Qual a ação da substância do Spiolto?

Resultados de Eficácia


O programa de desenvolvimento clínico de Fase III para Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol incluiu três estudos randomizados, duplo-cegos:

  • Dois estudos replicados, de 52 semanas, de grupos paralelos, comparando o Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol com o tiotrópio 5 mcg e o olodaterol 5 mcg (1029 pacientes receberam o Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol) [Estudos 1 e 2];
  • Um estudo de 6 semanas, cruzado, comparando o Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol com o tiotrópio 5 mcg e o olodaterol 5 mcg e placebo (139 pacientes receberam Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol) [Estudo 3].

Nestes estudos, os produtos de comparação: tiotrópio 5 mcg, olodaterol 5 mcg e placebo, foram administrados por meio do inalador Respimat.

Todos os estudos incluíram medições da função pulmonar (volume expiratório forçado no primeiro segundo, VEF1). Nos estudos de 52 semanas, a função pulmonar foi mensurada em até 3 horas após a dose (12 horas após a dose em um subconjunto de pacientes) e em 23-24 horas após a dose; os desfechos primários de eficácia da função pulmonar foram: alteração a partir do valor basal pré-tratamento (resposta) na ASC0-3h do VEF1 e VEF1 mínimo após 24 semanas.

No estudo de 6 semanas, a função pulmonar foi mensurada em até 12 horas após a dose e em 22-24 horas após a dose; o desfecho primário de eficácia foi a resposta da ASC0-24h do VEF1 após 6 semanas. Os estudos de 52 semanas também incluíram o Questionário Respiratório de St. George (SGRQ), tanto como um desfecho primário, quanto uma medida da qualidade de vida relacionada à saúde e o Índice de Transição de Dispneia (ITD) de Mahler, tanto como um importante desfecho secundário quanto uma medida de dispneia.

Os pacientes incluídos no programa de Fase III tinham 40 anos de idade ou mais, com um diagnóstico clínico de DPOC, tinham um histórico de tabagismo de mais de 10 maços-anos e apresentavam comprometimento pulmonar de moderado a muito grave (VEF1 pós-broncodilatador inferior a 80% do valor normal previsto (Estágio 2-4 do GOLD); razão entre VEF1 pós-broncodilatador e CVF inferior a 70%).

Características dos pacientes

A maioria dos 5162 pacientes recrutados nos estudos globais de 52 semanas [Estudos 1 e 2], era do sexo masculino (73%), brancos (71%) ou asiáticos (25%), com idade média de 64,0 anos. O VEF1 médio pós-broncodilatador foi de 1,37 L (GOLD 2 [50%], GOLD 3 [39%] e GOLD 4 [11%]). A resposta média do agonista β2 foi de 16,6% do valor basal (0,171 L). Os medicamentos pulmonares permitidos como terapia concomitante incluíram corticoides inalatórios [47%] e xantinas [10%].

O estudo de 6 semanas [Estudo 3] foi realizado na Europa e América do Norte. A maioria dos 219 pacientes recrutados era do sexo masculino (59%) e branco (99%), com uma idade média de 61,1 anos. O VEF1 médio pós-broncodilatador foi de 1,55 L (GOLD 2 [64%], GOLD 3 [34%], GOLD 4 [2%]). A resposta média do agonista β2 foi de 15,9% do valor basal (0,193 L). Os medicamentos pulmonares permitidos como terapia concomitante incluíram corticoides inalatórios [41%] e xantinas [4%].

Função pulmonar

Nos estudos de 52 semanas, Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol administrado uma vez ao dia pela manhã, proporcionou clara melhora na função pulmonar dentro de 5 minutos após a primeira dose em comparação com o tiotrópio 5 mcg (aumento médio no VEF1 de 0,137 L para o Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterolvs. 0,058 L para o tiotrópio 5 mcg [p<0,0001] e 0,125 L para o olodaterol 5 mcg [p=0,16]). Em ambos os estudos, melhorias significativas foram observadas na resposta da ASC0-3h do VEF1 e na resposta do VEF1 mínimo após 24 semanas (desfechos primários da função pulmonar) para Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol em comparação com o tiotrópio 5 mcg e o olodaterol 5 mcg (Tabela 1).

Tabela 1 - Diferença nas respostas da ASC0-3h do VEF1 e do VEF1 mínimo para Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol em comparação com tiotrópio 5 mcg, olodaterol 5 mcg após 24 semanas (Estudos 1 e 2)

-

Resposta da ASC0-3h do VEF1

Resposta do VEF1 mínimo

Estudo 1

Estudo 2

Estudo 1

Estudo 2

n

MédianMédianMédian

Média

Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol versus

522-502-521-497-

Tiotrópio 5 mcg

5260,117 L5000,103 L5200,071 L498

0,050 L

Olodaterol 5 mcg

5250,123 L5070,132 L5190,082 L503

0,088 L

VEF1 basal pré-tratamento: Estudo 1 = 1,16 L; Estudo 2 = 1,15 L p≤0,0001 para todas as comparações.

O aumento dos efeitos broncodilatadores do Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol em comparação com o tiotrópio 5 mcg e o olodaterol 5 mcg foram mantidos durante todo o período de tratamento de 52 semanas. O Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol também melhorou a TPFE (taxa de pico do fluxo expiratório) matinal e noturna em comparação ao tiotrópio 5 mcg e o olodaterol 5 mcg conforme mensurado pelos registros diários do paciente.

No subconjunto de pacientes que completaram as medições estendidas da função pulmonar em até 12 horas após a dose, o Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol mostrou uma resposta do VEF1 significativamente maior em comparação ao tiotrópio 5 mcg e o olodaterol 5 mcg ao longo do intervalo de administração de 24 horas (Figura 1, Tabela 2).

Figura 1 - Perfil do VEF1 para o Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol, tiotrópio 5 mcg e olodaterol 5 mcg ao longo de um intervalo de administração contínuo de 24 horas após 24 semanas (subconjunto do teste de função pulmonar de 12 h dos Estudos 1 e 2; conjunto de dados combinados)

Tabela 2 - Diferença no VEF1 para o Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol em comparação ao tiotrópio 5 mcg e olodaterol 5 mcg ao longo de um intervalo de administração contínuo de 24 horas após 24 semanas (subconjunto de dados do teste de função pulmonar de 12 h dos Estudos 1 e 2; conjunto de dados combinados)

-NMédia de 12 h

Média de 24 h

Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol versus

167--

Tiotrópio 5 mcg

1600,123

0,106

Olodaterol 5 mcg

1940,118

0,098

VEF1 basal pré-tratamento = 1,17 L.
p<0,0001 para todas as comparações.

No estudo de 6 semanas, o Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol mostrou uma resposta do VEF1 significativamente maior em comparação ao tiotrópio 5 mcg, ao olodaterol 5 mcg e ao placebo ao longo do intervalo de administração de 24 horas (Figura 2, Tabela 3).

Figura 2 - Perfil do VEF1 para o Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol, tiotrópio 5 mcg, olodaterol 5 mcg e placebo ao longo de um intervalo de administração contínuo de 24 horas após 6 semanas (Estudo 3)

Tabela 3 - Diferença no VEF1 (L) para o Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol em comparação a tiotrópio 5 mcg, olodaterol 5 mcg e placebo ao longo de um intervalo de administração contínuo de 24 horas após 6 semanas (Estudo 3)

-NMédia de 3 hNMédia de 12 hMédia de 24 h1

Mínimo

Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol versus

138-138---

Tiotrópio 5 mcg

1370,1091350,1190,110

0,079

Olodaterol 5 mcg

1380,1091360,1260,115

0,092

Placebo

1350,3251320,3190,280

0,207

VEF1 basal pré-tratamento = 1,30 L.
1 desfecho primário.
p<0,0001 para todas as comparações.

Qualidade de Vida relacionada à saúde

Após 24 semanas(estudos 1 e 2) o Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol melhorou significativamente a pontuação total média do SGRQ em comparação ao tiotrópio 5 mcg e o olodaterol 5 mcg (Tabela 4); melhorias foram vistas em todos os domínios do SGRQ. Mais pacientes tratados com Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol apresentaram uma melhoria clinicamente significativa na pontuação total do SGRQ (MDCI, definida como uma diminuição de pelo menos 4 unidades do valor basal) em comparação ao tiotrópio 5 mcg (57,5% vs 48,7%, p=0,0001) e ao olodaterol 5 mcg (57,5% vs 44,8%, p<0,0001).

Tabela 4 - Pontuação total e de domínio do SGRQ após 24 semanas de tratamento (estudos 1 e 2)

-

n

Média do Tratamento (alteração a partir do valor basal)

Diferença do Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol

Média (valor de p)

Pontuação total

Valor basal-43,5-
-Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol97936,7 (-6,8)-
Tiotrópio 5 mcg95437,9 (-5,6)

-1,23 (p=0,025)

Olodaterol 5 mcg95438,4 (-5,1)

-1,69 (p=0,002)

Sintomas

Valor basal-51,9-
-Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol982

42,6

-
Tiotrópio 5 mcg95745,5

-2,94 (p=0,0008)

Olodaterol 5 mcg95845,0

-2,48 (p=0,0046)

Atividades

Valor basal-58,0-
-Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol981

51,9

-
Tiotrópio 5 mcg95953,2

-1,34 (p=0,052)

Olodaterol 5 mcg95854,0

-2,11 (p=0,002)

Impacto

Valor basal-32,6-
-Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol98326,1

-

Tiotrópio 5 mcg96026,8

-0,67 (p=0,283)

Olodaterol 5 mcg95927,2

-1,11 (p=0,075)

Dispneia

Após 24 semanas (estudos 1 e 2), o Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol melhorou significativamente a pontuação média da ITD focal em comparação ao tiotrópio 5 mcg e ao olodaterol 5 mcg (Tabela 5). Mais pacientes tratados com o Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol apresentaram uma melhora clinicamente significativa na pontuação da ITD focal (MDCI, definido como um valor de pelo menos 1 unidade) em relação ao tiotrópio 5 mcg (54,9% vs 50,6%, p=0,0546) e o olodaterol 5 mcg (54,9% versus 48,2%, p=0,0026).

Tabela 5 - Pontuação da ITD focal após 24 semanas de tratamento (estudos 1 e 2)

-

n

Média do Tratamento

Diferença para o Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol

Média (valor de p)

Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol

9921,98-

Tiotrópio 5 mcg

9781,63

0,36 (p=0,008)

Olodaterol 5 mcg

9841,56

0,42 (p=0,002)

Uso da Medicação de Resgate

Os pacientes tratados com Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol utilizaram menos o salbutamol de resgate durante o dia e noite em comparação aos pacientes tratados com tiotrópio 5 mcg e olodaterol 5 mcg (estudos 1 e 2).

Avaliação Global dos Pacientes

Os pacientes tratados com o Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol perceberam uma melhora maior em suas condições respiratórias em comparação com o tiotrópio 5 mcg e olodaterol 5 mcg, conforme mensurado pela escala de Avaliação Global do Paciente (AGP), nos estudos 1 e 2.

Exacerbações

O tiotrópio 5 mcg já havia demonstrado uma redução estatisticamente significativa no risco de uma exacerbação da DPOC em comparação ao placebo. As exacerbações da DPOC foram incluídas como um desfecho adicional nos estudos principais de 52 semanas (Estudos 1 e 2). No conjunto de dados combinados, a proporção de pacientes que sofreram uma exacerbação moderada/grave da DPOC foi de 27,7% para o Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol e de 28,8% para o tiotrópio 5 mcg.

Capacidade inspiratória, desconforto respiratório e exercícios de resistência

O efeito do Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol, na capacidade inspiratória, desconforto respiratório e exercício de resistência limitado pelos sintomas foi investigado em três estudos randomizados, duplo-cegos, em pacientes com DPOC:

  • Dois estudos replicados, de 6 semanas, cruzados comparando o Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol com o tiotrópio 5 mcg, olodaterol 5 mcg e placebo durante ciclismo em ritmo de trabalho constante (450 pacientes receberam Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol) [Estudos 4 e 5];
  • Um estudo de 12 semanas de grupos paralelos comparando o Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol com placebo durante o ciclismo em ritmo de trabalho constante (139 pacientes receberam o Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol) e caminhada em velocidade constante (subconjunto de pacientes) [Estudo 6].

O Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol melhorou significativamente a capacidade inspiratória em comparação ao tiotrópio 5 mcg, olodaterol 5 mcg e placebo após 6 semanas (Estudos 4 e 5; Tabela 6), e em comparação ao placebo após 12 semanas (0,234 L, p <0,0001; Estudo 6).

Tabela 6 - Diferença na capacidade inspiratória em repouso (IC) (L) para o Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol em comparação com o tiotrópio 5 mcg, olodaterol 5 mcg e placebo após 6 semanas (Estudos 4 e 5)

-nEstudo 41n

Estudo 52

Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol versus

219-218-

Tiotrópio 5 mcg

2130,114 (p<0,0001)208

0,088 (p=0,0005)

Olodaterol 5 mcg

2140,119 (p<0,0001)208

0,080 (p=0,0015)

Placebo

2110,244 (p<0,0001)202

0,265 (p<0,0001)

1Valor basal pré-tratamento: 2,53 L.
2Valor basal pré-tratamento: 2,59 L.

Nos estudos 4 e 5, o Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol melhorou o tempo de resistência durante o ciclismo em ritmo de trabalho constante em 20,9% e 13,4% em comparação ao placebo (Tabela 7). No Estudo 6, Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol melhorou o tempo de resistência durante o ciclismo em ritmo de trabalho constante em 12,6% após a primeira dose (em um subconjunto de pacientes), 22,9% após 6 semanas e 13,8% após 12 semanas, em comparação ao placebo e aumentou o tempo de resistência durante uma caminhada em velocidade constante (em um subconjunto de pacientes) em 20,6% após 6 semanas, e em 20,9% após 12 semanas, em comparação ao placebo (Tabela 8).

Tabela 7 - Tempo(s) de resistência média geométrica durante a ergometria do ciclo em ritmo de trabalho constante para o Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol em comparação com o placebo após 6 semanas (Estudos 4 e 5).

-nEstudo 41n

Estudo 52

Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol

212454,1216

465,7

Placebo

209375,5205

410,8

Razão

-1,209
(p<0,0001)
-

1,134
(p<0,0001)

1Valor basal pré-tratamento: 460,0 s.
2Valor basal pré-tratamento: 434,3 s.

Tabela 8 - Tempo(s) de resistência média geométrica durante o ciclo em ritmo de trabalho constante e caminhada em velocidade constante para o Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol em comparação com o placebo após a primeira dose e após 6 e 12 semanas (Semana 6)

-

Ciclismo

Caminhada

n

Primeira dose1n6 semanas212 semanas2, 3n6 semanas4

12 semanas4, 5

Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol

80538,8135525,6527,559376,2

376,4

Placebo

77478,6121427,7463,650312,0

311,4

Razão

-1,126
(p=0,025)
-1,229
(p=0,0002)
1,138
(p=0,021)
-1,206
(p=0,058)

1,209
(p=0,055)

1Valor basal pré-tratamento: 461,5 s.
2Valor basal pré-tratamento: 443,0 s; 3 desfecho primário.
4Valor basal pré-tratamento: 311,2 s; 5 principal desfecho secundário.

Nos estudos 4 e 5, o Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol diminuiu o declive do desconforto respiratório durante o ciclismo em ritmo de trabalho constante em comparação ao placebo (p<0,0005; Tabela 9).

Tabela 9 - Declive do desconforto respiratório (unidades Borg/s) durante a ergometria do ciclo em ritmo de trabalho constante para o Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol em comparação com o placebo após 6 semanas (Estudos 4 e 5)

-nEstudo 4*n

Estudo 5

Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol

2120,016216

0,015

Placebo

2090,018205

0,018

Diferença

--0,003
(p=0,0004)
 

-0,003
(p<0,0001)

* Valor basal pré-tratamento: 0,015 unidades Borg/s.
Valor basal pré-tratamento: 0,016 unidades Borg/s.

Referências Bibliográficas:

1. Buhl R, Maltais F, Abrahams R, et al. Tiotropium and olodaterol fixed-dose combination versus monocomponents in COPD (GOLD 2-4). Eur Respir J. 2015;45(4):969-79.
2. Beeh KM, Westerman J, Kirsten AM, et al. The 24-h lung-function profile of once-daily tiotropium and olodaterol fixed-dose combination in chronic obstructive pulmonary disease. Pulm Pharmacol Ther. 2015;32:53- 9.

Características Farmacológicas


Farmacodinâmica

Mecanismo de ação

O tiotrópio (um antagonista muscarínico de longa ação) e o olodaterol (um beta2-adrenérgico de longa ação) são administrados conjuntamente via inalador Respimat de névoa suave. Estes dois fármacos proporcionam broncodilatação aditiva, devido aos seus diferentes mecanismos de ação sobre receptores-alvo nos pulmões.

Tiotrópio

O brometo de tiotrópio é um antagonista do receptor muscarínico de longa de ação (LAMA), muitas vezes chamado na medicina clínica como um anticolinérgico. Ele tem uma afinidade semelhante aos subtipos de receptores muscarínicos M1 a M5. Nas vias aéreas, a inibição dos receptores M3 no músculo liso resulta em relaxamento. A natureza competitiva e reversível do antagonismo foi mostrada com receptores de origem humana e animal e preparações de órgãos isolados. Em estudos pré-clínicos in vitro, bem como in vivo, os efeitos broncoprotetores foram dependentes da dose e duraram mais de 24 horas. A longa duração do efeito é provavelmente devido à sua dissociação muito lenta a partir dos receptores M3, apresentando uma meia-vida de dissociação significativamente maior do que a observada com o ipratrópio. Como um anticolinérgico N-quaternário, o tiotrópio é topicamente (bronco-) seletivo quando administrado por inalação, demonstrando uma faixa terapêutica aceitável antes de dar origem a efeitos anticolinérgicos sistêmicos. A dissociação dos receptores M2 é mais rápida do que a partir do M3, o que em estudos in vitro funcionais suscitou a seletividade do subtipo do receptor (controlado cineticamente) M3 sobre o M2.

A alta potência e a lenta dissociação do receptor encontraram seu correlato clínico na broncodilatação significativa e de longa duração em pacientes com DPOC.

A broncodilatação após a inalação de tiotrópio é fundamentalmente um efeito local (sobre as vias aéreas) e não um efeito sistêmico.

Olodaterol

O olodaterol possui afinidade e seletividade elevadas ao receptor beta2-adrenérgico humano. Estudos in vitro têm mostrado que o olodaterol possui atividade agonista 241 vezes superior nos receptores beta2-adrenérgicos em comparação com os receptores beta1-adrenérgicos, e atividade agonista 2299 vezes maior em comparação com os receptores beta3-adrenérgicos. O composto exerce seus efeitos farmacológicos pela ligação e ativação dos receptores beta2-adrenérgicos após administração tópica por inalação.

A ativação destes receptores nas vias aéreas resulta em uma estimulação da adenilciclase intracelular, uma enzima que media a síntese de adenosina monofosfato cíclica-3',5' (AMPc). Níveis elevados de AMPc induzem a broncodilatação pelo relaxamento das células da musculatura lisa das vias aéreas.

O olodaterol possui o perfil pré-clínico de um agonista dos receptores beta2-adrenérgicos seletivos de longa ação (LABA), com um rápido início e duração de ação de pelo menos 24 horas.

Os receptores beta-adrenérgicos são divididos em três subtipos, os receptores beta1-adrenérgicos expressos predominantemente sobre o músculo cardíaco, os receptores beta2-adrenérgicos expressos predominantemente sobre o músculo liso das vias aéreas e os receptores beta3-adrenérgicos expressos predominantemente sobre o tecido adiposo.

Os beta2-agonistas causam broncodilatação. Embora o receptor beta2-adrenérgico seja o receptor adrenérgico predominante no músculo liso das vias aéreas, ele também está presente sobre a superfície de uma variedade de outras células, incluindo as células epiteliais e endoteliais do pulmão e no coração. A função precisa dos receptores beta2 no coração não é conhecida, mas sua presença aumenta a possibilidade de que mesmo os agonistas beta2-adrenérgicos altamente seletivos possam ter efeitos cardíacos.

Efeitos sobre a eletrofisiologia cardíaca

Tiotrópio

O efeito do tiotrópio (pó seco para inalação 18 e 54 mcg administrado uma vez ao dia) no intervalo QT/QTc do ECG foi investigado em 56 voluntários sadios masculinos e feminino em um estudo duplo-cego, randomizado, controlado com placebo e com controle ativo (moxifloxacino). As alterações médias do valor basal do intervalo QT, entre 5 minutos a 2 horas após a dosagem no dia 12 foi respectivamente -1,4 ms para placebo, +0,6 ms para 18 mcg de tiotrópio e -2,1 ms para 54 mcg de tiotrópio; o limite superior dos intervalos de confiança de 95% unilateral da diferença ajustada para placebo a partir do valor basal foi menor que 10 ms para ambas as doses de tiotrópio (+4,9 ms para 18 mcg de tiotrópio; e +2,2 ms para 54 mcg de tiotrópio).

Olodaterol

O efeito do olodaterol sobre o intervalo QT/QTc do ECG foi investigado em 24 voluntários saudáveis do sexo masculino e feminino em um estudo duplo-cego, randomizado, controlado por placebo e ativo (moxifloxacino). O olodaterol em doses únicas de 10, 20, 30 e 50 mcg mostrou que, em comparação com o placebo, as alterações médias do valor basal no intervalo QT acima de 20 minutos a 2 horas após a administração aumentou dependentemente da dose de 1,6 (10 mcg de olodaterol) para 6,5 ms (50 mcg de olodaterol), com o limite superior dos intervalos de confiança bilaterais de 90% sendo menores do que 10 ms, em todos os níveis de dose.

O efeito do olodaterol 5 mcg e 10 mcg sobre a frequência e ritmo cardíaco foi avaliado usando a gravação contínua do ECG de 24 horas (monitoramento de Holter) em um subconjunto de 772 pacientes nos estudos de Fase 3 de 48 semanas, controlado por placebo. Não houve tendências ou padrões relacionados à dose ou ao tempo observadas para as magnitudes das alterações médias na frequência cardíaca ou em sístoles. As mudanças do período basal para o final do tratamento em sístoles não indicaram diferenças significativas entre o olodaterol 5 mcg, 10 mcg e o placebo.

Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol

Em dois estudos de 52 semanas, randomizados, duplo-cegos usando o Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol, que incluíram 5162 pacientes com DPOC, as avaliações de ECG foram realizadas após a dose nos dias 1, 85, 169 e 365. Em uma análise conjunta do número de pacientes com alterações do intervalo QT corrigido pelo valor basal > 30 ms, utilizando tanto o Bazett (QTcB) quanto o Fredericia (QTcF), as correções de QT para a frequência cardíaca variaram de 4,9-6,4% (QTcB) e de 3,3-4,7% (QTcF) para o grupo do Brometo de Tiotrópio Monoidratado + Cloridrato de Olodaterol em comparação com 5,0-6,0% (QTcB) e 3,4-4,4% (QTcF) para o olodaterol 5 mcg e de 5,3-6,5% (QTcB) e de 3,0-4,7% (QTcF) para o tiotrópio 5 mcg através das avaliações realizadas.

Farmacocinética

Quando o tiotrópio e o olodaterol foram administrados em combinação, por via inalatória, os parâmetros farmacocinéticos para cada componente foram semelhantes aos observados quando cada substância ativa foi administrada separadamente.

O tiotrópio e o olodaterol demonstram farmacocinética linear no intervalo terapêutico. Na administração repetida por inalação uma vez ao dia, o estado de equilíbrio do tiotrópio é atingido no dia 7. O estado de equilíbrio do olodaterol é atingido após 8 dias de inalação uma vez ao dia, e a acumulação é de até 1,8 vezes, em comparação a uma dose única.

Absorção

Tiotrópio

Os dados da excreção urinária de voluntários jovens saudáveis sugerem que aproximadamente 33% da dose inalada através do inalador Respimat atinge a circulação sistêmica. A biodisponibilidade absoluta de uma solução administrada por via oral foi de 2-3%. As concentrações plasmáticas máximas de tiotrópio são observadas 5-7 minutos após a inalação através do inalador Respimat.

Olodaterol

Em voluntários saudáveis, a biodisponibilidade absoluta do olodaterol após a inalação foi estimada em cerca de 30%, enquanto que a biodisponibilidade absoluta foi inferior a 1%, quando administrado como uma solução oral. As concentrações plasmáticas máximas de olodaterol são geralmente alcançadas dentro de 10 a 20 minutos após a inalação do medicamento através do inalador Respimat.

Distribuição

O tiotrópio possui uma ligação às proteínas plasmáticas de 72% e apresenta um volume de distribuição de 32 L/kg. Estudos em ratos demonstraram que o tiotrópio não penetra a barreira hematoencefálica em qualquer extensão relevante.

O olodaterol possui uma ligação às proteínas plasmáticas de aproximadamente 60% e apresenta um volume de distribuição de 1.110 L.

Biotransformação

Tiotrópio

A extensão do metabolismo é pequena. Isto é evidente a partir de 74% de uma dose intravenosa ser excretada na urina como fármaco inalterado. O éster de tiotrópio não é clivado enzimaticamente em seus álcoois e componentes ácidos (N-metilescopina e ácido ditienilglicólico, respectivamente), ambos não se ligam aos receptores muscarínicos. Experimentos in vitro com microssomas hepáticos humanos e hepatócitos humanos sugerem que alguns outros medicamentos (<20% da dose após a administração intravenosa) são metabolizados pela oxidação dependente do citocromo P450 (CYP) 2D6 e 3A4 e posterior conjugação da glutationa com uma variedade de metabólitos de Fase II.

Olodaterol

O olodaterol é metabolizado substancialmente por glucuronidação direta e por O-demetilação na porção metoxi, seguido pela conjugação. Dos seis metabólitos identificados, apenas o produto proveniente da demetilação não conjugada (SOM 1522) se liga aos receptores beta2; este metabólito, contudo, não é detectável no plasma após a inalação crônica da dose terapêutica recomendada ou doses até 4 vezes mais elevadas. As isoenzimas do citocromo P450 CYP2C9 e CYP2C8, com contribuição insignificante da CYP3A4, estão envolvidas na O-demetilação do olodaterol, enquanto as isoformas do difosfato uridina glicosiltransferase, UGT2B7, UGT1A1, 1A7 e 1A9, mostraram-se envolvidas na formação dos glucuronídeos do olodaterol.

Eliminação

Tiotrópio

O tiotrópio administrado por via intravenosa é excretado principalmente inalterado na urina (74%). A depuração total em voluntários saudáveis é de 880 mL/min. Após a inalação por pacientes com DPOC para o estado de equilíbrio, a excreção urinária é de 18,6% da dose, sendo o restante principalmente fármaco não absorvido no intestino que é eliminado através das fezes. A depuração renal do tiotrópio excede a taxa de filtração glomerular, indicando a secreção ativa na urina. A meia-vida efetiva do tiotrópio, após a inalação pelos pacientes com DPOC varia entre 27 e 45 horas.

Olodaterol

A depuração total do olodaterol em voluntários saudáveis é de 872 mL/min e a depuração renal é de 173 mL/min. A meia-vida terminal após a administração intravenosa é de 22 horas. A meia-vida terminal após a inalação em contraste é de aproximadamente 45 horas, indicando que a última é determinada por absorção, ao invés dos processos de eliminação.

Após a administração intravenosa de olodaterol [14C]-marcado, 38% da dose radioativa foi recuperada na urina e 53% foi recuperada nas fezes. A quantidade de olodaterol inalterada recuperada na urina após a administração intravenosa foi de 19%. Após administração por via oral, apenas 9% da radioatividade foi recuperada na urina, enquanto que a maior parte foi recuperada nas fezes (84%). Mais de 90% da dose administrada foi excretada dentro de 6 e 5 dias após a administração intravenosa e oral, respectivamente. Após a inalação, a excreção de olodaterol inalterado na urina dentro do intervalo de administração em voluntários saudáveis no estado de equilíbrio foi responsável por 5-7% da dose.

Características dos Pacientes

Tiotrópio

Conforme esperado para todos os medicamentos predominantemente excretados pelos rins, o avanço da idade foi associado com uma diminuição da depuração renal de tiotrópio de 347 mL/min em pacientes com DPOC e <65 anos para 275 mL/min em pacientes com DPOC e ≥65 anos. Isso não resultou em um aumento correspondente nos valores da ASC0-6,SS ou Cmáx,ss.

Olodaterol

Uma metanálise farmacocinética utilizando dados de dois estudos clínicos controlados que incluíram 405 pacientes com DPOC e 296 pacientes com asma mostrou que não é necessário nenhum ajuste da dose devido aos efeitos da idade, sexo e peso sobre a exposição sistêmica ao olodaterol.

A comparação dos dados farmacocinéticos dentro e entre os estudos com olodaterol revelou uma tendência para uma maior exposição sistêmica em japoneses e outros asiáticos do que em caucasianos. Não foram identificadas preocupações de segurança em estudos clínicos de até um ano com olodaterol em caucasianos e asiáticos com doses de olodaterol de até duas vezes a dose terapêutica recomendada.

Insuficiência Renal
Tiotrópio

Após a administração de tiotrópio por inalação uma vez ao dia no estado de equilíbrio em pacientes com DPOC com insuficiência renal leve (CLcr 50-80 mL/min), foi demonstrada uma ASC0-6,ss um pouco maior (entre 1,8 a 30% maior) e Cmáx,ss semelhante em comparação com pacientes com função renal normal (CLcr>80 mL/min). Em pacientes com insuficiência renal moderada a grave (CLcr <50 mL/min), a administração intravenosa de tiotrópio resultou em uma exposição total duas vezes maior (ASC0-4h 82% maior e Cmáx 52% maior) em comparação aos pacientes com função renal normal, o que foi confirmado por observações após a inalação do pó seco.

Olodaterol

Em sujeitos com insuficiência renal grave (CLcr<30 mL/min), a exposição sistêmica ao olodaterol foi, em média, 1,4 vezes maior. Esta magnitude do aumento da exposição não levanta quaisquer preocupações de segurança dada à experiência de segurança do tratamento com olodaterol em estudos clínicos de até um ano, em doses até duas vezes a dose terapêutica recomendada.

Insuficiência Hepática
Tiotrópio

Não é esperado que a insuficiência hepática tenha qualquer influência relevante sobre a farmacocinética do tiotrópio. O tiotrópio é depurado predominantemente pela eliminação renal (74% em voluntários jovens e saudáveis) e clivagem simples não enzimática do éster em produtos farmacologicamente inativos.

Olodaterol

Em pacientes com insuficiência hepática leve e moderada, a exposição sistêmica ao olodaterol não foi afetada. O efeito da insuficiência hepática grave na exposição sistêmica ao olodaterol não foi investigado.

Interações Medicamentosas

Olodaterol

Estudos de interação medicamentosa foram realizados utilizando o fluconazol tanto como inibidor modelo de CYP2C9 e cetoconazol como inibidor potente da P-gp e CYP.

Fluconazol

A coadministração de 400 mg de fluconazol uma vez ao dia durante 14 dias não teve nenhum efeito relevante sobre a exposição sistêmica ao olodaterol.

Cetoconazol

A coadministração de 400 mg de cetoconazol uma vez ao dia durante 14 dias aumentou a Cmáx do olodaterol em 66% e a ASC0-1 em 68%.

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