Quais cuidados devo ter ao usar o Micofenolato de Mofetila Eurofarma - Momenta?
Neoplasias
De forma similar aos pacientes em uso de regimes imunossupressores com combinações de drogas, os pacientes que recebem Micofenolato de Mofetila como parte de um regime imunossupressor têm maior risco de desenvolver linfomas e outros tumores malignos, particularmente de pele. O risco parece estar mais relacionado à intensidade e à duração da imunossupressão que ao uso de um agente específico.
Da mesma forma que pacientes com maior risco para câncer de pele, a exposição à luz solar e aos raios UV deverá ser limitada através do uso de roupa para proteção adequada e de filtros solares com alto fator de proteção.
Infecções
A supressão em excesso do sistema imunológico também pode aumentar a susceptibilidade às infecções, incluindo infecções oportunistas, infecções fatais e sepse. Essas infecções incluem reativação viral latente, como a reativação de hepatite B ou C ou infecções causadas pelo poliomavírus. Casos de hepatite devido à reativação de hepatite B ou C foram relatados em pacientes portadores tratados com imunossupressores. Casos de leucoencefalopatia multifocal progressiva (LMP) associados com o vírus JC, algumas vezes fatal, foram relatados em pacientes tratados com Micofenolato de Mofetila. Os casos relatados geralmente apresentavam fatores de risco para LEMP, incluindo terapias imunossupressoras e disfunção do sistema imune. Em pacientes imunodeprimidos, a LEMP deve ser considerada no diagnóstico diferencial de pacientes com sintomas neurológicos e a avaliação do neurologista deve ser realizada, se clinicamente indicada.
Nefropatia associada com o vírus BK foi observada durante o uso de Micofenolato de Mofetila em pacientes que receberam transplante renal. Essa infecção pode estar associada com desfechos graves, às vezes levando a perda do enxerto renal. O monitoramento dos pacientes pode ajudar a detectar aqueles com risco para nefropatia associada ao vírus BK. A redução na imunossupressão deve ser considerada para pacientes que desenvolverem evidência de nefropatia associada ao vírus BK.
Sangue e sistema imunológico
Casos de aplasia pura de série vermelha (APSV) foram relatados em pacientes tratados com Micofenolato de Mofetila em associação com outros agentes imunossupressores. O mecanismo de indução de APSV pelo Micofenolato de Mofetila é desconhecido; a contribuição relativa dos outros imunossupressores e suas combinações em um esquema de imunossupressão também é desconhecida. Em alguns casos a APSV foi reversível com a redução da dose ou suspensão do uso de Micofenolato de Mofetila. Em pacientes transplantados, porém, a redução da imunossupressão pode aumentar o risco de rejeição do órgão transplantado.
Medicamentos imunossupressores podem ativar focos primários de tuberculose. Os médicos que acompanham pacientes sob imunossupressão devem estar alertas quanto à possibilidade de surgimento de doença ativa, tomando, assim, todos os cuidados para o diagnóstico precoce e tratamento.
Pacientes que recebem Micofenolato de Mofetila devem ser instruídos a relatar imediatamente qualquer evidência de infecção, contusão inesperada, sangramento ou qualquer outra manifestação de depressão da medula óssea
Pacientes em tratamento com Micofenolato de Mofetila devem realizar hemograma completo semanalmente durante o primeiro mês de tratamento, quinzenalmente no segundo e terceiro meses de tratamento e mensalmente ao longo do primeiro ano. Os pacientes que recebem Micofenolato de Mofetila devem ser monitorados para neutropenia. O desenvolvimento de neutropenia pode estar relacionado diretamente ao Micofenolato de Mofetila, a medicações concomitantes, a infecções virais ou à combinação dessas causas.
Caso ocorra neutropenia (número absoluto de neutrófilos < 1,3 x 103 /L), a administração de Micofenolato de Mofetila deve ser interrompida ou a dose deve ser reduzida, e o paciente observado cuidadosamente.
Doação de sangue
Pacientes não devem doar sangue durante a terapia e por, pelo menos, 6 semanas após a descontinuação do uso de Micofenolato de Mofetila.
Vacinação
Os pacientes devem ser alertados para o fato de que, durante o tratamento com Micofenolato de Mofetila, as vacinas poderão ser menos eficazes e o uso de vacinas de vírus vivo atenuado deve ser evitado. A vacinação contra gripe pode ser útil. Os médicos devem seguir as diretrizes locais quanto às instruções para vacinação contra gripe.
Gastrintestinal
Micofenolato de Mofetila tem sido associado a aumento da incidência de efeitos adversos no sistema digestivo, incluindo casos pouco frequentes de ulceração do trato gastrintestinal, hemorragia e perfuração. O medicamento deve ser administrado com cuidado em pacientes com disfunções ativas graves do sistema digestivo.
Micofenolato de Mofetila é um IMPDH (inibidor da inosina monofosfato desidrogenase). Portanto, deve ser evitado em pacientes com deficiências hereditárias raras de hipoxantina-guanina fosforibosil-transferase (HGPRT), como as síndromes de LeschNyhan ou Kelley-Seegmiller.
Interações
Precaução ao se mudar de terapias combinadas que incluem imunossupressores que interferem na recirculação enterohepática do MPA, como por exemplo, ciclosporina, para outros que não exercem esse efeito, como sirolimus, belatacept, ou vice-versa, pois isso pode resultar em mudanças na exposição ao MPA. O monitoramento da terapia com o medicamento pode ser apropriado para garantir imunossupressão adequada em pacientes com alto risco imunológico (por exemplo: risco de rejeição, tratamento com antibióticos, adição ou remoção de um medicamento de interação). Medicamentos que interferem no ciclo entero-hepático do MPA (por exemplo, colestiramina, sevelâmer, antibióticos) devem ser usados com precaução devido ao seu potencial de redução dos níveis plasmáticos e eficácia de Micofenolato de Mofetila.
Sevelâmer e outros ligantes de fosfato livres de cálcio devem ser administrados 2 horas após a ingestão de Micofenolato de Mofetila, para minimizar o impacto na absorção do MPA.
Não se recomenda a administração concomitante de Micofenolato de Mofetila com azatioprina, uma vez que ambos possuem o potencial de causar supressão da medula óssea e a referida administração concomitante não foi estudada.
Populações Especiais
Potencial reprodutivo feminino e masculino
Fertilidade
Micofenolato de Mofetila é contraindicado para mulheres em idade fértil que não estão utilizando métodos contraceptivos altamente efetivos. Malformações (incluindo anoftalmia, agnatia e hidrocefalia) ocorreram na primeira geração de descendentes de ratas tratadas com doses orais de Micofenolato de Mofetila em ausência de toxicidade materna. Nenhum efeito foi observado na fertilidade em ratos tratados com Micofenolato de Mofetila.
Teste de gravidez
Antes do início da terapia com Micofenolato de Mofetila, mulheres em idade fértil devem ter um teste de gravidez sanguíneo ou urinário negativo, com sensibilidade de pelo menos 25 mUI/mL. Um segundo teste deve ser realizado de 8 a 10 dias depois. Testes de gravidez repetitivos devem ser realizados em visitas de acompanhamento. Os resultados de todos os testes de gravidez devem ser discutidos com o paciente. Os pacientes devem ser instruídos a consultar seu médico imediatamente em caso de gravidez.
Contracepção
Mulheres
Micofenolato de Mofetila é contraindicado para mulheres em idade fértil que não estão utilizando métodos contraceptivos altamente efetivos.
Antes do início do tratamento, pacientes do sexo feminino com potencial reprodutor devem estar cientes do risco aumentado da perda da gravidez e malformações congênitas e devem ser aconselhados sobre a prevenção da gravidez e planejamento.
Mulheres em idade fértil devem utilizar simultaneamente duas formas confiáveis de contracepção, no mínimo uma que deve ser altamente efetiva antes do início da terapia com Micofenolato de Mofetila, durante a terapia e durante seis semanas após a descontinuação da terapia, a menos que a abstinência sexual tenha sido o método contraceptivo escolhido.
Homens
Evidência clinica limitada está disponível sobre exposição paterna ao Micofenolato de Mofetila. Essa evidência não indica um aumento do risco de malformações ou aborto espontâneo após exposição paternal ao Micofenolato de Mofetila.
Evidências não-clínicas mostram que a dose de Micofenolato de Mofetila que pode ser transferida via fluido seminal para parceira potencialmente grávida é 30 vezes menor que a concentração sem efeitos teratogênicos em animais, e 200 vezes menor do que a menor concentração teratogênica em animais. Portanto, o risco de danos por meio de fluido seminal é considerado insignificante. Porém, efeitos genotóxicos foram observados em estudos com animais com exposições que excedem a exposição terapêutica humana em aproximadamente 2,5 vezes. Assim, o risco de efeitos genotóxicos em células espermáticas não pode ser completamente excluído.
Na ausência de dados suficientes para excluir o risco de danos ao feto concebido durante ou diretamente após o tratamento do pai, as seguintes medidas de precaução são recomendadas: que pacientes do sexo masculino sexualmente ativos e/ou suas parceiras utilizem contraceptivos efetivos durante o tratamento do paciente do sexo masculino e por, no mínimo, 90 dias após o término do tratamento.
Gravidez
Micofenolato de Mofetila é contraindicado na gravidez devido ao seu potencial teratogênico e mutagênico.
Micofenolato de Mofetila é um teratógeno humano, aumentando o risco de abortos espontâneos (principalmente no primeiro trimestre da gravidez) e malformações congênitas no caso de exposição materna durante a gravidez. Na literatura médica, o risco de abortos espontâneos relatado foi de 45 a 49% após a exposição micofenolato de mofetil, em comparação com uma taxa relatada entre 12 e 33% em pacientes transplantados de órgãos sólidos tratados com outros imunossupressores.
Em literatura publicada, malformações congênitas (incluindo malformações múltiplas em recém-nascidos) foram relatadas em 23 a 27% dos nascidos vivos em gravidezes expostas ao Micofenolato de Mofetila. Como comparativo, o risco de malformações é estimado em aproximadamente 2% dos nascidos vivos na população geral e em aproximadamente 4 a 5% em pacientes submetidos ao transplante de órgãos sólidos tratados com imunossupressores diferentes do Micofenolato de Mofetila.
As seguintes malformações foram mais frequentemente relatadas no período de pós-comercialização em filhos de pacientes expostas ao Micofenolato de Mofetila em associação com outros imunossupressores durante a gravidez:
- Malformações faciais, como lábio leporino, fenda palatina, micrognatia e hipertelorismo das órbitas;
- Anormalidades dos ouvidos (por exemplo, formação anormal ou ausência do ouvido externo / médio) e olhos (por exemplo, coloboma, microftalmia);
- Malformações dos dedos (por exemplo, polidactilia, sindactilia, braquidactilia);
- Anormalidades cardíacas, tais como defeitos dos septos atrial e ventricular;
- Malformações esofágicas (por exemplo, atresia esofágica);
- Malformações do sistema nervoso (tais como espinha bífida).
Esses achados foram consistentes com estudos teratológicos realizados em ratos e coelhos em que reabsorção fetal e malformações ocorreram na ausência de toxicidade materna.
Trabalho de parto e parto
O uso seguro de Micofenolato de Mofetila durante trabalho de parto e parto não foi estabelecida.
Lactação
Não é conhecido se Micofenolato de Mofetila é excretado no leite materno humano. Devido ao potencial de reações adversas sérias em lactentes, Micofenolato de Mofetila é contraindicado durante a amamentação.
Apesar da relevância em humanos ser desconhecida, estudos em ratas demonstraram que Micofenolato de Mofetila pode ser excretado pelo leite.
Doação de sêmen
Homens não devem doar sêmen durante a terapia e por, pelo menos, 90 dias a partir da descontinuação do uso de Micofenolato de Mofetila.
Uso pediátrico (idade < 18 anos)
Não existem dados disponíveis para transplante cardíaco ou hepático em pacientes pediátricos.
Uso em pacientes com insuficiência renal
Vide itens "Como usar o Micofenolato de Mofetila?", "Posologia do Micofenolato de Mofetila" e "Características Farmacológicas - Farmacocinética".
Uso em pacientes com insuficiência hepática
Vide itens "Como usar o Micofenolato de Mofetila?", "Posologia do Micofenolato de Mofetila" e "Características Farmacológicas - Farmacocinética".
Abuso e dependência do medicamento
Não há dados disponíveis que demonstrem que Micofenolato de Mofetila possui potencial para abuso ou cause dependência.
Efeitos sobre a capacidade de dirigir e operar máquinas
Micofenolato de Mofetila pode ter um efeito moderado sobre a capacidade de dirigir e operar máquinas. Pacientes devem ser orientados a ter precaução ao dirigir ou operar máquinas se apresentarem reações adversas ao medicamento como sonolência, confusão, tontura, tremor ou hipotensão durante o tratamento com Micofenolato de Mofetila.
Até o momento, não há informações de que Micofenolato de Mofetila possa causar doping.
Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)