Como usar - Cloridrato de Ropivacaína Hypofarma

Bula Cloridrato de Ropivacaína Hypofarma

Princípio ativo: Cloridrato de Ropivacaína

Classe Terapêutica: Anestésicos Locais Medicinais Injetáveis

Revisado por Isabelle Baião de Mello Neto (CRF-MG 24309)

Como usar o Cloridrato de Ropivacaína Hypofarma?

O cloridrato de ropivacaína deve apenas ser utilizado por ou sob a supervisão de médicos experientes em anestesia regional.

Não contém conservantes. Destinado à aplicação única. Qualquer solução restante de uma embalagem já aberta deve ser descartada.

Os frascos-ampolas de cloridrato de ropivacaína não devem ser autoclavadas. Apresentações estéreis até a abertura da embalagem.

Não usar por via intravenosa.

Podem ocorrer sintomas de toxicidade do SNC se cloridrato de ropivacaína for administrado por via intravenosa.

Incompatibilidades

A alcalinização pode causar precipitação, pois a ropivacaína é pouco solúvel em pH superior a 6.

Posologia do Cloridrato de Ropivacaína Hypofarma


A tabela a seguir é um guia de dose para os bloqueios mais usados. A dose deve ser baseada na experiência do anestesista e no conhecimento da condição física do paciente.

Em geral, a anestesia cirúrgica (ex.: administração peridural) requer o uso de altas concentrações e doses. Para analgesia recomenda-se o uso de cloridrato de ropivacaína 2 mg/mL, exceto para a administração injeção intra-articular onde cloridrato de ropivacaína 7,5 mg/mL é recomendado.

Vias de administração

O cloridrato de ropivacaína 2 mg/mL

Peridural lombar, peridural torácica, bloqueio de campo e bloqueio nervoso periférico.

O cloridrato de ropivacaína 7,5 mg/mL

Peridural lombar para cirurgia e cesárea, peridural torácica, bloqueio nervoso maior, bloqueio de campo e injeção intra-articular.

O cloridrato de ropivacaína 10 mg/mL

Peridural lombar para cirurgia.

Recomendação de dose para cloridrato de ropivacaína em adultos e maiores de 12 anos de idade

---Concentração (mg/mL) (%)Volume (mL)Dose (mg)Início da ação (minutos)Duração do efeito (horas)
Anestesia cirúrgica
Administração peridural lombarCirurgia7,5 (0,75%)15-25113-18810-203-5
10,0 (1%)15-20150-20010-204-6
Cesária7,5 (0,75%)15-20113-15010-203-5
Administração peridural torácicaAlívio da dor pós-operatória por bloqueio 7,5 (0,75%)5-1538-11310-20N/a
Bloqueio nervoso maior (ex.: plexo braquial)7,5 (0,75%)10-4075-300a10-256-10
Bloqueio de campo (ex.: bloqueios nervosos menores e infiltração)7,5 (0,75%)1-307,5-2251-152-6
Tratamento de dor aguda
Administração peridural lombarBolus2,0 (0,2%)10-2020-4010-150,5-1,5
Injeções intermitentes (ex.: controle da dor de (intervalo parto)2,0 (0,2%)

10-15 (intervalo mínimo de 30 min.)

20-30--
Administração peridural lombar - Infusão contínua, por exemplo, controle da:Dor do parto2,0 (0,2%)6-10 mL/h12-20 mg/hN/aN/a
Dor pós-operatória2,0 (0,2%)6-14 mL/h12-28 mg/hN/aN/a
Administração peridural torácicaInfusão contínua (ex.: controle da dor pós-operatória2,0 (0,2%)6-14 mL/h12-28 mg/hN/aN/a
Bloqueio de campo (ex.: bloqueios nervosos menores e infiltração)2,0 (0,2%)1-1002-2001-52-6
Injeção intra-articularc (ex.: injeção única após artroscopia do joelho)7,5 (0,75%)20150bN/a2-6
Bloqueio nervoso periférico (bloqueio femoral ou interescalênico)Infusão contínua ou injeções intermitentes (ex.: controle da dor pós-operatória)2,0 (0,2%)5-10 mL/h10-20 mg/hN/aN/a

N/a: não se aplica.
a A dose para bloqueio nervoso maior deve ser ajustada de acordo com o local de administração e a condição do paciente. Os bloqueios interescalênico e do plexo braquial supraclavicular podem estar associados à frequência maior de reações adversas graves, independentemente do anestésico local utilizado.
b Se for utilizada quantidade adicional de ropivacaína por outras técnicas no mesmo paciente, não exceder a dose limite de 225 mg.
c Houve relatos pós-comercialização de condrólise (degradação de cartilagem) em pacientes recebendo infusão contínua intra-articular de anestésicos locais no pós-operatório. Esta indicação não é aprovada para cloridrato de ropivacaína.

As doses apresentadas na tabela acima são aquelas consideradas como necessárias à produção de bloqueio com sucesso, devendo ser utilizadas como guia para uso em adultos. Podem ocorrer variações individuais no início e duração do efeito. Os dados mostram a faixa de dose média necessária esperada. Literatura padrão deve ser consultada para fatores que afetam as técnicas específicas de bloqueio e para necessidades individuais do paciente.

A fim de evitar a injeção intravascular recomenda-se aspiração cuidadosa antes e durante a administração da dose principal, a qual deve ser injetada lentamente ou em doses crescentes, na velocidade de 25-50 mg/min, sempre observando atentamente as funções vitais do paciente e mantendo contato verbal. Quando se pretende administrar uma dose peridural, recomenda-se uma dose teste prévia de 3-5 mL de lidocaína com epinefrina (lidocaína 1-2%). Uma injeção intravascular acidental pode ser reconhecida pelo aumento temporário da frequência cardíaca e em caso de injeção intratecal acidental, por sinais de bloqueio espinhal. A injeção deve ser interrompida imediatamente se ocorrerem sintomas tóxicos.

Em bloqueio peridural para cirurgia, doses únicas de até 250 mg de ropivacána foram usadas e são bem toleradas.

Quando bloqueios peridurais prolongados são utilizados, tanto por infusão contínua como por administração repetida em bolus, devem ser considerados os riscos de indução de lesão neural local ou de atingir concentração plasmática tóxica. Doses acumulativas de até 800 mg de ropivacáina administradas em cirurgia e analgesia pós-operatória por mais de 24 horas foram bem toleradas em adultos, assim como infusão peridural contínua pós- operatória de até 28mg/h por 72 horas.

Para o tratamento da dor pós-operatória recomenda-se a seguinte técnica: a menos que seja instalado antes da operação, induzir o bloqueio peridural com o cloridrato de ropivacaína 7,5 mg/mL (0,75%) pelo cateter peridural. A analgesia é mantida com infusão de cloridrato de ropivacaína 2 mg/mL (0,2%). Estudos clínicos demonstraram que taxas de infusão de 6-14 mL/h (12-28 mg/h) proporcionam analgesia adequada com somente leve bloqueio motor não-progressivo na maioria dos casos de dor pós-operatória de grau moderado a grave. Com essa técnica, foi observada redução significativa da necessidade de opioides.

Em estudos clínicos uma infusão peridural de cloridrato de ropivacaína 2 mg/mL isolado ou associado a 1- 4 mcg/mL de fentanila foi administrada por até 72 horas para o controle da dor pós-operatória. O cloridrato de ropivacaína 2 mg/mL (6-14 mL/h) proporcionou alívio da dor adequado para a maioria dos pacientes. A combinação de cloridrato de ropivacaína e fentanila proporcionou melhor alívio da dor, mas causou efeitos colaterais de opioides.

A administração peridural de ropivacaína em concentrações de 10 mg/mL não foi documentada para uso em cesárea.

Quando bloqueios nervosos periféricos prolongados são aplicados, seja por infusão contínua ou através de injeções repetidas, os riscos de atingir a concentração plasmática tóxica ou induzir a lesão neural local, devem ser considerados. Em estudos clínicos, o bloqueio do nervo femoral foi estabelecido com 300 mg de cloridrato de ropivacaína 7,5 mg/mL e o bloqueio interescalênico com 225 mg de cloridrato de ropivacaína 7,5 mg/mL, respectivamente, antes da cirurgia. Então, a analgesia foi mantida com cloridrato de ropivacaína 2 mg/mL. Taxas de infusão ou injeções intermitentes de 10-20 mg/h durante 48 horas proporcionaram analgesia adequada e foram bem toleradas. 

Pacientes pediátricos

Recomendações de dose de cloridrato de ropivacaína em pacientes pediátricos com 0 a 12 anos de idade (incluindo crianças com 12 anos de idade):

 Concentração (mg/mL) (%)Volume (mL/kg)Dose (mg/kg)
Tratamento da dor aguda (peri e pós-operatória)
Administração peridural caudal
Bloqueio abaixo de T12, em crianças com peso corpóreo até 25 Kg
2,0 (0,2%)12

A dose na tabela serve como guia para uso em pediatria, pois ocorrem variações individuais. Em crianças com peso corpóreo alto, em geral, é necessária redução gradual da dose com base no peso corpóreo ideal. O volume para um único bloqueio peridural caudal e o volume para administração peridural em bolus não deve exceder 25 mL em nenhum paciente. Literatura padrão deve ser consultada para fatores que afetam técnicas específicas de bloqueio e para as necessidades individuais do paciente.

Recomenda-se aspiração cuidadosa antes e durante a injeção para prevenir a administração intravascular. As funções vitais do paciente devem ser observadas de perto durante a administração. Se ocorrerem sintomas de toxicidade, a injeção deve ser imediatamente interrompida.

Uma injeção peridural caudal única de ropivacaína 2 mg/mL produz analgesia pós-operatória adequada abaixo de T12 na maioria dos pacientes quando é usada uma dose de 2 mg/kg em volume de 1 mL/kg. Em crianças acima de 4 anos de idade, doses de até 3 mg/kg têm sido usadas com segurança. O volume da injeção peridural caudal pode ser ajustado para obter uma distribuição diferente do bloqueio sensório, conforme recomendado na literatura padrão.

O fracionamento da dose calculada do anestésico local é recomendado, qualquer que seja a via de administração.

Concentrações maiores que 5 mg/dL em crianças não foram documentadas.

O uso de ropivacaína em bebês prematuros não foi documentado.

Siga a orientação de seu médico, respeitando sempre os horários, as doses e a duração do tratamento. Não interrompa o tratamento sem o conhecimento do seu médico.

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