Qual a ação da substância do Oxsoralen?
Resultados de Eficácia
A resposta das lesões de psoríase ao tratamento com PUVA foi bem evidente. A eliminação completa das lesões da psoríase foi alcançado em 82 pacientes (90%), sete pacientes (8%) obtiveram uma melhora de 90% a 100%, e apenas dois pacientes(2%) obtiveram uma melhora de menos de 90%.
Baixas doses de Metoxisaleno (0,2 a 0,3 mg / kg) juntamente com exposição ao sol, foram testadas em pacientes obtendo-se uma melhora em 94% no tratamento da psoríase, apenas com uma pequena diferença nos pacientes expostos diariamente a luz solar (PUVA) comparando com os pacientes que foram expostos em dias alternados ao sol (PUVA).
Já nos pacientes onde foi administrado altas doses de Metoxisaleno (0,5 a 0,8 mg / kg) houve uma evidente melhora de 82% em todos os pacientestratados com exposição a luz solar (PUVA).
Pacientes apresentaram melhora de 73% (19 dos 26) no tratamento de vitiligo usando fotoquimioterapia mais uso de psoralenos (ex: Metoxisaleno) e luz artificial. Embora nenhum paciente apresentasse repigmentação completa em todas as áreas afetadas houve mais de 75% de melhoria da área afetada.
Referências Bibliográficas
1 - Arch Dermatol 112:943-50,1976 “Photochemotherapy for psoriasis with orally administered Methoxsalen“. Wolff K, Fitzpatrick TB, Parrish JA, Gschnait F, Gilchrest B, Hönigsmann H, Pathak MA, Tannenbaum L.
2 - Arch Dermatol 113:1529-32,1977. “Photochemotherapy of psoriasis using methoxsalen and sunlight - a controled study”. Parrish JA, White HAD, Kingsburry T, Zahar M, Fitzpatrick TB.
3 - Arch Dermatol 112:1531-34,1976. “Photochemotherapy of Vitiligo: use of orally administered Psolarens and Hight-IntensityLong-Wave Ultraviolet Light System”. Parrish JA, Fitzpatrick TB, Shea C, Pathak MA.
Características Farmacológicas
Uma vez ativado pelos raios ultravioleta de comprimento de onda longo (320 - 400nm), o Metoxisaleno é altamente eritematogênico e melanogênico para a epiderme. A repigmentação depende da presença de melanócitos funcionantes e de luz ultravioleta. O Metoxisaleno pode ativar um certo número de melanócitos dihidroxifenilalanina positivos. Foi observado um aumento da atividade de tirosinase em melanócitos expostos ao princípio ativo e raios ultravioleta “A”. Adicionalmente, a união de Metoxisaleno fotoativado às bases da pirimidina e ácidos nucleicos levam à síntese de DNA, divisão celular e transformação epidérmica, o que explica a sua ação na psoríase. É também possível que a formação de melanina seja consequência da reação inflamatória da pele. Devido à inevitável ativação do fármaco pela radiação ultravioleta é indispensável que os picos das concentrações cutâneas coincidam com a exposição aos raios UVA, condição previsível unicamente com a administração de Metoxisaleno que, devido a sua forma farmacêutica em cápsulas moles que contêm o Metoxisaleno sob a forma de solução, agiliza a absorção e a padronização da farmacocinética. Esta característica distingue o produto de outros que se apresentam sob a forma de cristais em comprimidos convencionais, com os quais a absorção sistêmica é deficiente, o que explica os resultados limitados, lentos e imprevisíveis, assim como a alta incidência de reações adversas. O efeito terapêutico do Metoxisaleno no tratamento da psoríase, provavelmente, está relacionado com sua união ao DNA e, como resultado, ocorre a inibição da síntese de DNA o que diminui a proliferação celular. O Metoxisaleno aumenta a sensibilidade do paciente aos raios UVA mas não aos UVB. A associação de psoraleno com UVA (PUVA) induz a lesões no DNA que diferem daquelas induzidas pela radiação “B”. A síntese de DNA é deprimida por um tempo maior após a terapia PUVA. O eritema resultante da terapia PUVA é tardio se comparado com o induzido pela radiação ultravioleta “B” e pode não envolver mediadores usuais do processo inflamatório causados por uma queimadura solar. Pode começar a apresentar-se em 24 horas após o tratamento. A administração de Metoxisaleno proporciona maior absorção e biodisponibilidade que as cápsulas convencionais e comprimidos convencionais, dos quais inclusive, não existem informações e estudos publicados.
Metoxisaleno proporciona pico de concentração em 1,8 horas (faixa entre 0,5 - 4,0 horas) sendo as concentrações plasmáticas e cutâneas 2 - 3 vezes mais elevadas se comparadas com as cápsulas convencionais. A farmacocinética em comprimidos é desconhecida. O pico de fotossensibilização ocorre em 1,5 - 2,1 horas após a administração de Metoxisaleno.
Quanto à distribuição, o Metoxisaleno é distribuído amplamente nos líquidos e tecidos humanos e parece ocorrer preferencialmente nas células epidérmicas. É distribuído também aos meios ópticos oculares em concentrações proporcionais à concentração sérica. Não se sabe se o Metoxisaleno atravessa a placenta ou se é distribuído para o leite materno. Entre 75% a 91% são fixados às proteínas plasmáticas, principalmente albumina.
A vida média de eliminação do Metoxisaleno é de, aproximadamente, 0,75 a 2,4 horas. Aparentemente é metabolizado de forma rápida e em quase sua totalidade. O Metoxisaleno é desmetilado a 8-hidroxipsoraleno (8- HOP) e o Metoxisaleno e o seu metabólito são conjugados com ácido glucurônico e sulfato. Após a administração oral, 80 - 90% do fármaco é eliminado através da urina dentro das primeiras 8 horas como metabólitos hidroxilados, glucuronidos e sulfatos. Menos de 0,1% da dose é excretada inalterada através da urina. A dissolução das cápsulas em água permite preparar um banho em uma tina para administração tópica em pacientes sensíveis ao tratamento oral ou com psoríase extensa.
Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)