Qual a ação da substância do Lorbrena?
Resultados de Eficácia
Estudos clínicos
O uso de Lorlatinibe no tratamento de CPNPC avançado com ALK positivo, previamente tratado com 1 ou mais ALK TKIs, foi investigado no Estudo B7461001, um estudo multicêntrico de fase 1/2 de braço único. Um total de 197 pacientes com CPNPC avançado com ALK, previamente tratados com 1 ou mais ALK TKIs, foram incluídos na fase 2 do estudo. Os pacientes receberam Lorlatinibe por via oral na dose recomendada de 100 mg uma vez ao dia, continuamente.
O parâmetro de avaliação de eficácia primário na parte da Fase 2 do estudo foi a taxa de resposta objetiva (TRO), incluindo TRO intracraniana, conforme a Revisão Central Independente (ICR) de acordo com os Critérios de Avaliação de Resposta modificados em Tumores Sólidos (RECIST versão 1.1 modificada). Os parâmetros de avaliação secundários incluíram duração da resposta (DDR), DDR intracraniana, tempo para resposta (TTR) e sobrevida livre de progressão (PFS).
Os dados demográficos dos 197 pacientes com CPNPC avançado de ALK positivo previamente tratados com 1 ou mais ALK TKIs foram 59% mulheres, 49% caucasianos, 36% asiáticos e a média de idade era de 53 anos (faixa de variação: 29 a 85 anos) com 19% ≥65 anos. O status de desempenho do Eastern Cooperative Oncology Group (ECOG) [Grupo Oncológico Cooperativo Oriental] no início do estudo era de 0 ou 1 em 97% dos pacientes e 2 em 4% dos pacientes. Metástases cerebrais estavam presentes no início do estudo em 62% dos pacientes. Todos os 197 pacientes receberam terapia sistêmica prévia, 20% receberam 1, 28% receberam 2, 19% receberam 3 e 34% receberam 4 ou mais terapias sistêmicas prévias. Dos 197 pacientes, 44% receberam previamente 1 tratamento com ALK TKI, 33% receberam 2 tratamentos com ALK TKIs e 23% receberam 3 ou mais ALK TKIs.
Os principais resultados de eficácia do Estudo B7461001 estão resumidos nas Tabelas 1 e 2.
Tabela 1. Resultados de eficácia no Estudo B7461001 pelo tratamento prévio de ALK TKI
Parâmetro de eficácia | Grupo A | Grupo B | Grupo C | Grupos reunidos A, B, C |
| Crizotinibe (N=59) | 1 ALK TKI,a excluindo crizotinibe como o único TKI (N=27) | 2 ou mais ALK TKIs (N=111) | 1 ou mais ALK TKIs (N=197) | |
Taxa de resposta objetivab (IC de 95%)c | 69,5% (56,1, 80,8) | 33,3% (16,5, 54,0) | 38,7% (29,6, 48,5) | 47,2% (40,1, 54,4) |
Resposta completa, n | 1 | 1 | 2 | 4 |
Resposta parcial, n | 40 | 8 | 41 | 89 |
Duração da resposta | ||||
Mediana, meses | NA | NA | NA | NA |
(IC de 95%)d | (11,1, NA) | (4,1, NA) | (5,5, NA) | (11,1, NA) |
Sobrevida livre de progressão | ||||
Mediana, meses | NA | 5,5 | 6,9 | 7,4 |
(IC de 95%)d | (12,5, NA) | (2,9, 9,0) | (5,4, 9,5) | (5,6, 11,0) |
Abreviações: ALK = quinase do linfoma anaplásico; IC = intervalo de confiança; ICR = revisão central independente; N/n = número de pacientes; NA = não atingido; TKI = inibidor da tirosina quinase.
a alectinibe, brigatinibe ou ceritinibe.
b Conforme ICR.
c Usando o método exato com base na distribuição binomial.
d Usando o método Brookmeyer-Crowley.
Tabela 2. Resultados de eficácia intracraniana no Estudo B7461001 por tratamento prévio*
Parâmetro de eficácia | Grupo A | Grupo B | Grupo C | Grupos reunidos A, B, C |
Crizotinibe (N=37) | Uma 2ª geração ALK TKIa (N=12) | 2 ou mais ALK TKIs (N=83) | 1 ou mais ALK TKIs (N=132) | |
Taxa de resposta objetivab (IC de 95%)c | 67,6% (50,2, 82,0) | 41,7% (15,2, 72,3) | 48,2% (37,1, 59,4) | 53,0% (44,2, 61,8) |
Resposta completa, n | 10 | 1 | 24 | 35 |
Resposta parcial, n | 15 | 4 | 16 | 35 |
Duração da resposta | ||||
Mediana, meses | NA | NA | 14,5 | 14,5 |
(IC de 95%)d | (NA, NA) | (4,1, NA) | (8,3, 14,5) | (NA, NA) |
* Em pacientes com pelo menos 1 metástase cerebral de valor basal mensurável.
Abreviações: ALK = quinase do linfoma anaplásico; IC = intervalo de confiança; ICR = revisão central independente; N/n = número de pacientes; CPNPC = câncer de pulmão de células não pequenas; NA = não atingido; TRO = taxa de resposta objetiva; PFS = sobrevida livre de progressão; TKI = inibidor da tirosina quinase.
a alectinibe, brigatinibe ou ceritinibe.
b Conforme ICR.
c Usando o método exato com base na distribuição binomial.
d Usando o método Brookmeyer-Crowley.
Entre os 93 pacientes com uma resposta objetiva confirmada pelo ICR, o TTR médio foi de 1,4 meses (faixa de variação: 1,1 a 11,0 meses). Entre os 70 pacientes com uma resposta objetiva do tumor confirmada pelo ICR, a TTR intracraniana média foi de 1,4 meses (faixa de variação: 1,1 a 6,2 meses).
Referências
1. Benjamin JS, et al. Lorlatinib in patients with ALK-positive non-small-cell lung cancer: results from a global phase 2 study. Lancet Oncol 2018; 19: 1654–67
Características Farmacológicas
Propriedades Farmacodinâmicas
O lorlatinibe é um inibidor de pequenas moléculas inibidoras da tirosina quinase ALK e ROS1, com penetração em sistema nervoso central, adenosina trifosfato (ATP) competitiva, seletivo, que atua em mecanismos de resistência desenvolvidos após tratamento prévio com inibidores de ALK.
Em estudos não clínicos, o lorlatinibe inibiu potencialmente as atividades catalíticas de ALK não mutantes e uma ampla gama de quinases mutantes de ALK clinicamente relevantes em enzimas recombinantes e ensaios com base em células. As mutações de ALK analisadas incluíram aquelas que conferiram resistência a outros inibidores de ALK, incluindo alectinibe, brigatinibe, ceritinibe e crizotinibe.
O lorlatinibe demonstrou atividade antitumoral marcada em baixas concentrações plasmáticas livres nanomolares em camundongos portadores de xenoenxertos tumorais que expressam fusões equinodermes de proteínas semelhantes a microtúbulos 4 (EML4) com ALK variante 1 (v1), incluindo mutações ALK L1196M, G1269A, G1202R, e I1171T. Sabe-se que dois desses mutantes ALK, G1202R e I1171T, conferem resistência aos inibidores de ALK de primeira e segunda geração. O lorlatinibe também é capaz de penetrar na barreira hematoencefálica e alcançar exposição cerebral eficaz em camundongos e ratos. Em camundongos com implantes de tumor cerebral EML4ALK ou EML4ALKL1196M ortotópicos, o lorlatinibe causou redução tumoral e proporcionou sobrevida prolongada. A eficácia antitumoral global do lorlatinibe foi dependente da dose e fortemente correlacionada com a inibição da fosforilação de ALK.
Propriedades Farmacocinéticas
Absorção
As concentrações máximas de lorlatinibe no plasma são rapidamente atingidas com a Tmax média de 1,2 horas após uma dose única de 100 mg e de 2,0 horas após uma dose múltipla de 100 mg uma vez por dia.
Após a administração oral de comprimidos de lorlatinibe, a biodisponibilidade absoluta média é de 80,8% (IC de 90%: 75,7%, 86,2%) em comparação com a administração intravenosa.
A administração de lorlatinibe com alimentação com alto teor de gordura e alto teor calórico resultou em exposição 5% maior em comparação ao jejum noturno (razão AUCinf de 104,7%; IC de 90% para a razão: 101,3%, 108,3%). O lorlatinibe pode ser administrado com ou sem alimento. O rabeprazol, inibidor da bomba de prótons, teve um efeito mínimo sobre a exposição plasmática do lorlatinibe (razão AUCinf de 100,9%; IC de 90% para a razão: 97,6%, 104,3%). Nenhum ajuste de dose é necessário quando lorlatinibe é tomado com inibidores da bomba de prótons, antagonistas dos H2-receptores ou antiácidos de ação local.
Após múltiplas administrações de dose uma vez ao dia, o Cmax de lorlatinibe aumentou proporcionalmente à dose e o AUCtau aumentou ligeiramente menos do que proporcionalmente em uma dose de lorlatinibe de 10 a 200 mg uma vez ao dia. Na dose de 100 mg uma vez ao dia de lorlatinibe, a média geométrica de concentração plasmática máxima foi 577 ng/mL e a AUC24 5.650 ng h/mL em pacientes com câncer. A depuração oral média geométrica foi 17,7 L/h. A depuração oral de lorlatinibe aumentou no estado de equilíbrio em comparação com a dose única, indicando autoindução.
Distribuição
A ligação in vitro do lorlatinibe às proteínas plasmáticas humanas é de 66% com ligação moderada à albumina à glicoproteína ácida α1.
Metabolismo
Em humanos, o lorlatinibe sofre oxidação e glucuronidação como as principais vias metabólicas. Os dados in vitro indicam que o lorlatinibe é principalmente metabolizado pelo CYP3A4 e UGT1A4 com contribuições menores do CYP2C8, CYP2C19, CYP3A5 e UGT1A3.
No plasma, um ácido benzoico metabólito de lorlatinibe resultante da clivagem oxidativa das ligações amida e éter aromático do lorlatinibe foi observado como metabólito principal, responsável por 21% da radioatividade circulante. O metabólito de clivagem oxidativa é farmacologicamente inativo.
Eliminação
A meia-vida plasmática do lorlatinibe após uma dose única de 100 mg foi 23,6 horas. Após a administração oral de uma dose de 100 mg radiomarcada de lorlatinibe, uma média de 47,7% da radioatividade foi recuperada na urina e 40,9% da radioatividade foi recuperada nas fezes, com recuperação total média global de 88,6%.
O lorlatinibe inalterado era o principal componente do plasma e das fezes humanas, representando 44% e 9,1% da radioatividade total no plasma e nas fezes, respectivamente. Menos de 1% de lorlatinibe inalterado foi detectado na urina.
Eletrofisiologia cardíaca
Intervalo QT
No Estudo B7461001, 2 pacientes (0,7%) apresentaram valores de QTc (QTcF) de correção de Fridericia absolutos >500 ms e 5 pacientes (1,8%) tiveram uma mudança no QTcF do valor basal >60 ms.
Além disso, o efeito de uma dose oral única de lorlatinibe (50 mg, 75 mg e 100 mg) com e sem 200 mg de itraconazol uma vez ao dia foi avaliado em um estudo cruzado de 2 vias em 16 voluntários saudáveis. Não foram observados aumentos no intervalo QTc médio para as concentrações médias observadas de lorlatinibe neste estudo.
Em 295 pacientes que receberam lorlatinibe na dose recomendada de 100 mg uma vez ao dia no Estudo B7461001, não foram detectados aumentos médios significativos do valor basal no intervalo QTcF (ou seja, >20 ms).
Intervalo PR
Em 295 pacientes que receberam lorlatinibe na dose recomendada de 100 mg uma vez ao dia e tinham uma medição de ECG no Estudo B7461001, a alteração média máxima do valor basal para o intervalo PR foi de 16,4 ms (IC de 90% superior de 2 lados: 19,4 ms). Entre os 284 pacientes com intervalo PR <200 ms, 14% tiveram prolongamento do intervalo PR ≥200 ms após o início de lorlatinibe. O prolongamento do intervalo PR ocorreu de forma dependente da concentração. O bloqueio atrioventricular ocorreu em 1,0% dos pacientes.
Para aqueles pacientes que desenvolvem prolongamento PR, pode ser necessário.
Populações especiais
Insuficiência hepática
Uma vez que o lorlatinibe é metabolizado no fígado, é provável que o comprometimento hepático aumente as concentrações plasmáticas do lorlatinibe. Os estudos clínicos que foram conduzidos excluíram pacientes com AST ou ALT >2,5 x LSN, ou devido a malignidade subjacente, >5,0 x LSN ou com bilirrubina total >1,5 x LSN. Análises populacionais farmacocinéticas mostraram que a exposição ao lorlatinibe não era clinicamente significativa em pacientes com insuficiência hepática leve (n = 50). Não são recomendados ajustes da dose para pacientes com insuficiência hepática leve. O lorlatinibe não foi estudado em pacientes portadores de insuficiência hepática grave.
Disfunção renal
Menos de 1% da dose administrada é detectada como lorlatinibe inalterado na urina. Estudos clínicos excluíram pacientes com creatinina sérica >1,5 x LSN ou CLcr estimado <60 mL/min. Análises farmacocinéticas populacionais mostraram que a exposição ao lorlatinibe não foi clinicamente significativa em pacientes com insuficiência renal leve (n = 103) ou moderada (n = 41) (CLcr ≥ 30 mL/min). Nenhum ajuste de dose é necessário para pacientes com insuficiência renal leve ou moderada (vide item 8. Posologia e Modo de usar). As informações para uso de lorlatinibe em pacientes com insuficiência renal grave (CLcr <30 mL/min) é limitada (n = 1).
Idosos (≥65 anos)
Dos 295 pacientes na população de segurança do Estudo B7461001, 18,3% dos pacientes tinham 65 anos ou mais. Dos 215 pacientes na população de eficácia do Estudo B7461001, 17,7% dos pacientes tinham 65 anos ou mais. Embora os dados sejam limitados, não foram observadas diferenças clinicamente relevantes na segurança ou eficácia entre pacientes com idade maior ou igual a 65 anos e pacientes mais jovens; não são recomendados ajustes de dose em pacientes idosos.
Sexo, raça, peso corporal e fenótipo
Análises farmacocinéticas populacionais em pacientes com CPNPC avançado e voluntários saudáveis indicam que não há efeitos clinicamente relevantes de idade, sexo, raça, peso corporal ou fenótipos para CYP3A5 e CYP2C19.
Dados de Segurança Pré-Clínicos
Toxicidade por dose repetida
As principais toxicidades observadas foram inflamação em vários tecidos (com aumento de glóbulos brancos) e alterações no pâncreas (com aumento de amilase e lipase), sistema hepatobiliar (com aumento de enzimas hepáticas), sistema reprodutor masculino, sistema cardiovascular, rins e trato gastrointestinal e, nervos periféricos e sistema nervoso central (potencial para comprometimento funcional cognitivo) (aproximadamente 4,6 a 21 vezes a exposição clínica humana a 100 mg com base na AUC para todas as toxicidades). Foram também observadas alterações na pressão arterial e frequência cardíaca, e prolongamento do intervalo QRS e PR em animais após administração aguda (aproximadamente 2,6 vezes a exposição clínica humana a 100 mg após uma dose única com base na Cmax). Todas as descobertas dos órgãos-alvo, com exceção da hiperplasia do duto biliar hepático (aproximadamente 7,1 a 21 vezes a exposição clínica humana a 100 mg, com base na AUC), foram parcialmente para totalmente reversíveis.
Genotoxicidade
O lorlatinibe não foi mutagênico em um ensaio de mutação reversa bacteriana (Ames). O lorlatinibe induziu micronúcleos via mecanismo aneugênico em células TK6 linfoblastoides humanas in vitro e na medula óssea de ratos. A exposição de animais ao nível de efeito não observado para aneugenicidade foi de aproximadamente 16,5 vezes a exposição clínica humana a 100 mg com base na AUC.
Carcinogenicidade
Não foram conduzidos estudos de carcinogenicidade com lorlatinibe.
Toxicidade reprodutiva
Foram observados efeitos nos órgãos reprodutores masculinos (testículos, epidídimos e próstata) em animais (aproximadamente 3,9 a 1,6 vezes a exposição clínica humana a 100 mg com base na AUC). Os efeitos nos órgãos reprodutores masculinos foram total ou parcialmente reversíveis.
Em estudos de toxicidade embrionária e fetal, aumento da mortalidade embrionária e pesos corporais fetais baixos foram observados. Anormalidades morfológicas fetais incluíram membros rotacionados, dígitos supranumerários, gastrosquise, rins mal formados, cabeça em cúpula, palato aumentado arqueado e dilatação dos ventrículos do cérebro. As doses mais baixas com efeitos embrionários e fetais em animais correlacionaram-se com 0,6 a 1,1 vezes a exposição clínica humana a 100 mg, com base na AUC.
Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)