Qual a ação da substância do Saridon?
Resultados de Eficácia
A análise estatística de 8 estudos envolvendo 500 pacientes demonstrou que Paracetamol + Propifenazona + Cafeína apresenta maior eficácia analgésica e mais rápido início de ação quando comparado com paracetamol, ácido acetilsalicílico, ibuprofeno e placebo.
Referências Bibliográficas
Kiersch, TA; Minic, MR. The onset of action and the analgesic efficacy of Saridon (a Propyphenazone/Paracetamol/Caffeine combination) in comparison with Paracetamol, Ibuprofen, Aspirin and Placebo. Current Medical Research and Opinions; 2002, 18(1): 18- 25.
Características Farmacológicas
Propriedades Farmacodinâmicas
Paracetamol + Propifenazona + Cafeína contém paracetamol e propifenazona, ambos com propriedades analgésicas e antipiréticas, associado a uma baixa dose de cafeína. Seu efeito analgésico tem início em até 30 minutos da administração oral e se mantém por um período de várias horas.
A propifenazona, derivado pirazolônico, é um analgésico não-esteroidal com propriedades analgésicas, antipiréticas e fraco efeito anti-inflamatório. Embora o mecanismo de ação não tenha sido totalmente esclarecido, a inibição da ciclooxigenase parece estar envolvida.
O paracetamol é um derivado para-aminofenol, inibidor da síntese de prostaglandina e tem propriedades analgésicas, antipiréticas e fraco efeito anti-inflamatório.
A cafeína é uma metilxantina que, como a teofilina, tem uma variedade de ações: ela inibe a enzima fosfodiesterase e tem efeitos antagonistas aos receptores centrais de adenosina. Esta sua capacidade é usada como leve estimulante do Sistema Nervoso Central que pode induzir um estado de vigília e aumentar a atividade mental. As propriedades broncodilatadoras e diuréticas são mais fracas que da teofilina.
Propriedades Farmacocinéticas
A eficácia analgésica de Paracetamol + Propifenazona + Cafeína é suportada por dados clínicos que demonstram que a cafeína aumenta a eficácia analgésica da propifenazona e paracetamol, assim como o paracetamol parece aumentar a eficácia analgésica da propifenazona.
A ingestão da associação de paracetamol e propifenazona eleva os níveis plasmáticos de propifenazona, mas não os de paracetamol, sugerindo que o paracetamol interfere nos níveis de propifenazona.
A absorção de paracetamol e propifenazona foi estudada em 8 homens saudáveis voluntários para avaliar potenciais na farmacocinética após a administração da associação e dos componentes isoladamente. Neste estudo cruzado de três vias, os voluntários receberam em intervalos semanais, 250 mg de paracetamol (tratamento A), 150 mg de propifenazona (tratamento B) e 250 mg de paracetamol + 150 mg de propifenazona (tratamento C).
Amostras plasmáticas foram colhidas nos intervalos apropriados após a administração oral de cada um dos tratamentos propostos e avaliados por HPLC (cromatografia líquida de alta performance).
Os principais resultados da farmacocinética estão sintetizados na tabela a seguir:
| Parâmetros | Paracetamol | Propifenazona | ||
| A | C | C | B | |
| T½ (h) | 2,55 (0,49) | 2,60 (0,16) | 1,28 (0,16) | 1,07 (0,16) |
| ASC (mg.h/L) | 10,28 (2,64) | 11,39 (1,76) | 3,25 (0,64) | 2,56 (0,62) |
| Cmax (ng/mL) | 4260 (2045) | 4209 (713) | 2483 (945) | 1747 (415) |
| Tmax (h) | 0,37 (0,05) | 0,40 (0,13) | 0,32 (0,23) | 0,37 (0,08) |
T ½ = meia-vida de eliminação do fármaco;
ASC = área sob a curva;
Cmax = pico de concentração máxima do fármaco;
Tmax = tempo para atingir o pico de concentração máximo do fármaco.
Onde:
A = 250 mg de paracetamol;
B = 150 mg de propifenazona;
C = 250 mg de paracetamol + 150 mg de propifenazona.
Não houve diferenças significativas (p>0,05) de tmax entre os grupos de tratamento. A administração da associação, não interferiu significativamente (p>0,05) na farmacocinética do paracetamol. Entretanto, Cmax, ASC e t ½ da propifenazona foram significativamente maiores (p<0,05) após a administração concomitante com paracetamol do que quando administrada isoladamente. Estes achados justificam o aumento de eficácia da associação.
Estes resultados levam a concluir que o paracetamol afeta os níveis plasmáticos de propifenazona no sentido de sinergismo.
Um estudo biofarmacêutico com Paracetamol + Propifenazona + Cafeína como comprimidos (idêntico aos comercializados) e como solução foi realizado em seis voluntários sadios. Os principais resultados foram os seguintes: no plasma, os valores de Cmax de cada componente foram alcançados em ½ - 1 hora. A biodisponibilidade relativa (comprimido versus solução) foi de 1 ± 0,10 em média para todos os três componentes, demonstrando a bioequivalência do comprimido. A meia-vida de eliminação apresentou-se dentro dos seguintes valores: 1,8-2,8 h para o paracetamol, 1,0-1,7 h para a propifenazona e 3,3-8,2 h para a cafeína.
A associação de paracetamol e cafeína aumenta a taxa de absorção e a ASC de paracetamol.
A influência da cafeína (60 mg) na farmacocinética do paracetamol foi estudada em 10 voluntários sadios em um desenho cruzado. A cafeína provocou um aumento significativo na Cmax (p<0,05), ASC e ASCM (p<0,01) e um significativo decréscimo na depuração do paracetamol (p<0,05).
Um estudo cruzado de quatro vias, duplo-cego e placebo controlado, tinha por objetivo determinar o efeito analgésico e os dados farmacocinéticos de paracetamol comparado a uma associação de cafeína e paracetamol e cafeína isoladamente. Vinte e quatro indivíduos foram tratados por via oral com 1000 mg de paracetamol, 130 mg de cafeína e uma combinação de ambos. A análise farmacocinética demonstrou que a cafeína acelera a absorção do paracetamol, conforme indicado por uma precoce e acentuada ASC.
A cafeína não influencia os níveis plasmáticos de propifenazona.
Um estudo avaliou se o efeito analgésico e os parâmetros farmacocinéticos da propifenazona eram influenciados pela administração concomitante de cafeína. Vinte indivíduos sadios participaram deste estudo placebo controlado, randomizado, duplo cego e desenho cruzado cinco vezes com várias doses de propifenazona e cafeína. A cafeína não influenciou significativamente os níveis plasmáticos de propifenazona.
Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)