Qual a ação da substância do Muvinlax?
Resultados de eficácia
A segurança e eficácia do macrogol 3350 foram avaliadas por meio de vários estudos clínicos.
Uso em pediatria
Em estudo com 24 crianças com idade entre 18 meses e 12 anos, Dinesh e Bishop (2000) demonstraram a eficácia do macrogol 3350 no tratamento da constipação e encoprese com dose média de 0,84 g/kg/d (0,27 a 1,42 g/kg/d). A dose pôde ser ajustada de acordo com a resposta individual da criança, variando em 20% a cada três dias até a obtenção de duas evacuações macias por dia. Não houve relatos de efeitos adversos significativos.
Gremse et al. (2002) demonstraram maior eficácia do macrogol no tratamento da constipação intestinal em relação à lactulose, em crianças de 2-16 anos. Observou-se a diminuição significante do tempo de trânsito colônico total (47,6 ± 2,7 versus 55,3 ± 2,4 para macrogol e lactulose, respectivamente; p = 0,038). Em um estudo de acompanhamento por 12 meses no tratamento de constipação e encoprese com macrogol em crianças acima de quatro anos de idade, LoeningBaucke (2002) observou a manutenção da eficácia do macrogol (ao contrário do que frequentemente ocorre com laxantes irritantes como o sene) e a diminuição da dose média necessária para manutenção do efeito. Não foram relatados efeitos adversos significantes. Algumas crianças apresentaram leve diarreia na fase de ajuste de dose, mas nenhuma criança ficou desidratada.
Não houve interferência no crescimento e evolução de peso das crianças. Não houve relato de aumento de flatulência, distensão ou dor abdominal. Segundo Pashankar et al. (2003), não foram relatadas reações adversas importantes com o uso do macrogol 3350 em 83 crianças acima de dois anos de idade, durante três meses. Algumas crianças apresentaram diarreia leve no período de ajuste da dose, que cessava em até dois dias com a dose final. Outros eventos como flatulência, cólica e náusea foram esporádicos e nenhum paciente interrompeu o tratamento por ocorrência de reação adversa.
Uso prolongado
Foram conduzidos estudos de toxicidade crônica em animais com mais de dois anos de uso oral com macrogol sem demonstrar nenhum sinal de toxicidade. Além disso, a eficácia e segurança foram confirmadas em vários estudos clínicos. Segundo Attar et al. (1999), baseado em um estudo com 115 pacientes com constipação crônica que receberam aleatoriamente macrogol ou lactulose, o macrogol apresentou eficácia superior à lactulose, com menor incidência de reações adversas. O tratamento foi mantido por mais dois meses, totalizando três meses, para investigação da segurança em longo prazo, e não houve relato de reações adversas ou alterações de exames laboratoriais.
Corazziari et al. (2000) realizaram um estudo duplo-cego com 70 pacientes para tratamento de constipação funcional durante seis meses, em que foram determinadas a eficácia e segurança do macrogol em longo prazo. Encontraram-se boa tolerabilidade e ausência de reações adversas significantes. Em coorte de crianças que utilizaram macrogol por até 30 meses no tratamento da constipação infantil, Pashankar et al. (2001) não observaram nenhuma reação adversa maior.
Uso em colonoscopia
Atualmente, o uso do macrogol no preparo do cólon já está estabelecido em vários países. Em estudo com 157 pacientes randomizados que receberam solução de macrogol para determinação do melhor tempo de administração no preparo do cólon, Church (1993) observou que aqueles que tomaram a solução na manhã de sua colonoscopia tiveram melhor preparação do cólon do que os que tomaram na noite anterior. Dipalma et al. (1984) randomizaram 197 pacientes para receberem dietas líquidas, dietas com alimentos com poucos resíduos ou macrogol para preparo do cólon. Dos pacientes que usaram a solução de macrogol, 92% alcançaram resultados bons a excelentes.
Impactação fecal
Estudo realizado por Culbert et al. (1998) demonstrou a eficácia de macrogol no tratamento da impactação fecal em 16 pacientes, com resolução de todos os casos em três dias de tratamento. Não foi relatada reação adversa inesperada. Ferguson et al. (1999) conduziram estudo com pacientes constipados e com impactação fecal, e observaram alívio importante em todos e resolução completa em 25/30 pacientes após três dias de tratamento. Em avaliação da eficácia de magrogol em crianças com impactação fecal, Hanson e Bansal (2006) notaram que, antes do tratamento com macrogol, 57% haviam sido admitidas em hospital e 26% necessitaram de atendimento domiciliar para tratamento da constipação grave. Após o tratamento com macrogol, nenhuma criança necessitou de intervenção.
Características físicas
Macrogol 3350 + Bicarbonato de Sódio + Cloreto de Sódio + Cloreto de Potássio é um laxante isosmótico composto pela associação do macrogol 3350 com eletrólitos. Os macrogóis (polietilenoglicóis) de alto peso molecular (> 1000 KDa) são polímeros essencialmente inertes quando usados por via oral. Os macrogóis de peso molecular maior do que 3.000 KDa, como é o caso de Macrogol 3350 + Bicarbonato de Sódio + Cloreto de Sódio + Cloreto de Potássio, em geral, não são absorvidos por via oral.
Abaixo de 55ºC, o macrogol 3350 é um pó branco, fino, altamente solúvel em água e, devido ao seu alto peso molecular, praticamente não é absorvido no trato digestivo, sendo uma dose oral recuperada quase completamente nas fezes. Após uma administração oral de 240 g de macrogol 3350, recuperou-se apenas 0,06% na urina, não sendo o fármaco detectado no plasma.
Estudos demonstraram que o macrogol não é metabolizado em hidrogênio e metano pela microflora colônica humana.
Parece não haver efeito do macrogol sobre a absorção ativa ou secreção de glicose e/ou eletrólitos.
Este medicamento atua como agente osmótico não absorvível, retendo as moléculas de água através de pontes de hidrogênio. A hidratação e o aumento da massa fecal promovem o estímulo da atividade intestinal, sem produzir efeitos irritativos. Quando utilizado por longos períodos, mantém sua eficácia e segurança, não havendo evidência de taquifilaxia.
Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)