Quais cuidados devo ter ao usar o Ethyol?
Os pacientes devem ser adequadamente hidratados antes da infusão e mantidos em posição supina durante a infusão da solução reconstituída de Ethyol, com a pressão arterial monitorada.
Os parâmetros para interrupção e reinício da infusão de amifostina, em caso de diminuição da pressão sistólica, são encontrados no item "Como usar o Ethyol?". Se ocorrer hipotensão, os pacientes deverão ser colocados em posição de Trendelemburg e deverá ser infundida solução salina normal. É importante que a infusão da dose recomendada (740 a 910 mg/m2 de superfície corpórea) seja administrada num período superior a 15 minutos. A administração de amifostina em infusões muito prolongadas está associada com maior incidência de efeitos colaterais.
Pode ocorrer hipotensão durante ou logo após a infusão de Ethyol, mesmo que o paciente esteja recebendo hidratação e posicionado adequadamente.
Em alguns raros casos, às vezes durante ou após a infusão, as seguintes reações foram relatadas:
- Taquicardia, bradicardia, dispneia, apneia, hipóxia, dor torácica, isquemia miocárdica, insuficiência renal, infarto do miocárdio, convulsões, perda da consciência, parada respiratória e parada cardíaca.
Reações cutâneas graves, em alguns casos requerendo hospitalização e descontinuação do tratamento, foram raramente relatadas com o uso de Ethyol. Essas reações, em alguns casos fatais, incluem eritema multiforme, síndrome de Stevens-Johnson, necrólise tóxica epidérmica, toxoderma e toxicidade bolhosa. A maioria dos casos, ocorreu em pacientes recebendo Ethyol como radioprotetor e surgiram após 10 ou mais dias de exposição ao Ethyol.
Os pacientes devem ser submetidos à avaliação cutânea antes de cada administração de Ethyol, com particular atenção nos casos do desenvolvimento de:
- Qualquer erupção envolvendo os lábios ou as mucosas desconhecendo-se o agente etiológico (ex.: mucosite por irradiação, herpes simplex, etc.);
- Lesões eritematosas, edematosas ou bolhosas nas palmas das mãos ou nas plantas dos pés e/ou outras reações cutâneas no tronco (frente, costas e abdome);
- Reações cutâneas associadas à febre ou outros sintomas gerais.
As reações cutâneas devem ser claramente diferenciadas das dermatites induzidas por radiação e das reações cutâneas relacionadas a outras etiologias.
Para reações cutâneas que surjam fora do local da injeção ou do local da radioterapia cuja etiologia seja desconhecida, o tratamento com Ethyol deve ser interrompido e uma análise dermatológica e biópsia devem ser realizadas, a fim de classificar a reação. O tratamento deverá ser sintomático. O reinício da administração de Ethyol deverá ocorrer, a critério médico, baseado na avaliação clínica e em uma consulta dermatológica.
Ethyol deve ser permanentemente suspenso caso as reações cutâneas sejam:
- Eritema multiforme, necrólise tóxica epidérmica, síndrome de Stevens-Johnson ou dermatite esfoliativa e para reação cutânea associada à febre ou qualquer outro sintoma geral desconhecido devido a qualquer outro agente etiológico.
Dados referentes ao uso consecutivo de Ethyol em tratamentos quimioterápicos com cisplatina ou com agentes alquilantes (Ethyol na dose de 910 mg/m2) e radioterapia (Ethyol na dose dose de 200 mg/m2) são limitados.
Antes da terapia por radiação, Ethyol deve ser administrado na dose recomendada (200 mg/m2 por fração de 2 Gy) por mais de 3 minutos.
Ethyol não é indicado para os casos em que as glândulas parótidas não estão no campo da radiação.
Recomenda-se o uso de medicação antiemética, incluindo dexametasona 20 mg IV e antagonista 5-HT3 antes e durante a infusão de amifostina, especialmente quando se utilizar quimioterápicos fortemente emetogênicos, como a cisplatina.
Os antieméticos profiláticos são recomendados para doses consideráveis destinadas à radioterapia (200 mg/m2 por fração de 2 Gy).
O balanço hídrico do paciente deve ser monitorado cuidadosamente quando a amifostina for administrada com quimioterápicos altamente emetogênicos.
Terapias anti-hipertensivas devem ser suspensas 24 horas antes da administração da amifostina para quimioterapia e esses pacientes devem ser monitorados cuidadosamente durante o tratamento. Pacientes em tratamento com Ethyol e radioterapia, recebendo concomitantemente medicação anti-hipertensiva, devem ser monitorados cuidadosamente durante o tratamento.
Apesar dos relatos de hipocalcemia clinicamente relevante serem muito raros, o nível sérico de cálcio deve ser monitorado em pacientes com risco de hipocalcemia, como a associada à síndrome nefrótica. Caso necessário, deve-se administrar suplementos de cálcio, conforme a necessidade. Devem ser tomadas precauções especiais quanto aos pacientes que estejam fazendo uso de agentes hipocalcemiantes.
Raros casos de convulsões foram relatados com a administração de Ethyol. Recomenda-se cautela em pacientes tratados com outras drogas potencialmente convulsogênicas.
Nenhum estudo específico de interação medicamentosa foi realizado em pacientes tratados com Ethyol e radioterapia.
Gravidez e lactação
Embora Ethyol tenha apresentado embriotoxicidade relacionada à dose em ratas recebendo doses acima de 200 mg/kg, ele não é teratogênico. Não existem estudos em mulheres grávidas. Como Ethyol é administrado com agentes reconhecidamente teratogênicos, essa terapia não deve ser utilizada por gestantes. Se as pacientes engravidarem enquanto em uso dessa terapia, deverão ser conscientizadas do risco potencial para o feto.
Fertilidade
Estudos em animais mostraram a ocorrência de degeneração do epitélio germinativo dos testículos bilateral e hipospermia bilateral nos epidídimos. O potencial risco para humanos é desconhecido.
Categoria C. Esse medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica ou do cirurgião-dentista.
Não se sabe se a amifostina ou seus metabólitos são excretados no leite materno de mulheres em fase de lactação, sendo recomendada a interrupção do aleitamento antes do início do tratamento com Ethyol.
Uso em idosos, crianças e outros grupos de risco
Não foram realizados estudos de Ethyol em crianças, assim como em pacientes com mais de 70 anos.
Também não foi documentado o uso de amifostina em pacientes com disfunções hepática ou renal graves.
Portanto, Ethyol não deve ser usado em crianças ou idosos (pacientes com mais de 70 anos), ou naqueles com disfunção hepática ou renal graves.
Recomenda-se atenção especial à função renal em pacientes com fatores de risco conhecidos de insuficiência renal, como:
- Vômito, desidratação, hipotensão grave, quimioterapia nefrotóxica, ou idade acima de 60 anos.
Não há dados disponíveis para assegurar um efeito benéfico de longa duração com o uso de amifostina para câncer secundário, fibrose tardia ou toxicidade cutânea tardia.
Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)