Quais cuidados devo ter ao usar o Isothane?
Isothane deve ser usado apenas por médico anestesista habilitado. Uma vez que a profundidade da anestesia pode mudar rápida e facilmente com Isothane só devem ser utilizados vaporizadores que tenham sido especialmente calibrados para este produto. A extensão da redução da pressão arterial e depressão respiratória podem ser uma indicação da extensão da anestesia.
Isothane assim como outros anestésicos inalatórios, pode reagir com absorbentes de dióxido de carbono seco (CO2) produzindo monóxido de carbono o que pode resultar em níveis elevados de carboxihemoglobina em alguns pacientes. Quando o médico suspeitar que o absorbente de CO2 pode estar seco, este deve ser substituído antes da administração de Isothane.
A administração espontânea deve ser cuidadosamente monitorada e deve ser assistida, se necessário. Com o uso de anestésicos halogenados foram relatadas interrupção da função do fígado, icterícia (coloração amarelada da pele, devido ao acúmulo de bilirrubina) e necrose hepática fatal (morte das células do fígado). Tais reações parecem indicar hipersensibilidade aos anestésicos. Cirrose (substituição das células saudáveis do fígado, por tecido fibroso), hepatite viral (doença causada por vírus que acomete as funções do fígado) ou outra doença que acometa o fígado, preexistente pode ser a razão para selecionar um anestésico que não seja halogenado. Isoflurano é um profundo agente depressor respiratório cujo efeito é acentuado por medicação pré-anestésica narcótica ou uso concomitante de outros depressores respiratórios (diminuem a frequência respiratória). A respiração deve ser cuidadosamente monitorada e, se necessário, deve ser empregada ventilação assistida ou controlada.
Apenas uma pequena parte do isoflurano é metabolizada no organismo. No período pós-operatório apenas 0,17% do isoflurano captado pode ser recuperado sob a forma de metabólitos urinários. Os valores de pico sérico de fluoreto inorgânico são, em média, geralmente menores do que 5 μmol/litro e ocorrem cerca de quatro horas após a anestesia, retornando aos níveis normais dentro de 24 horas. Nenhum sinal de lesão renal foi relatado após a administração de isoflurano. Não existe experiência suficiente sobre o uso em anestesia repetida para se fazer uma recomendação definitiva neste sentido. Assim como para todos os anestésicos halogenados a repetição da anestesia dentro de curto espaço de tempo deve ser considerada com cuidado.
Pacientes com miastenia grave (doença neuromuscular autoimune) são extremamente sensíveis a drogas que produzem depressão respiratória. Estes efeitos são potencializados com alguns anestésicos gerais.
Isoflurano deve ser utilizado com cuidado nestes pacientes.
Recomenda-se controlar a ventilação em pacientes submetidos à neurocirurgia
O fluxo sanguíneo cerebral permanece inalterado no curso de anestesia leve, mas tende a elevar-se no curso de anestesia mais profunda.
Um aumento na pressão intracraniana pode ser evitado ou abolido por hiperventilação do indivíduo antes ou durante a anestesia. Isoflurano não deve ser administrado a pacientes que possam desenvolver broncoconstrição uma vez que pode ocorrer broncoespasmo. No caso de intervenções neurocirúrgicas, a respiração deve ser adequadamente verificada. Assim como ocorre com outros anestésicos halogenados, o isoflurano aumenta o fluxo de sangue através do cérebro é acompanhado por aumento transitório na pressão do líquido cefalorraquidiano.
Na maioria dos casos, este aumento de pressão pode ser evitado através de hiperventilação. O isoflurano pode produzir uma vasodilatação coronariana a nível arteriolar em modelos animais selecionados; a droga é, provavelmente, também um dilatador coronariano em humanos. Isoflurano, da mesma forma que outros vasodilatadores coronarianos, têm mostrado desviar sangue de áreas do miocárdio dependentes de circulação colateral para áreas com perfusão normais em um modelo animal (roubo coronariano). Até o momento, estudos clínicos para avaliar a isquemia miocárdica, infarto e morte como parâmetros resultantes não estabeleceram que a propriedade vasodilatadora coronariana do isoflurano estivesse associada com roubo coronariano ou isquemia miocárdica em pacientes com doença arterial coronariana.
Devido ao fato de que Isothane atua de maneira irritante nas membranas mucosas, o produto é difícil de usar se a anestesia inalatória for aplicada via máscara. Durante a indução da anestesia em crianças, o fluxo de saliva e a secreção traqueobrônquica podem aumentar e ser a causa do laringoespasmo.
No caso de pacientes que sofreram aborto provocado observou-se aumento da perda de sangue. Foi observado um aumento transitório da retenção de bromosulftaleína, na glicose sanguínea e na creatinina sérica, com diminuição do nível sérico de ureia (diminuição da concentração no sangue de ureia) e colesterol e do nível de fosfatase alcalina. Em indivíduos sensíveis, a anestesia por isoflurano pode induzir um estado hipermetabólico nos músculos esqueléticos, que leva a um alto consumo de oxigênio e a uma síndrome clínica conhecida como hipertermia maligna (doença muscular hereditária, caracterizada por resposta hipermetabólica após exposição a anestésicos inalatórios).
Interações com medicamentos
A administração simultânea de isoflurano e dos produtos a seguir requer supervisão rigorosa da condição clínica e biológica do paciente.
Associações contraindicadas:
Inibidores não seletivos da MAO (monoaminoxidase):
Risco de crise durante a operação. O tratamento deve ser suspenso 15 dias antes da cirurgia.
Associações não aconselhadas:
Beta-simpatomiméticos (isoprenalina) e alfa e beta-simpatomiméticos (epinefrina ou adrenalina; norepinefrina ou noradrenalina):
Risco de arritmia ventricular sério como resultado de um aumento da frequência cardíaca (aumento nos batimentos cardíacos).
Associações que requerem precaução no uso:
Betabloqueadores:
Risco de bloqueio do mecanismo de compensação cardiovascular, como resultado da intensificação dos efeitos inotrópicos negativos. A ação dos betabloqueadores pode ser suprimida durante a cirurgia com o uso de agentes beta-simpatomiméticos.
Em geral, nenhuma medicação que contenha betabloqueadores precisa ser interrompida e uma redução abrupta da dose deve ser evitada.
Isoniazida:
Risco de potencialização do efeito hepatotóxico (tóxico ao fígado), com aumento da formação de metabólitos tóxicos da isoniazida. O tratamento com isoniazida deve ser suspenso uma semana antes da cirurgia e não deve ser reiniciado até 15 dias depois.
Epinefrina utilizada como hemostático local, via injeção subcutânea ou gengival:
Risco de arritmia ventricular séria como consequência do aumento da frequência cardíaca (aumento nos batimentos cardíacos), embora a sensibilidade do miocárdio em relação à epinefrina seja mais baixa do que com o uso de outros anestésicos halogenados. Assim sendo, em adultos a dose deve ser limitada a, por exemplo, 0,1 mg de epinefrina dentro de 10 minutos ou 0,3 mg dentro de 1 hora.
Simpatomiméticos indiretos (anfetaminas e seus derivados, psicoestimulantes, inibidores do apetite, efedrina e seus derivados):
Risco de episódio de hipersensibilidade intra-operatória. No caso de uma cirurgia eletiva é preferível interromper o tratamento poucos dias antes da mesma.
Na maioria dos casos onde um tratamento medicamentoso é indispensável, não há razão para suspendê-lo antes da anestesia geral. É suficiente informar ao anestesista.
Agentes bloqueadores neuromusculares:
Risco de intensificação da ação nos bloqueadores neuromusculares despolarizantes e, em particular, dos não despolarizantes. Assim sendo, recomenda-se administrar de um terço a metade da dose usual destas substâncias. O desaparecimento do efeito mioneural demora mais com isoflurano do que com outros anestésicos convencionais. Neostigmina possui um efeito sobre os bloqueadores neuromusculares não despolarizantes, mas não sobre a ação relaxante do isoflurano em si mesma.
Analgésicos a base de morfina:
Estes produtos potencializam a ação depressiva do isoflurano sobre a respiração (diminuição da frequência respiratória).
Antagonistas do cálcio:
O isoflurano pode levar à hipotensão (diminuição da pressão arterial) acentuada em pacientes tratados com antagonistas do cálcio, particularmente nos derivados diidropiridínicos.
Informe ao seu médico ou cirurgião-dentista se você está fazendo uso de algum outro medicamento.
Não use medicamento sem o conhecimento do seu médico. Pode ser perigoso para a sua saúde.
Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)