Quais as reações adversas e os efeitos colaterais do Ezafer?
As reações mais frequentes reportadas durante o tratamento crônico com Deferasirox comprimidos para suspensão em pacientes adultos e pediátricos incluem distúrbios gastrintestinais em aproximadamente 26% dos pacientes (principalmente náusea, vômito, diarreia ou dor abdominal), e erupção cutânea (rash) em aproximadamente 7% dos pacientes. Estas reações são dose-dependentes, na maioria das vezes leves a moderadas, geralmente transitórias e, na sua maior parte, se resolvem até mesmo se o tratamento for continuado. Aumentos leves, não progressivos, da creatinina sérica, na maioria das vezes dentro dos limites normais, ocorrem em aproximadamente 36% dos pacientes. Estes são dose-dependentes, que frequentemente se resolvem espontaneamente e, algumas vezes, podem ser aliviados pela redução de dose.
Em estudos clínicos com pacientes com sobrecarga de ferro devido a transfusões de sangue, foram reportadas elevações de transaminases hepáticas em aproximadamente 2% dos pacientes. Não houve dependência na dose e a maioria destes pacientes tinha níveis elevados antes de receber Deferasirox. Elevações de transaminases maiores do que 10 vezes o limite superior da normalidade, sugerindo hepatite, foram incomuns (0,3%). Houve relatos pós-comercialização de falência hepática em pacientes tratados com Deferasirox. A maioria dos relatos de falência hepática envolveram pacientes com comorbidades significativas, incluindo cirrose hepática e falência múltipla de órgãos; casos fatais foram relatados em alguns destes pacientes.
Diminuição da acuidade auditiva (principalmente sons de alta frequência) e opacidade do cristalino (catarata prematura) foram incomumente observados em pacientes tratados com Deferasirox, assim como ocorre com outros quelantes de ferro.
As seguintes reações adversas, listadas na Tabela 4, foram relatadas em estudos clínicos após tratamento com Deferasirox. As reações adversas foram classificadas abaixo usando a seguinte convenção:
- Muito comum (≥ 1/10);
- Comum (≥ 1/100, < 1/10);
- Incomum (≥ 1/1.000, < 1/100);
- Raro (≥ 1/10.000, < 1/1.000);
- Muito raro (< 1/10.000).
Dentro de cada grupo de frequência, reações adversas são apresentadas em ordem decrescente de gravidade.
Tabela 4 - Reações adversas relatadas nos estudos clínicos
| Classe de sistema de órgãos | Categoria de frequência | Reações adversas |
| Distúrbios psiquiátricos | Incomum | Ansiedade, distúrbios do sono |
| Distúrbios do sistema nervoso | Comum | Cefaleia |
Incomum | Tontura | |
| Distúrbios visuais | Incomum | Catarata, maculopatia |
Rara | Neurite óptica | |
| Distúrbios auditivos e do labirinto | Incomum | Surdez |
| Distúrbios respiratórios, torácicos e mediastinais | Incomum | Dor na laringe |
| Distúrbios gastrintestinais | Comum | Diarreia, constipação, vômito, náusea, dor abdominal, distensão abdominal, dispepsia |
Incomum | Hemorragia gastrintestinal, úlcera gástrica (incluindo úlceras múltiplas), úlcera duodenal, gastrite, pancreatite aguda | |
Rara | Esofagite | |
| Distúrbios hepatobiliares | Comum | Aumento de transaminases |
Incomum | Hepatite, colelitíase | |
| Distúrbios da pele e de tecidos subcutâneos | Comum | Erupção cutânea (rash), prurido |
Incomum | Distúrbios de pigmentação | |
Rara | Eritema multiforme, reação medicamentosa com eosinofilia e sintomas sistêmicos (DRESS) | |
| Distúrbios renais e urinários | Muito comum | Aumento de creatinina sérica |
Comum | Proteinúria | |
Incomum | Disfunção tubular renal (síndrome de Fanconi) | |
| Distúrbios gerais e condições do local de administração | Incomum | Pirexia, edema, fadiga |
Lista de reações adversas de relatos espontâneos pós-comercialização
Reações adversas relatadas espontaneamente, apresentadas na Tabela 5, foram reportadas voluntariamente e nem sempre é possível estabelecer uma frequência confiável ou uma relação causal com a exposição à droga.
Tabela 5 - Reações adversas derivadas de relatos espontâneos (frequência não conhecida)
| Classe de sistema de órgãos | Reações adversas |
Distúrbios do sistema imunológico | Reações de hipersensibilidade (incluindo reações anafiláticas e angioedema). |
Distúrbios gastrintestinais | Perfuração gastrintestinal |
Distúrbios hepatobiliares | Falência hepática |
Distúrbios da pele e de tecidos subcutâneos | Síndrome de Stevens-Johnson, vasculite de hipersensibilidade, urticária, alopecia, necrólise epidérmica tóxica (NET). |
Distúrbios renais e urinários | Necrose tubular renal, falência renal aguda (na maioria, aumentos de creatinina sérica ≥ 2 vezes o limite superior da normalidade e, geralmente, reversível após interrupção do tratamento); nefrite tubulointersticial |
Descrição das reações adversas selecionadas
Citopenias
Após a comercialização, ocorreram relatos (ambos espontâneos e de estudos clínicos) de citopenias, incluindo neutropenia, trombocitopenia, e anemia agravada em pacientes tratados com Deferasirox. A maioria destes pacientes tinham distúrbios hematológicos pré-existentes, que são frequentemente associados à falência medular. A relação destes episódios com o tratamento com Deferasirox é incerta.
Pancreatite
Casos de pancreatite aguda grave foram observados com e sem condições biliares subjacentes documentadas.
População pediátrica
Tubulopatia renal foi relatada em pacientes tratados com Deferasirox. A maioria destes pacientes eram crianças e adolescentes com beta-talassemia e níveis de ferritina sérica < 1.500 micrograma/L.
Em um estudo observacional de 5 anos no qual 267 crianças com idade de 2 a < 6 anos (no momento da inscrição) com hemossiderose transfusional receberam Deferasirox, não foram encontrados dados inesperados de segurança em relação à eventos adversos (EAs) ou alterações laboratoriais. Aumento da creatinina sérica em > 33% e acima do limite superior do normal (LSN) em ≥ 2 ocasiões consecutivas foi observado em 3,1% das crianças e elevação de alanina aminotransferase (ALT) maior do que 5 vezes o LSN foi relatada em 4,3% das crianças. As reações adversas mais frequentemente observadas relatadas com suspeita de relação com o medicamento estudado foram o aumento da ALT (21,1%), aumento da aspartato aminotransferase (AST, 11,9%), vômitos (5,4%), erupção cutânea (5,0%), aumento da creatinina no sangue (3,8 %), dor abdominal (3,1%) e diarreia (1,9%). O crescimento e desenvolvimento globais não foram afetados nesta população pediátrica.
Em casos de eventos adversos, notifique pelo Sistema VigiMed, disponível no Portal da Anvisa.
Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)