacter spp., Neisseria meningitidis e Neisseria gonorrhoeae.
Propriedades Farmacocinéticas
Após administração oral em humanos, a Sultamicilina é hidrolisada durante a absorção, dando origem a sulbactam e ampicilina na circulação sistêmica, na proporção molar 1:1. A biodisponibilidade de uma dose oral corresponde a 80% da mesma dose intravenosa de sulbactam e ampicilina. A administração após a alimentação não afeta a biodisponibilidade sistêmica da Sultamicilina. Os picos de níveis séricos de ampicilina após administração de Sultamicilina são aproximadamente duas vezes maiores que os obtidos com dose oral igual de ampicilina. As meias-vidas de eliminação de sulbactam e ampicilina em voluntários sadios são respectivamente cerca de 0,75 e 1 hora, com 50 a 75% de cada fármaco sendo excretado inalterado na urina.
As meias-vidas de eliminação são aumentadas em idosos e em pacientes com disfunção renal. A probenecida diminui a secreção tubular renal de ampicilina e sulbactam. O uso concomitante de probenecida e Sultamicilina resulta em níveis sanguíneos aumentados e prolongados de ampicilina e sulbactam.
Dados de Segurança Pré-Clínicos
Enquanto foi observada glicogenólise reversível em animais de laboratórios, fenômeno que foi dose e tempo dependente e que não deve ser esperado em doses terapêuticas, o nível plasmático atingido de ampicilina/sulbactam combinados correspondeu a um período relativamente curto na terapia em humanos (apresentação de comprimido) e na terapia em homens (apresentação de suspensão oral).
Estudos de longo prazo em animais não foram realizados para avaliar o potencial carcinogênico. Os componentes individuais da Sultamicilina (ampicilina/sulbactam) foram negativos para a avaliação de mutagenicidade.
Os estudos de reprodução foram realizados em camundongos e ratos em doses superiores a dose humana e não revelaram evidências de diminuição da fertilidade ou dano ao feto devido à Sultamicilina. No entanto, não há estudos adequados e bem controlados realizados em mulheres grávidas.
Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)