Qual a ação da substância do Glicorp?
Resultados de Eficácia
Resultados do Estudo Prospectivo de Diabetes do Reino Unido mostraram que Clorpropamida apresenta maior eficácia no tratamento da diabetes do tipo 2 quando comparado ao uso da glibenclamida. Esse estudo mostrou ainda que o uso de Clorpropamida promove um atraso equivalente a um ano na necessidade de terapia adicional para o controle da glicemia quando comparado ao uso da glibenclamida.
Referências Bibliográficas
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Características Farmacológicas
Propriedades Farmacodinâmicas
A Clorpropamida é um hipoglicemiante oral da classe da sulfonilureia. Embora a Clorpropamida seja um derivado sulfonamídico, é desprovida de atividade antibacteriana.
Mecanismo de Ação
Seu exato mecanismo de ação não é completamente conhecido, mas não se trata de uma insulina oral. Acredita-se que o mecanismo de ação da Clorpropamida se dê através do estímulo da síntese e liberação da insulina endógena, efeito dependente do funcionamento das células beta no pâncreas. Os efeitos extrapancreáticos podem ser parte do mecanismo de ação das sulfonilureias orais.
Há evidências de que uma melhora na função das células beta-pancreáticas, com consequente melhora na tolerância à glicose, pode ocorrer durante o tratamento prolongado com Clorpropamida. Assim, em indivíduos com diabetes mellitus assintomática, manifestada principalmente por uma tolerância anormal à glicose, o uso continuado de Clorpropamida pode resultar na “normalização” de sua tolerância à glicose.
A potência da Clorpropamida é aproximadamente seis vezes a da tolbutamida. Alguns resultados experimentais sugerem que sua eficácia aumentada pode ser o resultado de uma excreção mais lenta e da ausência de uma desativação significativa.
Propriedades Farmacocinéticas
A Clorpropamida é rapidamente absorvida pelo trato gastrintestinal. Dentro de uma hora após a administração de uma única dose oral, ela é prontamente detectável no sangue, sendo que os níveis séricos máximos são alcançados dentro de 2 a 4 horas. É metabolizada em humanos e é excretada na urina como fármaco inalterado e como metabólitos hidroxilados ou hidrolisados. A meia-vida biológica da Clorpropamida é, em média, de 36 horas. Nas primeiras 96 horas, 80 a 90% de uma única dose oral é excretada na urina. No entanto, a administração a longo prazo de doses terapêuticas não produz acúmulo no sangue, desde que as taxas de absorção e excreção tornem-se estáveis em aproximadamente 5 a 7 dias após o início do tratamento.
A Clorpropamida exerce um efeito hipoglicemiante em indivíduos saudáveis dentro de 1 hora, tornando-se máximo em 3 a 6 horas e persistindo por, no mínimo, 24 horas.
Dados de Segurança Pré-Clínicos
Estudos de toxicidade crônica foram realizados em cães e ratos. Os cães tratados por 6, 13 ou 20 meses com doses de Clorpropamida 20 vezes maiores que a dose recomendada para humanos, não apresentaram grandes alterações histológicas ou patológicas. Após o tratamento com 100 mg/kg de Clorpropamida, por 20 meses, nenhum cão apresentou alterações histopatológicas hepáticas. Os ratos tratados continuamente por 6 a 12 meses apresentaram vários graus de supressão de espermatogênese com altas doses (até 125 mg/kg). O grau de supressão pareceu seguir a extensão do retardo no crescimento associado com a administração crônica de doses altas de Clorpropamida em ratos.
Testes pré-clínicos determinaram a DL50 oral de 1.675 mg/kg para camundongos, 800 mg/kg em cães e 2.390 mg/kg em ratos.
Efeitos teratogênicos
Não foram realizados estudos de reprodução animal com Clorpropamida.
Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)