Quais cuidados devo ter ao usar o Semglee?
Geral
A terapia com insulina geralmente requer habilidades apropriadas para o autocontrole do diabetes, incluindo monitorização da glicemia, técnicas de injeção adequadas, medidas para o reconhecimento e controle de aumentos ou reduções nos níveis glicêmicos (hipoglicemia ou hiperglicemia). Adicionalmente, os pacientes devem aprender como lidar com situações especiais como administração de doses de insulina inadvertidamente aumentadas, doses inadequadas ou esquecidas, ingestão inadequada de alimentos ou perda de refeições. O grau de participação do paciente no próprio controle do diabetes é variável e é geralmente determinado pelo médico.
O tratamento com insulina requer constante vigilância para a possibilidade de hiper e hipoglicemia. Os pacientes e seus familiares devem saber quais passos devem tomar se ocorrer ou houver suspeita de hiperglicemia ou hipoglicemia e devem saber quando informar o médico.
Na ocorrência de controle de glicemia insuficiente ou tendência de ocorrência de episódios hipo ou hiperglicêmicos, outros fatores como, a aderência do paciente ao tratamento prescrito, a escolha do local de injeção e técnicas de manuseio de aparelhagem para injeção e todos os outros fatores relevantes devem ser revistos antes de considerar um ajuste de dose.
Hipoglicemia
O tempo para a ocorrência da hipoglicemia depende do perfil de ação das insulinas usadas e pode, portanto, alterar quando o tratamento é substituído.
Assim como com todas as insulinas, deve ser exercido cuidado particular e a monitoração intensificada da glicemia é aconselhável, em pacientes nos quais sequelas de episódios hipoglicêmicos podem ser de particular relevância clínica. Por exemplo, podem ser pacientes com estenoses significativas das artérias coronárias ou das veias sanguíneas que suprem o cérebro (risco de complicações cardíacas ou cerebrais da hipoglicemia), bem como pacientes com retinopatia proliferativa, particularmente quando não tratados com fotocoagulação (risco de cegueira transitória).
Contudo, os sintomas iniciais que indicam o início da hipoglicemia ("sintomas de aviso") podem se alterar, ser menos pronunciados ou ausentes, por exemplo nas seguintes situações: controle glicêmico acentuadamente melhor, hipoglicemia de desenvolvimento gradual, idade avançada, na presença de neuropatia autonômica, em pacientes com história longa de diabetes, em pacientes com doenças psiquiátricas ou que estejam sob uso concomitante de outros medicamentos (vide Interações Medicamentosas). Nestas circunstâncias, a hipoglicemia severa (ou mesmo a perda de consciência) pode desenvolver-se sem que o paciente perceba.
O efeito prolongado da Insulina Glargina subcutânea, pode atrasar a recuperação de hipoglicemia.
Se valores normais ou diminuídos de hemoglobina glicosilada forem notados, a possibilidade de episódios de hipoglicemia periódicos ou desconhecidos (especialmente noturnos) devem ser considerados.
A aderência do paciente com a dose prescrita e restrições na dieta, o procedimento correto para a administração da insulina e o reconhecimento dos sintomas da hipoglicemia são essenciais na redução do risco de hipoglicemia.
A presença de fatores que aumentam a susceptibilidade à hipoglicemia requer monitoração particularmente cuidadosa e pode necessitar ajuste da dose. Estes incluem:
- Alteração da área da injeção;
- Aumento na sensibilidade à insulina (por exemplo: remoção dos fatores de stress);
- Atividade física aumentada ou prolongada ou falta de hábito no exercício físico;
- Doenças intercorrentes (por exemplo: vômito ou diarreia);
- Ingestão inadequada de alimentos;
- Consumo de álcool;
- Certos distúrbios endócrinos não compensados;
- Uso concomitante de outros medicamentos.
Hipoglicemia pode ser corrigida geralmente pela ingestão imediata de carboidrato. Pelo fato da ação corretiva inicial ter que ser tomada imediatamente, os pacientes devem transportar consigo pelo menos 20 g de carboidrato durante todo o tempo, bem como alguma informação que os identifique como diabéticos.
Mudança de tratamento entre Insulina Glargina 100 U/mL e Insulina Glargina 300 U/mL
Uma vez que a Insulina Glargina 100 U/mL e Insulina Glargina 300 U/mL não são bioequivalentes e não são intercambiáveis, a mudança do tratamento pode resultar em necessidade de alteração de dose e somente pode ser feita sob estrita supervisão médica.
Mudança de tratamento entre outras insulinas e Insulina Glargina 300 U/mL
Alterar o tratamento com outro tipo ou marca de insulina e Insulina Glargina 300 U/mL deve ser feito sob estrita supervisão médica. Alterações na concentração, marca (fabricante), tipo (regular, NPH, curta ou longa duração, etc.) origem (animal, humana, análogo de insulina humana) e/ou método de fabricação podem resultar em necessidade de alteração de dose.
Doenças intercorrentes
O médico deve ser informado caso ocorram doenças intercorrentes, uma vez que a situação necessita da intensificação da monitoração metabólica. Em muitos casos, testes de urina para cetonas são indicados e frequentemente é necessário ajuste de dose da insulina. A necessidade de insulina é frequentemente aumentada.
Em pacientes com diabetes tipo 1, o suprimento de carboidrato deve ser mantido mesmo se os pacientes forem capazes de comer ou beber apenas um pouco ou nenhum alimento, ou estiverem vomitando, etc; em pacientes com diabetes do tipo 1 a insulina não deve nunca ser omitida completamente.
Precauções ao viajar
Antes de viajar, o paciente deve ser informado sobre:
- A disponibilidade da insulina no local de destino;
- O suprimento de insulina, seringas, etc;
- A correta armazenagem da insulina durante a viagem;
- O ajuste das refeições e a administração de insulina durante a viagem;
- A possibilidade da alteração dos efeitos em diferentes tipos de zonas climáticas;
- A possibilidade de novos riscos à saúde nas cidades que serão visitadas.
Prevenção de Erro de Medicação
A embalagem de Insulina Glargina 300 U/mL deve ser sempre verificada antes de cada injeção para evitar erro de medicação entre Insulina Glargina 300 U/mL e outras insulinas. Erros de medicação foram relatados em que outras insulinas, em particular insulinas de curta duração, foram administradas acidentalmente ao invés de insulina de ação prolongada
Para evitar erros de dosagem e um potencial de sobredosagem, nunca utilizar uma seringa para remover o conteúdo de Insulina Glargina 300 U/mL da caneta SoloStar preenchida.
As agulhas não devem ser reutilizadas.
Uma nova agulha estéril deve ser anexada antes de cada injeção. A reutilização de agulha aumenta o risco das agulhas ficarem obstruídas o que podem causar a subdosagem ou sobredosagem.
Como para todas as canetas de insulina, deve ser verificado visualmente o número de unidades selecionadas no contador de doses da caneta. Pacientes com deficiência visual devem ser instruídos a obter ajuda ou assistência de outra pessoa que tenha uma boa visão e que seja treinado no uso da caneta de insulina.
Gravidez e lactação
Não há nenhum estudo clínico controlado com o uso de Insulina Glargina 300 U/mL em mulheres grávidas. Um amplo número (mais de 1000 resultados de gravidez retrospectiva e prospectiva com Insulina Glargina) de gestantes expostas ao produto, determinado por dados de Farmacovigilância pós-comercialização, indicam que não há efeitos adversos específicos da Insulina Glargina em gestantes ou na saúde de fetos ou recém-nascidos. Além disso, uma metaanálise de oito estudos clínicos observacionais incluindo 331 mulheres utilizando Insulina Glargina e 371 mulheres utilizando insulina NPH foi realizada para avaliar a segurança da Insulina Glargina e da insulina NPH em diabetes gestacional e preexistente. Não foram observadas diferenças com relação à segurança materna ou neonatal entre a Insulina Glargina e a insulina NPH durante a gravidez.
Estudos em animais, com doses de Insulina Glargina 100 U/mL de até 6-40 vezes a dose humana, não indicam efeitos prejudiciais diretos na gravidez.
Mulheres com diabetes preexistente ou gestacional devem manter um bom controle metabólico durante a gravidez para prevenir resultados adversos associados com a hiperglicemia. Insulina Glargina pode ser utilizada durante a gravidez, se clinicamente necessário.
Nos três primeiros meses, as necessidades de insulina podem diminuir e geralmente aumentam durante o segundo e terceiro trimestres. Imediatamente após o parto, as necessidades de insulina diminuem rapidamente (aumento do risco de hipoglicemia). Portanto, monitoração cuidadosa da glicemia é essencial nessas pacientes.
O paciente deve ser orientado a informar seu médico caso esteja grávida ou planejando engravidar.
O paciente deve ser orientado a informar seu médico caso esteja grávida ou planejando engravidar.
Categoria de risco na gravidez: C. Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica.
Lactação
Ajustes das doses de insulina e dieta podem ser necessários em mulheres que estão amamentando.
Populações especiais
Pacientes idosos
Insulina Glargina 300 U/mL pode ser utilizado em pacientes idosos. Entretanto, um monitoramento cuidadoso de glicose é recomendado e um ajuste de dose individual deve ser realizado. Nos idosos, a deterioração progressiva da função renal pode levar a uma redução estável das necessidades de insulina.
Pacientes pediátricos
A segurança e eficácia de Insulina Glargina 300 U/mL não foi estabelecida em pacientes pediátricos (menores de 18 anos).
Pacientes com insuficiência renal
Insulina Glargina 300 U/mL pode ser utilizado em pacientes com insuficiência dos rins. Entretanto, um monitoramento cuidadoso de glicose é recomendado e um ajuste de dose individual deve ser realizado. Em pacientes com insuficiência renal, as necessidades de insulina podem ser menores devido ao metabolismo de insulina reduzido.
Em idosos, a deterioração progressiva da função renal pode levar a uma redução estável das necessidades de insulina.
Pacientes com insuficiência hepática
Insulina Glargina 300 U/mL pode ser utilizado em pacientes com insuficiência do fígado. Entretanto, um monitoramento cuidadoso de glicose é recomendado e um ajuste de dose individual deve ser realizado. Em pacientes com insuficiência hepática severa, as necessidades de insulina podem ser menores devido à redução da capacidade para gliconeogênese e do metabolismo de insulina.
Alterações na capacidade de dirigir veículos e operar máquinas
Como resultado de hipoglicemia, hiperglicemia ou visão prejudicada (vide Reações Adversas), a habilidade de concentração e reação pode ser afetada, possivelmente constituindo risco em situações onde estas habilidades são de particular importância.
Os pacientes devem ser aconselhados a tomarem precauções para evitarem hipoglicemia enquanto dirigem. Isso é particularmente importante naqueles que reduziram ou que não conhecem os "sintomas de aviso" de hipoglicemia ou que têm episódios frequentes de hipoglicemia. A prudência no dirigir deve ser considerada nessas circunstâncias.
Este medicamento pode causar doping.
Dados de segurança pré-clínica
Toxicidade aguda
A toxicidade aguda da administração intravenosa e subcutânea de Insulina Glargina foi testada em camundongos e ratos. A DL50, em cada espécie ficou no intervalo de ≥ 1.000 UI/kg.
Toxicidade crônica
Nos estudos de toxicidade de doses subcutâneas repetidas de Insulina Glargina em camundongos, ratos e cães foram observados apenas os efeitos farmacodinâmicos esperados.
Carcinogenicidade
Foram realizados estudos de carcinogenicidade de dois anos em ratos e camundongos. Os resultados não indicam um risco para humanos.
Genotoxicidade
A Insulina Glargina não foi mutagênica nos testes para detecção de mutações genéticas em bactérias e células de mamíferos (teste de Ames e HGPRT) e nos testes para detecção de aberrações cromossômicas (Citogenética in vitro em células V79 e in vivo em hamsters chineses).
Toxicidade Reprodutiva
Teratogenicidade
Em um estudo de embriotoxicidade em ratos, ocorreu hipoglicemia, mas não toxicidade materna. A Insulina Glargina não foi embriotóxica nem teratogênica.
Em um estudo de embriotoxicidade em coelhos, observou-se toxicidade materna (choque hipoglicêmico, mortes intra-uterina) e embrio-fetal devido à hipoglicemia, incluindo anomalias únicas nos grupos de dose intermediária e alta. Efeitos semelhantes foram obtidos com uma insulina comercial de ação intermediária.
Comprometimento da fertilidade
Em um estudo combinado de fertilidade pré e pós-natal em ratos, observou-se toxicidade materna devido à hipoglicemia dose-dependente. Algumas mortes, e, consequentemente, uma redução da taxa do período de procriação, ocorreram no grupo de alta-dose apenas. Efeitos semelhantes foram obtidos com uma insulina comercial de ação intermediária.
Tolerância Local
Estudos de tolerabilidade local com administração subcutânea, intramuscular, intravenosa e paravenosa em coelhos não forneceram nenhuma indicação de risco para o uso da Insulina Glargina em humanos.
Imunogenicidade
Estudos padrões de imunogenicidade realizados em porcos, coelhos e cobaias indicaram um potencial imunogênico similar ou menor para a Insulina Glargina do que para a insulina humana nestas espécies.
Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)