Ação da Substância - Omepramix

Bula Omepramix

Princípio ativo: Amoxicilina + Claritromicina + Omeprazol

Classe Terapêutica: Inibidores da Bomba de Prótons

Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)

Qual a ação da substância do Omepramix?

Resultados de Eficácia


Cento e oitenta e seis pacientes com H. pylori foram randomizados para um dos dois regimes: amoxicilina 1000 mg com claritromicina 500 mg e omeprazol 20 mg duas vezes ao dia por 2 semanas (grupo 1 n = 93) ou amoxicilina 500 mg quatro vezes ao dia com claritromicina 500 mg e omeprazol 20 mg duas vezes ao dia por 2 semanas (grupo 2 n = 93). O sucesso da erradicação do H. pylori foi avaliado 4-5 semanas após o término do tratamento. A taxa geral de erradicação foi de 90,3% e as taxas de erradicação de 91,4% no grupo 1 e 89,2% no grupo 2 (P = 0,62). A adesão foi 95,7% no grupo 1 e 93,5% no grupo 2 (P = 0,516); este foi o único fator que afetou significativamente a erradicação da H. pylori neste estudo. As reações adversas em ambos os grupos foram leves.

Em revisão sistemática, foi comparada a eficácia de diferentes inibidores da bomba de prótons (IBPs) na terapia tripla. Estudos randomizados com pelo menos dois braços de terapia tripla que diferiam apenas quanto ao de tipo de IBP foram incluídos. Quatorze estudos foram incluídos. As taxas de cura foram semelhantes para omeprazol e lansoprazol: 74,7% versus 76%, OR 0,91, (IC de 95% 0,69–1,21) em um total de 1085 pacientes; para omeprazol e rabeprazol: 77,9% versus 81,2%, OR 0,81 (IC 95% 0,58–1,15) em um total de 825 pacientes; para omeprazol e esomeprazol: 87,7% versus 89%, OR 0,89 (IC 95% 0,58–1,35) em 833 pacientes; e para lansoprazol e rabeprazol: 81% versus 85,7%, OR 0,77 (IC 95% 0,48–1,22) em 550 pacientes. A eficácia de vários inibidores da bomba de prótons parece ser similar quando usada para erradicação do H. pylori em terapia tripla padrão.

Kim S.Y. et al. Comparative Study of Helicobacter pylori Eradication Rates of Twice-Versus Four-Times-Daily Amoxicillin Administered with Proton Pump lnhibitor and Clarithromycin: A Randomized Study. Helicobacter, 2008: 282-287.

Vergara, M. et al. Meta‐analysis: comparative efficacy of different proton‐pump inhibitors in triple therapy for Helicobacter pylori eradication. Alimentary pharmacology & therapeutics 18.6 (2003): 647-654.

Características Farmacológicas


Omeprazol

O omeprazol reduz a secreção ácida gástrica por um mecanismo de inibição específico da bomba protônica em nível de célula parietal.

O omeprazol é uma base fraca, concentrada e torna-se ativa num meio ácido dos canalículos intracelulares da célula parietal, onde inibe a H+, K+-ATPase da bomba protônica. Esta ação durante a última etapa do processo de formação do ácido clorídrico é dosedependente e promove uma inibição acentuada e altamente seletiva da secreção ácida, seja da basal, seja da estimulada, independente do secretagogo utilizado.

A longa duração de ação não está correlacionada à concentração plasmática, mas à biodisponibilidade sistêmica. O efeito é completamente reversível sem aumento da secreção ácida de rebote ao final do tratamento. O omeprazol não tem efeitos sobre os receptores acetilcolinérgicos e histamínicos, além de não modificar o esvaziamento gástrico; o omeprazol, ao contrário dos antagonistas H2 não altera a secreção do fator intrínseco.

Com relação à inibição da secreção ácida, pode haver variação reversível dos níveis séricos de gastrina e secretina. O omeprazol não altera a concentração plasmática de insulina, de glucagon, dos hormônios tireoidianos e paratireoidianos. O omeprazol não tem efeito sobre a prolactina nem sobre os hormônios sexuais.

Nas espécies testadas, a toxicidade de omeprazol mostrou-se muito baixa. Pela potente atividade antisecretora e pela longa duração de ação de omeprazol, o animal permaneceu sem acidez estomacal durante todo o período de tratamento, e consequentemente com hipergastrinemia fisiológica e reversível. Nos casos de insuficiência hepática, há um aumento dos valores da área sob a curva, porém sem evidência de acúmulo da substância. Após a fase de absorção, o omeprazol distribui-se rapidamente aos tecidos extravasculares.

Estudos de autorradiografia de distribuição de omeprazol marcado, no camundongo, evidenciaram as mais altas concentrações tissulares na mucosa gástrica, rins, fígado e vias biliares.

Quase toda a parcela de radioatividade administrada foi eliminada no prazo de 16 horas, exceto uma mínima quantidade que persiste na mucosa gástrica. A meia-vida média da fase final da curva concentração plasmática/tempo é de aproximadamente 40 minutos, sem variações dos valores da meia-vida durante o tratamento. O omeprazol é totalmente metabolizado, principalmente no fígado. Os principais metabólitos identificados no plasma são: sulfona, sulfito e oxi-omeprazol, sem significante atividade sobre a secreção ácida. Cerca de 80% dos metabólitos são excretados por via urinária e os 20% restante, por via fecal. Os dois metabólitos mais relevantes na urina são o oxi-omeprazol e o correspondente ácido carboxílico.

Amoxicilina

A amoxicilina é uma aminopenicilina semi-sintética do grupo betalactâmico de antibióticos. Tem um amplo espectro de atividade antibacteriana contra muitos micro-organismos Gram-positivos e Gram-negativos, agindo através da inibição da biosíntese do mucopeptídeo das paredes das células.

Tem rápida ação bactericida e possui o perfil de segurança de uma penicilina. A amoxicilina é bem absorvida. A administração oral produz altos níveis séricos, independente do horário em que a alimentação é ingerida. A amoxicilina proporciona boa penetração nas secreções brônquicas e altas concentrações urinárias de antibiótico inalterado.

A amoxicilina não possui alta ligação a proteínas; aproximadamente 18% do teor total do fármaco no plasma. A amoxicilina espalha-se prontamente na maioria dos tecidos e fluidos corporais, com exceção do cérebro e fluido espinhal. A inflamação geralmente aumenta a permeabilidade das meninges a penicilinas e isto pode aplicar-se à amoxicilina.

A meia-vida de eliminação é de aproximadamente 1 hora, sendo a principal via de eliminação através dos rins. Cerca de 60-70% de amoxicilina são excretados inalterados pela urina durante as primeiras 6 horas após a administração de uma dose padrão. A amoxicilina também é parcialmente eliminada pela urina como ácido peniciloico inativo em quantidades equivalentes a 10-25% da dose inicial.

A administração simultânea de probenecida retarda a excreção de amoxicilina.

Claritromicina

A claritromicina é rapidamente absorvida do trato gastrintestinal após administração oral. O alimento ligeiramente prolonga tanto o início da absorção da claritromicina como a formação do metabólito antimicrobianamente ativo, 14-hidroxiclaritromicina (14-OH claritromicina), mas não afeta a extensão da biodisponibilidade. Portanto, os comprimidos de claritromicina podem ser administrados sem levar em consideração o alimento.

Em pacientes sadios em jejum, as concentrações séricas máximas foram atingidas dentro de duas horas após a dose oral. As concentrações séricas máximas do estado de equilíbrio da claritromicina foram atingidas em dois a três dias e foram de aproximadamente 2 a 3 µg/ml com uma dose de 500 mg administrada a cada 12 horas. A meia-vida de eliminação da claritromicina foi de 5 a 7 horas com 500 mg administrados a cada 8 a 12 horas. A não-linearidade da farmacocinética da claritromicina é insignificante na dose recomendada de 500 mg administrada a cada 12 horas. Com uma dose de 500 mg a cada 8 a 12 horas, a concentração máxima do estado de equilíbrio da 14-OH claritromicina, o principal metabólito, é de até 1 µg/ml e sua meia-vida de eliminação é cerca de 7 a 9 horas. A concentração do estado de equilíbrio deste metabólito é geralmente atingida dentro de 2 a 3 dias.

Após um comprimido de 500 mg a cada 12 horas, a excreção urinária da claritromicina é de aproximadamente 30%. O “clearance” renal da claritromicina aproxima-se da taxa de filtração glomerular normal. O principal metabólito encontrado na urina é a 14-OH claritromicina, que é responsável por um adicional de 10% a 15% da dose com um comprimido de 500 mg administrado a cada 12 horas.

As concentrações do estado de equilíbrio da claritromicina em pacientes com função hepática comprometida não diferiram daquelas em pacientes normais; contudo, as concentrações da 14-OH claritromicina foram menores nos pacientes hepaticamente comprometidos. A formação diminuída da 14-OH claritromicina foi no mínimo parcialmente compensada por um aumento no “clearance” renal da claritromicina nos pacientes com função hepática comprometida quando comparados com pacientes sadios.

A farmacocinética da claritromicina foi também alterada em pacientes com função renal comprometida.

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