Qual a ação da substância do Minidiab?
Resultados de Eficácia
Efeito na glicemia
A efetividade de Glipizida comprimidos de liberação prolongada no diabetes melito tipo 2 em doses de 5 – 60 mg uma vez ao dia foi avaliada em 4 ensaios clínicos terapêuticos, cada um com extensões abertas, envolvendo um total de 598 pacientes. A administração uma vez ao dia de 5, 10 e 20 mg produziu reduções estatisticamente significativas em relação ao placebo na hemoglobina A1C, glicemia em jejum e glicose pós-prandial em pacientes com diabetes melito tipo 2 leve a grave. Numa análise combinada dos pacientes tratados com 5 mg e 20 mg, a relação entre a dose e o efeito de Glipizida comprimidos de liberação prolongada na redução da hemoglobina A1C não foi estabelecida. Entretanto, no caso da glicemia em jejum os pacientes tratados com 20 mg tiveram uma redução estatisticamente significativa da glicemia em jejum em comparação ao grupo tratado com 5 mg.
As reduções na hemoglobina A1C e da glicemia em jejum foram semelhantes em pacientes mais jovens e idosos.
A eficácia de Glipizida comprimidos de liberação prolongada não foi afetada pelo sexo, raça ou peso (avaliado pelo índice de massa corporal). Em ensaios de extensão abertos, a eficácia de Glipizida comprimidos de liberação prolongada foi mantida em 81% dos pacientes por até 12 meses.
Em um estudo aberto, cruzado de duas vias, 132 pacientes foram designados aleatoriamente para Glipizida comprimidos de liberação prolongada ou para Glipizida comprimidos por 8 semanas e depois trocados para o outro produto por outras 8 semanas. A administração de Glipizida comprimidos de liberação prolongada resultou em níveis de glicemia em jejum significativamente menores e níveis de hemoglobina A1C equivalentes, quando comparado com Glipizida comprimidos.
Características Farmacológicas
Propriedades Farmacodinâmicas
A Glipizida é um fármaco hipoglicemiante oral da classe das sulfonilureias.
O principal mecanismo de ação da Glipizida é o estímulo da secreção de insulina pelas células beta de tecidos de ilhotas pancreáticas. O estímulo da secreção de insulina causado pela Glipizida em resposta a uma refeição é de suma importância. Os níveis de insulina em jejum não se elevam mesmo com a administração prolongada de Glipizida, porém a resposta pós-prandial à insulina continua a ser aumentada após pelo menos 6 meses de tratamento. A resposta insulinotrópica a uma refeição ocorre dentro de 30 minutos após a dose oral de Glipizida em pacientes diabéticos, porém níveis elevados de insulina não persistem além do tempo de exposição aos alimentos. Existe também uma crescente evidência de que os efeitos extrapancreáticos que envolvem a potencialização da ação da insulina formam um componente significativo da atividade da Glipizida.
O controle da glicemia persiste por até 24 horas após uma dose única de Glipizida, mesmo com os níveis plasmáticos tendo declinado a uma pequena fração dos níveis máximos por este período.
Alguns pacientes não respondem inicialmente, ou perdem gradualmente sua capacidade de resposta às sulfonilureias, incluindo a Glipizida. Alternativamente, a Glipizida pode ser eficaz em alguns pacientes que não tenham respondido ou tenham parado de responder a outras sulfonilureias.
Outros Efeitos
Um estudo demonstrou que a terapia com Glipizida é eficaz no controle da glicemia sem os efeitos deletérios sobre o perfil de lipoproteínas plasmáticas de pacientes tratados para diabetes melito tipo 2. Estas alterações foram bem correlacionadas com a redução obtida nos níveis de glicemia em jejum.
Em um estudo controlado por placebo de 3 anos de duração com a Glipizida em baixa dose em diabéticos químicos, a espessura da membrana basal da musculatura capilar foi utilizada como um índice de vasculopatia diabética precoce. O grupo da Glipizida apresenta uma redução significativa na espessura da membrana, embora o grupo-controle tenha apresentado um aumento significativo. Em um estudo cruzado controlado por placebo conduzido em voluntários normais, a Glipizida não apresentou atividade antidiurética e, na realidade, levou a um discreto aumento do clearance de água.
Propriedades Farmacocinéticas
A absorção gastrintestinal da Glipizida em humanos é uniforme, rápida e quase completa. As concentrações plasmáticas máximas ocorrem 1 a 3 horas após uma dose oral única. A meia-vida de eliminação varia de 2 a 4 horas em indivíduos normais, quer sejam administrados por via intravenosa ou por via oral. Os padrões metabólicos e excretores são semelhantes para as duas vias de administração, indicando que o metabolismo de primeira passagem não é significativo. A Glipizida não se acumula no plasma com a administração oral repetida.
A absorção e a disposição totais de uma dose oral não foram afetadas pelos alimentos em voluntários normais, porém a absorção foi retardada em cerca de 40 minutos. Assim, a Glipizida foi mais eficaz quando administrada cerca de 30 minutos antes, em vez de junto a uma refeição de teste em pacientes diabéticos. A ligação a proteínas foi estudada no soro de voluntários que receberam a Glipizida tanto por via oral como por via intravenosa e foi verificada como sendo de 98% a 99% 1 hora após cada uma das vias de administração. O volume aparente de distribuição da Glipizida após a administração intravenosa foi de 11 L, indicativo da localização dentro do compartimento do fluido extracelular. Em camundongos, nem a Glipizida nem os metabólitos foram detectáveis radiograficamente no cérebro ou na medula espinal de machos ou fêmeas, nem em fetos de fêmeas prenhas. Em outro estudo, no entanto, quantidades muito pequenas de radioatividade foram detectadas em fetos de ratas que receberam o fármaco marcado.
O metabolismo da Glipizida é amplo e ocorre principalmente no fígado. Os metabólitos primários são produtos inativos de hidroxilação e conjugados polares e são excretados principalmente na urina. Menos de 10% de Glipizida inalterada é encontrada na urina.
Dados de Segurança Pré-clínica
Os estudos de toxicidade aguda não apresentaram sensibilidade específica. A toxicidade oral aguda da Glipizida foi extremamente baixa em todas as espécies testadas (DL50 maior que 4 g/kg). Os testes de toxicidade crônica em ratos e cães em doses de até 8,0 mg/kg não apresentaram evidência de efeitos tóxicos.
Um estudo de 20 meses em ratos e um estudo de 18 meses em camundongos em doses até 75 vezes a dose máxima em humanos não revelaram evidências de carcinogenicidade relacionada ao fármaco. Testes de mutagenicidade bacteriana e in vivo foram uniformemente negativos. Os estudos em ratos de ambos os sexos em doses até 75 vezes a dose máxima em humanos não apresentaram efeitos sobre a fertilidade.
Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)