Ação da Substância - LuftaGastroPro

Bula LuftaGastroPro

Princípio ativo: Alginato de Sódio + Bicarbonato de Potássio

Classe Terapêutica: Antiácidos Puros

Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)

Qual a ação da substância do LuftaGastroPro?

Resultados de Eficácia


Diversos estudos comprovaram a eficácia clínica do alginato de sódio no controle dos sintomas dispépticos, inclusive aqueles que ocorrem durante a gestação. Uma revisão sobre o assunto foi recentemente publicada, concluindo que medicações a base do alginato de sódio têm rápido início de ação, semelhante aos antiácidos comuns, mas com maior duração de ação que esta classe (até 4 h vs. 30-40 minutos) (1).

Chatfield e cols. (2) avaliaram num estudo multicêntrico, duplo-cego randomizado e controlado com placebo, a eficácia de Alginato de Sódio + Bicarbonato de Potássio em comparação com placebo, em 98 pacientes com doença do refluxo gastroesofágico. Após duas e quatro semanas, a melhora obtida com Alginato de Sódio + Bicarbonato de Potássio foi superior ao placebo tanto na avaliação do paciente quanto pela avaliação médica. Observou-se menor taxa de abandono do estudo por falta de eficácia ou eventos adversos no grupo placebo em comparação com o grupo tratado com Alginato de Sódio + Bicarbonato de Potássio (40% vs. 21%; p = 0,04).

Giannini e cols. (3) avaliaram eficácia e segurança de Alginato de Sódio + Bicarbonato de Potássio tendo como comparador um antiácido a base de magaldrato (aluminato de magnésio hidratado) num estudo aberto envolvendo 191 pacientes com duração de 14 dias. Observou-se maior frequência de resposta clínica (melhora dos sintomas de refluxo) em menos de 30 minutos no grupo que usou Alginato de Sódio + Bicarbonato de Potássio (49,4% vs. 40,4%; p = 0,0074). Além disso, uma maior proporção de pacientes reportou remissão completa dos sintomas após o uso de Alginato de Sódio + Bicarbonato de Potássio (81,6% vs. 73,9%).

Lindow e cols. (4) avaliaram em um estudo aberto e multicêntrico, a eficácia e segurança de Alginato de Sódio + Bicarbonato de Potássio em gestantes com sintomas de refluxo. Cento e quarenta e oito gestantes com idade gestacional inferior a 38 semanas foram tratadas com Alginato de Sódio + Bicarbonato de Potássio (5-10 mL por tomada no momento dos sintomas, até o máximo de 40 mL/dia) durante 4 semanas. O tratamento foi considerado como “muito bom” ou “bom” pelos investigadores para 88% das pacientes. A maior parte das pacientes (57%) reportou melhora dos sintomas em até 10 minutos após a administração da medicação, e quase todas (93%) tiveram melhora em até 20 minutos. A taxa de complicações periparto foi considerada dentro do esperado para gestações normais e nenhum evento adverso sério observado nas mães e nos conceptos foi considerado atribuível ao tratamento com Alginato de Sódio + Bicarbonato de Potássio.

A eficácia e segurança do alginato de sódio em gestantes foi confirmada no estudo publicado por Uzan e cols. (5), no qual 50 gestantes no 2 o e 3 o trimestres de gestação foram tratadas. Observou-se pelo menos alguma melhora em 98% das pacientes, sendo que a resposta foi classificada como “boa” ou “muito boa” em 72%. A tolerabilidade foi considerada “excelente” em 38% e “boa” em 48% dos casos. Nenhum evento adverso relacionado à gestação foi reportado.

Destacou-se ainda, que devido à sua ação mecânica, localizada na parte superior do estômago, o produto não ocasiona nenhuma reação iatrogênica à mãe ou ao feto.

Strugala et al (6) avaliaram o uso de alginato de sódio em pacientes grávidas com sintomas de azia em um estudo multicêntrico, aberto, prospectivo. Cento e quarenta e quatro gestantes com idade gestacional inferior a 38 semanas do Reino Unido e da África do Sul foram tratadas com alginato de sódio por até 4 semanas. O tratamento foi considerado “muito bom” ou “bom” para 91% das pacientes, de acordo com avaliação do investigador. A maioria das pacientes optou por continuar o tratamento após as 4 semanas do período de tratamento do protocolo, seguindo prática clínica regular, e acompanhamento pós tratamento. Os sintomas de refluxo noturno tiveram melhora significativa com o tratamento com alginato, que representa uma melhora na qualidade de vida das grávidas. Não houve alterações de nível sérico de sódio e potássio. Nenhum evento adverso sério nos fetos ou recém-nascidos foi considerado possível ou provavelmente relacionado ao alginato de sódio.

Dettmar e cols. (7) compararam o alginato de sódio (20 mL de suspensão com alginato de sódio 50mg/mL, bicarbonato de sódio 26,7mg/mL e carbonato de cálcio 16mg/mL) com omeprazol (10 mg), ranitidina (75 mg) e controle (água) quanto à rapidez para a elevação do pH gástrico e para o alívio de sintomas relacionados ao refluxo gastroesofágico.

Como era de se esperar pelo seu mecanismo de ação que dispensa a absorção sistêmica, o alginato de sódio foi superior na 1 a hora pós-administração em manter o pH gástrico mais elevado e em controlar os sintomas de refluxo, em comparação com omeprazol e ranitidina e também com o controle. Os mesmos autores demonstraram em um estudo de farmacocinética que a administração da suspensão a base de alginato de sódio não interfere na absorção de omeprazol, possibilitando, desta forma, a administração dos dois medicamentos ao mesmo paciente (8).

O tratamento combinado com cimetidina (200 mg) e alginato de sódio (500 mg), administrados 4 vezes ao dia, foi comparado com a cimetidina em dose plena (400 mg, 4 vezes ao dia) em um estudo clínico envolvendo 312 pacientes.

Após 12 semanas de acompanhamento, 91,6% dos pacientes em uso da terapia combinada apresentaram melhora dos sintomas de refluxo, em comparação com 75,3% dos pacientes usando apenas cimetidina (p < 0,01) (9).

McGlashan e cols (10). Avaliaram 49 pacientes com diagnóstico de refluxo supraesofágico, (índice de sintomas de refluxo [ISR] >10 juntamente com escore de achados de refluxo [EAR] >5), que foram randomizados para tratamento com Alginato de Sódio + Bicarbonato de Potássio (10 mL após as três principais refeições e antes de dormir) ou para observação apenas.

Inicialmente, todos os pacientes foram acompanhados por 2 meses, período este que poderia ser estendido até 6 meses a critério do investigador. Os desfechos primário e secundário foram as variações no ISR e no EAR entre o início do acompanhamento e após 2 meses, respectivamente. Observou-se melhora no ISR nos dois grupos, mas a diferença entre o basal e a avaliação de 2 meses nos pacientes tratados com Alginato de Sódio + Bicarbonato de Potássio foi estatisticamente superior ao observado no grupo sem tratamento (diferença = -5,26; IC95%, -8,81 a -1,72; p =0,005). Quanto ao EAR, somente os pacientes tratados com Alginato de Sódio + Bicarbonato de Potássio apresentou melhora significante do EAR (p <0,01). Como em outros estudos com Alginato de Sódio + Bicarbonato de Potássio, o perfil de segurança foi extremamente favorável: o número de eventos adversos reportados foi semelhante entre os grupos Alginato de Sódio + Bicarbonato de Potássio e controle (136 e 127 eventos adversos, respectivamente). Dez eventos (7% do grupo Alginato de Sódio + Bicarbonato de Potássio) foram considerados possivelmente ou provavelmente relacionados ao medicamento em investigação.

Referências Bibliográficas

1. Mandel KG, Daggy BP, Brodie DA, Jacoby HI. Review article: alginate-raft formulations in the treatment of heartburn and acid reflux. Aliment Pharmacol Ther. 2000;14(6):669-90. Epub 2000/06/10.
2. Chatfield S. A comparison of the efficacy of the alginate preparation, Gaviscon Advance, with placebo in the treatment of gastro-oesophageal reflux disease. Curr Med Res Opin. 1999;15(3):152-9. Epub 2000/01/06.
3. Giannini EG, Zentilin P, Dulbecco P, Iiritano E, Bilardi C, Savarino E, et al. A comparison between sodium alginate and magaldrate anhydrous in the treatment of patients with gastroesophageal reflux symptoms. Dig Dis Sci. 2006;51(11):1904-9. Epub 2006/09/16.
4. Lindow SW, Regnell P, Sykes J, Little S. An open-label, multicentre study to assess the safety and efficacy of a novel reflux suppressant (Gaviscon Advance) in the treatment of heartburn during pregnancy. Int J Clin Pract.2003;57(3):175-9. Epub 2003/05/02.
5. Uzan M, Uzan S, Sureau C, Richard-Berthe C. [Heartburn and regurgitation in pregnancy. Efficacy and innocuousness of treatment with Gaviscon suspension]. Rev Fr Gynecol Obstet. 1988;83(7-9):569-72. Epub 1988/07/01. Pyrosis et regurgitations au cours de la grossesse. Efficacite et innocuite d'un traitement par Gaviscon suspension.
6. Strugala V, Bassin J., Swales VS, Lindow SW, Dettmar PW, Thomas ECM. Assessment of the safety of a raft- forming alginate reflux supressant (Liquid Gaviscon) for the treatment of heartburn during Pregnancy. ISRN Obstet Gynecol 2012; 2012:481870.
7. Dettmar PW, Sykes J, Little SL, Bryan J. Rapid onset of effect of sodium alginate on gastro-oesophageal reflux compared with ranitidine and omeprazole, and relationship between symptoms and reflux episodes. Int J Clin Pract. 2006;60(3):275-83. Epub 2006/02/24.
8. Dettmar PW, Hampson FC, Jain A, Choubey S, Little SL, Baxter T. Administration of an alginate based gastric reflux suppressant on the bioavailability of omeprazole. Indian J Med Res. 2006;123(4):517-24. Epub 2006/06/20.
9. Combination of cimetidine and alginic acid: an improvement in the treatment of oesophageal reflux disease. Cooperative Oesophageal Group. Gut. 1991;32(7):819-22. Epub 1991/07/01.
10. McGlashan JA, Johnstone LM, Sykes J, Strugala V, Dettmar PW. The value of a liquid alginate suspension (Gaviscon Advance) in the management of laryngopharyngeal reflux. Eur Arch Otorhinolaryngol. 2009;266(2):243- 51. Epub 2008/05/29.
11. Humphreys ER, Triffitt JT. Absorption by the rat of alginate labelled with carbon-14. Nature. 1968;219(5159):1172-3. Epub 1968/09/14.

Características Farmacológicas


Após a ingestão de Alginato de Sódio + Bicarbonato de Potássio, a suspensão reage rapidamente com o ácido gástrico e forma um aglomerado de gel de ácido algínico com pH aproximadamente neutro, que possui baixa densidade devido ao dióxido de carbono formado a partir da reação do bicarbonato de potássio com o ácido gástrico, e assim flutua sobre o conteúdo estomacal impedindo o refluxo gastroesofágico por até 4 horas. Em casos severos, a barreira de gel de ácido algínico pode refluir pelo esôfago em substituição ao conteúdo gástrico, promovendo alívio da pirose e queimação. Além disso, há evidências in vitro de que a barreira é capaz de capturar e manter em seu interior a bile e a pepsina, promovendo proteção da mucosa esofágica da ação destas substâncias.

Alginato de Sódio + Bicarbonato de Potássio possui mecanismo de ação físico, uma vez que não é absorvido pela circulação sistêmica. A formação do aglomerado de gel de ácido algínico é muito rápida, em torno de 15 segundos, pois independe de processos biológicos. Por este motivo, o início do alívio dos sintomas dispépticos costuma ser muito rápido após a administração do alginato de sódio.

Um estudo pré-clínico confirmou que a absorção sistêmica dos alginatos administrados por via oral é desprezível; após a alimentação de ratos com alginatos marcados com 14C; a recuperação da radioatividade nas fezes foi de 85-91%, na urina de 0,11-0,16%, no dióxido de carbono expirado de 0,21-0,42% e no plasma após 17 horas de 0,002-0,007% (11). Os sais de bicarbonato e carbonato como o bicarbonato de potássio são absorvidos, e na ausência de deficiência de carbonato de hidrogênio no plasma, os íons de carbonato de hidrogênio são prontamente excretados na urina.

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